Sozinha (mas acompanhada)

sto-salen.jpgMuito estranho chegar em casa depois da escola e sentir que não vai ter ninguém para jantar comigo, dormir comigo, acordar comigo e tomar café da manha comigo durante dois dias. Domingo completa dez meses que moro aqui e esta é a terceira vez (primeira em 2007) em que fico sozinha em casa.  Jo foi para Sälen (mapa acima) à trabalho e só volta no sábado. A viagem foi feita de ônibus e caminhão, só a boleia, e durou cerca de oito horas. Enquanto isso, para não ficar em casa muito tempo sozinha, fiquei com minhas amigas da escola depois da aula. 

Um pequeno parênteses… Quando comecei a estudar sueco o grupo era bem grande. Cerca de 25 a 30 pessoas que tinham formação acadêmica e puderam iniciar no curso de Sueco para Acadêmicos (SFA). Em algumas cidades da Suécia (principalmente as pequenas) não existe esta divisão e as escolas misturam imigrantes que não sabem ler/escrever (sueco ou na própria língua) com acadêmicos. As vezes é um “samba do criolo doido”. Muitos acabam desistindo pois sentem que não avançam.

Tive sorte. O grupo com qual estudava era muito legal. Tinha gente de todos os lugares: Filipinas, Escócia, Chile, Lituânia, Polônia, Argélia, Etiópia, Egito,Costa do Marfim, França, China, Russia, Iran, Romênia, Turquia, Senegal e, claro, Brasil. Muito legal estudar com pessoas de tantas nacionalidades, tanta coisa para descobrir… Nossa turma avançou super rápido, apesar de muitos terem ficado pelo meio do caminho (voltaram para seus respectivos países, começaram a trabalhar ou simplesmesnte desistiram de estudar). Infelizmente, apenas quatro conseguiram passar pelas provas de nível e pela prova nacional e terminar o SFI/SFA (euzinha estou entre as quatro). Apesar disto, não perdemos o contato e sempre quando sobra um tempinho entre as aulas, estamos juntos.

Enfim, o encontro de hoje foi entre duas polonesas, uma chilena, uma lituana e eu. Foi tão legal!!! Conversamos sobre muitas coisas: provas, cursos, gravidez (Rasa, a lituana, está grávida de 23 semanas), contraceptivo, educação, família, etc. Rimos muito. Todas as conversas foram em sueco, ehrr, quase todas. Algumas delas foram em inglês, mas apesar de não participar falando, pude entender 90% do que foi dito. Isto quer dizer que meu nível de inglês não está tao mal quanto eu pensava. Só não me peçam para falar que faz toda esta confiança desaparecer. Depois deste prazeroso encontro fomos (Consuelo, a chilena, Rasa e eu) ao centro da cidade. Continuamos a conversa sobre gravidez (todos acompanham o crescimento da barriga de Rasa como se fôssemos as tias) e nela comentamos que atualmente temos visto muitas mulheres grávidas, na verdade, a multiplicação até parece epidemia. Até cheguei a comentar que as maternidades vão sofrer durante o verão.

Para minha surpresa, quando chego em casa e vou ler o jornal descubro não somente que as suecas dão a luz muito mais às quartas-feiras como julho é o mês em que os bebês nascem mais. Oito meses depois do período mais escuro do ano, o inverno. A matéria diz ainda que abril não é um mês de muita atividade sexual entre os casais suecos que pretendem ter filhos. Isto porque as maternidades ficam praticamente vazias nos meses de novembro e dezembro. Minhas observações não estão assim, tão exageradas.

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Até que meu primeiro dia sozinha em casa não foi assim tão mal. E os outros dias prometem!! Amanhã vou à uma festinha na casa do meu cunhado e no sábado vou aprender a fazer uma bolo que não leva trigo, ovos ou açucar, mas figo e outras frutinhas secas com minha cunhada, cuja alimentação é bastante peculiar. Provei o bolinho e achei uma delícia. Assim que eu pegar a receita, escrevo aqui.

  •  A palavra em sueco do dia é ensam, sozinho (a)

2 thoughts on “Sozinha (mas acompanhada)

  1. Jack says:

    Aqui gravidez tbm tá parecendo epidemia…
    Três das colegas de turma vão ter bebê esse ano…
    Todas na faixa de 20-22 anos…
    Que coisa!

    Amo-te…
    Fica bem!

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