Parlamento, cozinha e futebol com carros

Ontem fizemos uma visita guiada no Riksdagen, o parlamento sueco. Durante o verão escandinavo, o parlamento abre as portas para os visitantes todos os dias, enquanto que durante o ano as visitas só podem ser feitas aos sábados e domingos. O bom de tudo isso é que você não paga nada. Existem quatro diferentes horários para serem escolhidos: as 11h, 12h30, 14h e 15h30. O primeiro e o último são visitas guiadas em sueco. Nos outros dois horários é possível escolher entre sueco, ingles e alemão.

Como fui com as meninas, encarei a visita em inglês. Eu, com meu inglês de padaria, fui com a cara e a coragem e consegui seguir bom pedaço da explicação. O que me animou um pouco. Mas a maior parte voei bonitinho. As vezes descubro que tenho o mesmo poder da minha mãe, de me desligar das coisas quando não me interessam. Se bem que me interessava bastante, mas meu cérebro simplesmente desliga quando não consegue decifrar certos códigos e só volta a funcionar depois de muita lenha.

Antes da visita começar precisávamos nos desfazer de casacos e bolsas. No caminho da recepção aos armários vi que existiam vários folhetos explicando tudo sobre o local e, não me fiz de rogada, peguei tudo o que podia. Enfim, a visita. A guia pareceu bem simpática e contava a história do lugar com um orgulho típico sueco ao explicar os feitos da nação. Um bom exemplo disso foi quando ela nos levou ao plenário e explicou que a Suécia é o único país (ops, a correção foi dela mesma, a Noruega copiou a idéia) onde os parlamentares de partidos opostos sentam-se lado a lado, sendo divididos apenas pelas regiões. E ela garante que não sai briga!! Pensamos imediatamente se isso iria funcionar em Brasília…que inocência a nossa. Também fizemos referência à Brasília quando foi comentado que os apartamentos disponíveis aos parlamentares que não possuem residência em Estocolmo são de apenas de 24 metros quadrados. :roll: E tem ministro brasileiro que ainda reclama!!

Outra coisa que me admiro aqui é com a eficácia sueca. Eles se organizam de uma tal forma, tão bem feita, que o resultado não poderia ser outro que a “perfeição” (já ponho entre aspas porque acho que essa tal perfeição nem existe, não me iludo, lógico que existem falhas, mas a intenção deles, acredito, seja provar que são os melhores). Todo o “poder” é concentrado num só lugar ou ao menos nas proximidades. Do último andar do prédio é possível ver, a poucos metros de onde estávamos, a residência do primeiro ministro e a alguns passos, os gabinetes dos parlamentares num prédio de arquitetura contemporânea (do século XX) onde também é situado o judiciário. Tão simples e tão rápido chegar ao trabalho. Não dá nem tempo em se estressar com o trânsito ou chegar atrasado por causa do trasporte público. Como não tenho muito mais informação guardada no meu HD-cerebral vou esperar nossa próxima visita ao parlamento (agora em sueco!!!) para adicionar mais coisas aqui. Garanto que será em breve.

De alho para bugalho. Segunda-feira começamos a assistir Hell’s Kitchen (edição 2006), um reality-show americano, produzido pela FOX, com aspirantes a chef que precisam mostrar que são capazes de gerir uma cozinha. Essas criaturas ralam bastante e ouvem muitas reclamações do apresentador-inglês escocês-boca-suja Gordon Ramsay (valeu Paola 😉 ), renomado e respeitado chef em Londres. Por onde esta criatura passa o restaurante ganha uma estrela no guia Michelin. Pois bem, em 2004 ele estréia seu primeiro reality, Ramsay’s Kitchen Nightmares, onde procura ajudar restaurantes ingleses que precisam de assistência imediata. O programa ganha um BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), mais uma versão para o ano seguinte e a estréia de mais um reality, o Hell’s Kitchen.

Gosto dos programas (ambos passam na TV) mas não gosto da forma que ele fala com os participantes. Tudo para ele é horrível (bom, tem cozinhas e geladeiras de restaurantes que, mon dieu, dá até nojo de ver) e merece ser xingado até o último vocábulo mais sujo da língua inglesa. Mas é aí que mora o “charme” do programa e do personagem que ele encarna. Acredito que as pessoas assistem por gostar de vê-lo massacrar os aspirantes a chef. Muitas vezes rolamos de rir dos “elogios” nada agradáveis, mas originais, que ele dá aos cozinheiros (hoho…que maldade!!). O nível de stress do pessoal é tão elevado que, no episódio de ontem, um deles foi levado ao hospital por não aguentar tamanha pressão. O prêmio? Tornar-se chef ou chef-sênior em algum grande restaurante em Las Vegas (para a segunda temporada).

Um pouco mais tarde conferimos um programa onde até os carros brasileiros jogam futebol. Pois é, uma série britânica, especializada em carros, mostrou um jogo de futebol entre o Aygos, da Toyota, pintado com as cores da Argentina, e do Fox, da Volkswagen, com as cores da canarinha. Detalhe bem lembrado, os Fox foram construídos no Brasil. O jogo durou poucos minutos mas foi bastante engraçado assim como angustiante. Engraçado porque parecia carrinhos bate-bate de parque de diversões. Angustiante porque essa brincadeira foi avaliada por mais de 1 milhão de coroas suecas (o que pode equivaler a 300 mil reais). O resultado: 3×2 para o Brasil e todos os carros bastante danificados.

  • A palavra em sueco do dia é effektiv [efektiv], eficaz, eficiente

6 thoughts on “Parlamento, cozinha e futebol com carros

  1. marcia says:

    hihihihi
    Ju não é só vc que desliga não… comigo tb acontece isso quando não consigo seguir o fio da meada e depois, pra concentrar de novo é dificil!! Só que faco isso quando escuto sueco ahiuhaiuhaiuhaiuhaiuahiuahiua
    Não somos meninas muito prendadas e intelectuais, visitando o parlamento??
    Bjsssssss

  2. Ju, depois conta mais estórias do Parlamento… como moro longe de Oslo ainda não fui fazer isso… mas um dia quero passar lá pra ver como funciona e quais as diferencas pra o nosso congresso nacional.. 😉
    beijos!
    Volto a visitar o seu blog depois das férias!

  3. E verdade amiga, a união e organização são essenciais para um bom resultado em qualquer coisa que se deseje fazer. Pena que aqui as coisas não aconteçam bem assim. rsrsrs….
    As organizações que tem dado os melhores resultados são as dos mafiosos. rsrsr….
    Ta bom… to exagerando. Isso é efeito da baixaria da politica brasileira que temos visto nos ultimos tempos.
    E bom crer que dias melhores virão né!
    Beijos

  4. paolasartoretto says:

    Ju, o Gordon é Escocês, não Inglês. O que para nós pode não parecer muito diferente mas para eles é mais ou menos como ser Brasileiro ou Argentino. Eles se odeiam tanto, que no jogo InglaterraxBrasil na copa de 2002, tinha muito mais Escocês do que Brasileiro torcendo pelo Brasil em Londres.

Comments are closed.