Música para ouvir e falar

Tenho uma ligação viceral com a música que é inexplicável. Talvez mesmo genética, se é que se pode transmitir gosto musical pelos genes :roll: !! Faço tudo, ou quase, com o som ligado. Até na hora de estudar tem que ter música, clássica, já que em sua grande maioria não vou precisar acompanhar cantando. Meu gosto também independe do idioma. Penso que antes da letra existe o som que contagia e excita (o espírito e o coração – sem necessariamente ser romântica) e o texto vem para dar uma cor à melodia, é um complemento, muitas vezes indispensável, que ajuda na composição do todo.

Confesso que não cresci ouvindo música popular brasileira como Chico, Caetano 😕 e afins mas sei reconhecer a influência deles na nossa história musical brasileira. Acho linda as letras de Chico e, por mais que muitos tenham perdido as esperanças, acredito que existem dezenas de outros artistas brasileiros de qualidade no Brasil (e na minha lista, claro). Meu pai é o responsável pela minha educação musical. Ele me apresentou clássicos do rock assim como me ensinou a apreciar boa música.

A adolescencia chegou e com ela a fase “negra”. Punk rock, hard core, trash metal e outros estilos mais barulhentos eram os meus companheiros. Até as roupas eram pretas. Camisa dita “de banda” então, eu adorava. Ao mesmo momento chegou o tempo das boates. Isso despertou em mim um lado que não era e nem foi anulado pelo outro. A moda das boates de rock que usavam baladinhas de bandas como The Smiths, The Cramberries entre outras, entraram nos hábitos desta que vos escreve. Momento nostálgico!!

Isso tudo sem contar minha vontade manifesta de aprender a tocar bateria a qual era sempre reprimida pelas negativas da minha mãe em me “presentear” com o tal instrumento. Desejo ainda latente!

Hoje, minha professora de inglês nos passou um homework para segunda-feira e nos pediu para ouvir o texto em casa por mais de 10 vezes porque isso vai ensinar o ouvido a compreender a melodia das palavras dentro do texto. Ao voltar para casa escutando minhas músicas percebi que sei muito mais inglês do que eu imagino saber! Eu preciso apenas parar para escutar a letra. Eu fico empolgada cantando (as vezes mesmo errado) e esqueco de prestar atenção no que está sendo dito. Pof!

Pois bem, pensando nisso no caminho de volta lembrei do meu querido teacher Alexandre. Durante minhas aulas de inglês no Brasil ele sempre repetia (muitas vezes impressionado) como tenho um ouvido bom (listening, compreensão oral). Também já ouvi a mesma coisa de professores na França e aqui na Suécia. Nunca tive problemas em fazer exercícios orais (ops!! com o sueco foi um pouco mais difícil) e acredito que isso se deve aos longos anos de rock no ouvido.

Voltando à musica. Eu disse a mim mesma (quando me mudei para a França em 2004) que iria aos concertos de músicas dos artistas que cresci ouvindo e daqueles que me encantaram e conquistaram ao longo dos anos, principalmente Radiohead. Mesmo não morando em Paris e por estar mais próxima de Londres (se comparado com o Brasil), onde muitos dos shows e festivais acontecem, pensei que isto seria possível. Ledo engano. Os preços super altos para o bolso de uma recém-chegada-desempregada e a escassez de concertos ao meu redor foram me desistimulando. Outra, acredito ainda hoje que shows devem ser escolhidos a dedo já que os valores são salgados. O meu eleito foi o Radiohead.

Ao me mudar para a Suécia, ano passado, o Radiohead decidiu fazer um show em Paris. Sem condições nenhuma de ir em pleno verão com passagens valendo ouro. E daí a frustração impera. Estou tão perto e ao mesmo tempo tão longe, penso. Mas nada desesperador que me faça perder as estribeiras e querer um final trágico para minha vida. Por enquanto, fico com minhas MP3 no meu celular cantarolando (e aprendendo inglês, lógico 😉 ) até que esse dia chegue!

  • A palavra em sueco do dia é musik [muussik] , música

10 thoughts on “Música para ouvir e falar

  1. Ju, acho que a maneira mais fácil de aprender inglês é escutando música!!
    vai fundo!!

    E meu namorado já me falou uma vez que parece que todo brasileiro é movido a música… todos escutam música sempre, cantam, dançam, etc…

    Eu sou igualzinha :-)

    beijos

  2. Gostar de música implica um fenômeno. A gente gosta de um ou outra música quando criança, de só um tipo de música quando adolescente e, quando vai ganhando idade, passa a apreciar vários ritmos, cantores e bandas, sem maiores limitações de gênero musical.

    Eu odiava MPB quando adolescente e hoje em dia presto atenção nas letras daquela MPB que existia nos meus tempos. Não gostava de hard rock e metal, e hoje tem dias que dá vontade de ouvir Rammstein no volume mais alto possível. Enfim… o bom da música é que aprendemos a gostar dela, nos adaptamos a ela.

  3. Ju, não posso, como você, estar ligado em música 24 horas por dia mas tenho como hábito aos sábados e domingos, pelo menos umas 2 horas, ficar em meu quarto ao som de alguma sinfonia, uma caipirinha e refletindo sobre os acontecimentos da semana. Relaxar e relaxar, não existe coisa melhor. Um ótimo final de semana à você daqui da terra das cataratas. Bjs.

  4. Pois é Mercia, concordo com teu namorado!! 😉

    Tens razão Fábio. Eu começo hoje a descobrir, como você, o sabor da nossa música.

    Ronald, te digo, não consigo dormir se o stereo estiver ligado. Isso porque eu não paro de cantar, o cérebro não desliga! 😉

    Marcia H querida, sua bebê é muito fofa. Não se preocupe, nem vou fazer nenhum mal. Era só xerinho mesmo. Ela é uma boneca, parabéns!

  5. Amiga voce tem toda a razão, a musica mexe realmente com a gente. Não sei como seria o mundo sem ela. Eu mesmo jamais faço uma boa faxina na casa sem um somzinho. Eu sou fã do Roupa Nova, e quando coloco aqueles cd sinto um novo animo que torna ate o trabalho mais agradavel. Alguem certa vez que o som mexem com os hormonio dependendo da tonalidades, causando sensações e sentimentos distintos que influenciam no humor da pessoa. Eu acho que a musica (sons harmonicos )é uma das grandes maravilhas do mundo.

    Beijos

  6. Olá Ju!
    Li teu comentário lá na Paola, e achei educado te responder por aqui. Realmente o “WordPress” é mais “clean” que o o “Bloger”, mas vamos combinar… tem uns faniquitos estranhos. Tenho amigos que tem “blog” por aqui, e postar comentários em alguns deles é um exercício de paciência. Mas não dá nada. sempre se tem um tempinho a mais para esperar um “reload”.
    Realmente “bebum” é um porre em qualquer lugar do Mundo. Sempre tenho para mim que alcóol é uma droga bem mais complicada que as outras, por ser muito fácil de encontrar e relativamente barato. Tenho um filho de 24 anos e sempre tive com ele uma abertura muito grande em relação a isso. Beber tem que ser antes de tudo um prazer, e não um fim para um estado em que não se sabe o que faz e para onde se vai. Isso é babaquice. Beber pelo efeito de estar de porre é totalmente sem graça. Mas sigo impressionado com a restrição para com o alcóol aí pelas bandas de cima. Espero que essa “onda” venha para cá antes que seja tarde…

  7. Ciça says:

    Mas imagina que perdi a esperanca em artista brasileiro… estou quase perdendo é a esperanca no gosto do brasileiro… bom mas isso vale um post!

    Meu ouvido nao deve ser tao bom como vc, mas sou uma verdadeira papagaia: repito tudo o que os outros falam. nao me pergunte gramatica de nenhuma lingua, nem a nossa, que nao saberia explocar, mas “que aquela palavra é acentuada, que o artigo deve ficar aqui e tal coisa deve vir acompanhada de tal coplemente, TEM pq ouvi alguém falar assim”. O problema é quando falam errado perto de mim heheheheh. Por isso aqui emc asa é proibido falar dialeto!

    Quanto aos shows… menina, eles nao avisam com atecedencia?? Nao dá pra ir juntando uma grana? Nao tem excursao??

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