Ausência, curso de verão e imigrantes

Uau, nunca pensei que pudesse ficar (voluntáriamente) tanto tempo afastada do blog. Sei lá, tava um pouco sem vontade de escrever além de um probleminha de saúde irritante. Mas agora parece que a ziquizila tá tomando outro rumo e saindo das minhas costas. Assim espero!! Porque não dá mesmo, toda semana aparece algo diferente para me tirar do sério. E para compensar a falta de posts durante esta semana, hoje vem por aí uma enxurrada. Podem esperar, estou empolgada!!

Mas bom, o final de semana passado foi muito legal. Na  verdade tudo começou na quinta-feira, quando peguei minhas notas na escola (todas boas, ufa!!) e soube mais um pouco sobre o curso de verão. Um encontrinho aqui, outro alí, look novo e um churras na casa de Paola no sábado. Foi bem legal. Três brazucas e três suecos. Uma misturada de línguas que só vendo, mas no final, tudo deu certo. Foi um momento de muitas gargalhadas e descontração. Legal também foi (re)encontrar Nicole & Mister M e contar e ouvir as descobertas de todas na grande viagem que é o aprendizado deste idioma.

E falando nisso, há dois dias começou meu curso de verão. Ele terá a duração de três semanas com aulas de segunda a quinta, das 9h as 14h. Parece longo, mas não é. Como muitos de vocês sabem, estou no SAS G (svenska som andra språk grundläggande – ensino fundamental do sueco como segunda língua) – já falei um pouco disso aqui e aqui. Bem, para mim, o curso de verão seria para completar o segundo nível e cursar os dois módulos que faltavam. Mas para meu azar (ou sorte?!! vai saber!!) a escola só oferece um módulo (Allt om ord – Tudo sobre palavras) do meu nível. O outro terei que esperar o próximo semestre para fazê-lo (isto se eu não conseguir entrar na universidade). Como podemos fazer dois módulos durante essas três semanas, escolhi o que seria o equivalente (Svensk värdegrunder – algo como Os valores da base sueca ou os valores dos fundamentos suecos, não consegui descobrir uma tradução para o português – quem souber, por favor, me avise) do terceiro nível!!!

Os cursos têm tudo para serem ótimos. O primeiro eu amei. Vamos aprender as regras para juntar as palavras, (estou comemorando!) é o que eu e amigas chamamos de formar as “palavras-frase”, alguns falsos-cognatos (ou falsos-amigos), usar o dicionário à maneira deles, aprofundar nos verbos com preposições que fazem mudar o sentido do verbo se ele estivesse sozinho, gírias, entre outras coisas. Para vocês terem uma idéia do que é ett sammansatt ord (uma palavra composta, ou seja, junção de duas palavras para formar uma outra “montada”) nem adianta correr para o dicionário porque nada se assemelha as nossas palavras unidas por um simples hífen. (escrevo isso no próximo post). O melhor disso tudo é que na sala só existem três pessoas: a professora, eu e mais uma mulher vinda de Eritrea (país localizado no leste da África) que mora aqui há 15 anos (e quer aprender como escrever em sueco). O curso será uma grande aula particular e estou torcendo para aprender muito.

O segundo é oral, meu calcanhar de aquiles. Afinal, apesar de não ter vergonha para falar, as palavras simplesmente se misturam na pequena estrada entre meu cérebro e minha língua. O resultado, é “um samba do crioulo doido” de ahh, erhh, arhh para que uma frase saia da forma correta. Não, não sou adepta de falar como uma destrambelhada só por falar e não seguir as regras de ordem (importantíssimas no idioma) só para dizer que sei falar sueco. Prefiro demorar mais um pouco e falar corretamente com tudo no seu devido lugar (no próximo post escrevo isso também). Sim, este curso oral é super interessante pois pretende discutir como nós (imigrantes) vemos os suecos e, tipo, esclarecer alguns choques culturais, além de ampliar nossos horizontes face a outras culturas e tradições. Eu achei muito legal pois na minha sala somos 10 pessoas, apenas dois da mesma nacionalidade, cujos pontos de vista sobre o estilo de vida nativo por vezes se assemelham mas, em sua grande maioria, se distinguem radicalmente. Talvez isso possa ser explicado por situações diferentes que nos trouxeram a morar aqui ou talvez por diferentes experiências de vida que nos facilitam ou dificultam na hora de encarar novos obstáculos. Talvez. Mas o mais impressionante de tudo é que este assunto vem me perseguindo. A primeira aula do curso foi uma discussão que rendeu horas de aula e que, percebo, nem eles (os próprios suecos) sabem direito explicar.

Um outro ponto recorrente esses dias tem sido o olhar preconceituoso ou discriminatório do imigrante sobre o próprio imigrante. Conversamos muito sobre isso ontem durante o almoço na escola. Muitas vezes me pergunto o porquê de o imigrante (que em certos casos vem parar aqui pelo mesmo motivo) age desta maneira tão irracional. O post já está imenso e isso aqui daria muito “pano para a manga”. Fica para uma próxima viagem…

  • A palavra do dia é sommarkurscurso de verão

4 thoughts on “Ausência, curso de verão e imigrantes

  1. Suely says:

    Oi, nega,
    Achei super interessante tb. este curso, pois irá lhe trazer
    grandes benefícios para o seu aprendizado na língua e
    mais cultura sobre este pais incrível.
    Sei que vai acrescentar e muito no seu dia a dia e servirá
    como portal para deslanchar de vez no falar e escrever da
    língua sueca.
    E o bom tb. nisto tudo é que são poucas pessoas e o apro-
    veitamente deverá ser excelente.
    Siga em frente,
    beijos mil
    mainha

  2. marcia says:

    Buaaaaaaaaaaaaaaaa
    Quero estudar essas coisas tb! Me leva com vc?
    Beijossssssss querida 😀

  3. Nicole says:

    Oi Ju
    vou discordar de você nesse ponto do falar como uma destrambelhada. Acho que a pessoa tem que falar sim, começar com frases e palavras simples e por aí vai. Se você for esperar para conhecer tudo de gramática sueca para falar vai demorar um tempão. Ontem até conversei com Maria sobre isso. Ela é professora e mora qui há muitos anos. Ela disse que temos que falar sim e que um bom método é o “da imitação” como fazem as crianças. Para escrever você tem mais tempo de pensar mas para falar não, sai mesmo no automático as frases e palavras aprendidas. é lógico que temos que falar correto sim, mas isso vem de forma espontânea e do treino. Deixe de coisa e destrambelhe logo hahaha

  4. Oi mãe… Espero que você esteja certa!!! Confio nas tuas previsões 😉

    Marcinha amore, quem me dera você virar minha companheira de classe. Iriamos nos divertir demais. :)

    Oi Nick, entendo o que você quis dizer e até concordo em partes. Aprendi que quando você começa a estudar uma língua estrangeira você deve sim falar para poder desenvolver. O problema é que ao falar errado aprende-se errado e o erro permanece. Meus professores de francês sempre davam vários exemplos de pessoas que moram na frança há anos e cometem erros bobos pois não se corrigiram a tempo. Já percebi até que muitos imigrantes com fluência e anos de casa não falam corretamente. Sou perfeccionista e gosto de fazer tudo direitinho, tudo tem que ser perfeito na hora do aprendizado pois é depois tudo o que é aprendido nunca é esquecido.
    Eu sou tagarela demais mas em sueco ainda não falo como gostaria. Mas prefiro ir devagar, com minhas frases curtas e gramaticalmente corretas (pois com isso nõ teno problemas). O unico empecilho é quando quero falar algo com certo grau de complexidade que me perco nas palavras e na falta de vocabulário. Mas isso só vem com o tempo e muita leitura. Xero 😉

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