As eleições francesas e a Europa

Hoje é um dia super importante para a França. Falo de lá porque pelos dois anos em que morei na terra de Amelie Poulin vi como estas eleições são mais do que aguardadas e especuladas, não só pelos nativos como por toda comunidade européia. Não é para menos que aqueles que estão mais apreensivos sejam os imigrantes, já que a Europa está passando por uma fase “direitista”. Nunca uma eleição presidencial francesa teve tanto destaque nos jornais do mundo inteiro. O correspondente do Times confessa que é a primeira que uma eleição suscita tanto interesse. Já a do The Economist segue a mesma linha do colega e afirma que provavelmente seja pela mudança da geração de políticos

É bem particular o que acontece atualmente à l’héxagone. Tudo começa em 2002 quando o candidato da extrema direita, Jean Marie Le Pen (FN – Frente Nacional) chega ao segundo turno, gerando um certo temor na população. O lema é “A França para os Franceses”. Em 2005, o “não” à Constituição européia. Além disso, houve também as manifestações nos subúrbios, cujo tema imigração e integração veio à tona provando o péssimo tratamento dado à questão. O alto índice de desemprego também ajuda a aumentar a tensão.

Dos doze candidatos que se apresentam às eleições de hoje, três chamam atenção do mundo. O primeiro deles, a frente nas pesquisas de opinião, chama-se Nicolas Sarkozy (UMP – Unidade pela Maioria Presidencial). Ele incorporou um certo discurso que amedronta. Enquanto Ministro do Interior, como é chamado o responsável pela segurança nacional (me falta o nome me português), o monsieur Sarkozy adotou a linha repressiva da tolerância zero. Desta forma ele foi acusado de querer angariar os votos de simpatizantes da extrema direita (FN). O segundo é uma mulher. Ela apresenta-se como candidata do Partido Socialista (PS) e tem chances reais de tornar-se presidente da República. Assumindo sua feminilidade, Segolene Royal foi ganhando terreno diferenciando-se de Margaret Tatcher e Angela Merkel. O terceiro candidato pode ser considerado uma zebra por muitos, mas já encosta nas pesquisas à candidata socialista. Em 2002, François Bayrou (UDF – União para a Democracia Francesa) recebeu 6,8% de votos e as intenções para este ano ficam entre os 15% e 20%.

Particularmente eu tenho um certo medo da vitória de Sarko. No período em que vivi na França, muitas foram as mudanças aplicadas para se conseguir um visto e ter o direito de permanecer no solo francês. E todas elas assustavam mesmo. Algumas exigências eram infundadas e mesmo difíceis de serem cumpridas por estudantes. Na minha opiniõ, com Sarko no poder, as coisas tendem a piorar.  É esperara para ver….

E para relaxar um pouco, mas ainda sobre a França…

kozy_golene.jpgAbreviar é mania nacional. E isso não se restringe apenas à substantivos comuns. Nomes próprios também entram na onda e até os jornais não ficam atrás. Com um toque de humor, um atelier resolveu criar dois bonecos, Kozy e Golène (foto), em alusão ao principais candidatos Sarkozy e Segolène, “que abrem os braços, mas nao apertam as mãos”, e pô-los à venda. Cada boneco custa 19,85€ e parte do lucro será destinada à uma associação de crianças maltratadas. Ao menos um pouco de delicadeza no mundo bruto da política.

UPDATE 22h (23/04 – 9h): Com uma participação histórica (mais de 80% de eleitores compareceram às urnas), os franceses enviam  Nikolas Sarkozy (31,11% – 11 323 599 votos) e Segolène Royal (25,83% 9 402 797) ao segundo turno, dia 6 de maio. As porcentagens disponíveis até agora chegam dos institutos de pesquisa. O resultado oficial é previsto para quarta-feira.

Mudando de assunto 

Agora vou me preparar para uma longa caminhada. Aproveitar que o dia está ensolarado para andar até o sul de Estocolmo. Vamos encontrar a família para festejar o aniversário do irmão mais novo do meu viking.  Depois conto como foi!!

  • A palavra em sueco do dia é val, eleição/eleições

3 thoughts on “As eleições francesas e a Europa

  1. ismenia says:

    tu parles!! imagine eu que tou aqui na frança ,sou estrangeira e no meio dessa briga toda,na pior das hipoteses prefiro sego a sarko.de repente como mulher ela vai mudar as coisas pra nois né!…tou adorando teu blog,continue!!beijao!!ismenia.

  2. marcia says:

    Isso mesmo Ju
    Vai passear e aproveitar:P
    Tra um pedacinho de bolo pra a grávida aqui – pedido beeeeeem típico de brasileiro e nada sueco ahuiaihaiuahiuahiu Até pq eu não gosto do bolo deles não
    Beijos

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