Campanha racista, não dá!!

ovelhas.jpgVolta e meia a questão da imigração bate na porta da Europa. Vou aproveitar o gancho do post de Paola para publicar aqui um texto do jornalista Rui Martins, sim, o mesmo que é criador e coordenador do movimento Brasileirinhos Apátridas (aliás, a emenda que concerne o caso foi aprovada) sobre a campanha eleitoral para as legislativas na Suíça que está dando o que falar!

CAMPANHA ELEITORAL RACISTA NA SUÍÇA

Rui Martins

A Suíça vive um momento grave, ainda ignorado pela grande imprensa.

O Partido do Povo, de extrema-direita tem um representante no governo, um colegiado de sete ministros, que é justamente o ministro da Justiça, conhecido por declarações e medidas contra os estrangeiros.

Como se está,no momento, em campanha eleitoral para as eleições legislativas, o Partido do Povo espalhou pela Suíça cartazes racistas contra os imigrantes (em anexo), simbolizados como ovelhas negras que devem ser expulsas pelo povo, as ovelhas brancas.

Um grupo de ativos emigrantes  brasileiros, na quase totalidade combativas mulheres, aderiu a uma campanha paralela, que consiste em se identificar com as ovelhas negras, havendo mesmo camisetas com a simbólica ovelha negra.

Como discordo de que se considere o povo suíço como carneirada  branca e que os imigrantes sejam as ovelhas negras do país, distribuí o e-mail abaixo, que espero seja redistribuído para seus amigos. Não podemos tolerar que, na Europa, ressurja o risco de uma vulgarização do racismo. Há menos de um século, houve o racismo nazista com sua loucura da raça pura, hoje o racismo do Partido do Povo, semelhante ao partido do austríaco Jorg Haider, se volta contra árabes, africanos, asiáticos sem deixar de ser também anti-semita.

Segue o e-mail enviado ao Conselho Brasileiro de emigrantes na Suíça –

Minhas caras e caros amigos

A campanha racista do Partido do Povo é digna dos anos 30 da Alemanha nazista e de um Goebells.

A Suíça está doente, vítima dos seus preconceitos, do seu isolamento e do seu egoismo. Não podemos tolerar, fechar os olhos ou desculpar. Acho excelente a reação dos membros do Conselho, da qual me sinto participante.

Apenas uma observação e talvez um radicalismo meu, na questão dos carneiros ou ovelhas.

Acho uma ofensa para o povo suíço considerá-lo (se bem que sua omissão pode levar à essa assimilação) como ovelhas mesmo brancas. Ser carneiro ou ovelha sempre foi para mim sinônimo de ser fraco, submisso e incapaz de reações. Por isso, não me sentiria à vontade me considerando como ovelha, mesmo se a ovelha negra sai da imbecilização geral do rebanho.

No meu livro, Dinheiro sujo da corrupção, coloquei numa das primeiras páginas uma frase, que me parece ser ou ditado popular italiiano ou do escritor Salvatore Quasimodo, premio Nobel de Liberatura. Traduzida, a frase diz – é melhor viver um dia como leão do que cem anos como ovelha.

Na medida de minhas poucas forças, tenho procurado ser mais leão que ovelha e espero que nós emigrantes saibamos por cruzamentos genéticos evitar que o povo suíço seja comparado pela extrema-direita como um povo de cordeiros. Que lhe nasçam dentes, unhas e que os béés dos pobres e bobos cordeiros se transformem em urros para se defender dos seus aproveitadores.

Grande abraço, Rui Martins.

Confesso que fico assustada com esse tipo de ação que cresce assustadoramente na Europa. A Suécia não está livre desse tipo de gente. Existe um partido chamado Sverigedemokraterna, de extrema direita, que tem uma política, digamos, duvidosa no que concerne os imigrantes. Numa das frases do resumo sobre sua política de imigração é:

Uma sociedade homogênia tem melhores requisitos para se conseguir a paz e o desenvolvimento democrático que uma em ambiente misto. É por esta razão que a sociedade como um todo deve estimular a política do retorno …

Nas últimas eleições, em setembro 2006, o partido conseguiu 2,9% dos votos o que não garantiu cadeiras no parlamento. Para tal é necessário no mínimo 4%. Por outro lado, tem cerca de 280 representantes em 145 comunidades (na verdade, kommun significa apenas uma delimitação geográfica, da qual uma cidade pode ou não fazer parte, que possui uma administração de nível local) e é representante de três das 21 províncias (nível regional) suecas. Posso dizer que isso é, no mínimo, lamentável.

  • A palavra em sueco do dia é val [val] , eleição (ões)

9 thoughts on “Campanha racista, não dá!!

  1. Eu acredito que vou me surpreender sempre que houver qualquer tipo de discriminação ou forma de racismo próximo a mim, Lady Metal. Só não consigo conceber como ainda existe esse tipo de pensamento e pessoas que o segue. Depois de morar um pouco mais de três anos pelas bandas de cá, me surpreendo com uma coisa diferente a cada semana. Seja ela boa ou má, como essa aí de cima! Obrigada pela visita!! 😉

  2. ernesto says:

    realmente,, o carneiro simboliza bem melhor o povo brasileiro, ou seja, NÓS, que aceitamos todo tipo de pratica politica excusa, os absurdos que vemos, a ladroeira, elegemos e reelegemos os ladrões e seus acólitos, e deixamos que nossas grandes cidades se tornassem em megalopolis ingovernaveis e com problemas insoluveis… e os suiços é que estão errados….

  3. Olá Ernesto! Apesar de concordar com o que Rui escreveu sobre os carneiros não estou inclinada a concordar que simbolizam o povo brasileiro. Acho, sim, que o cidadão brasileiro é omisso e que pensa que a única obrigação que tem é de votar. O resto do trabalho deve ser feito por aqueles que acabaram de “empregar”, ou seja, a classe política. Quem fiscaliza o trabalho do vereador que elegeu? Quem vai cobrar pelas promessas feitas durante a campanha eleitoral?
    Eu, particularmente, não me sinto ovelha. Sempre lutei pelos meus direitos e pelo dos outros. O problema é que muitos tem a “síndrome do patrão”, adoram mandar, nao fazer nada e ainda querem levar a glória! Fiz movimento estudantil, tanto localmente quanto nacionalmente, enquanto estudava na universidade no Brasil e ainda sinto que o que fiz não foi suficiente. Tentei melhorar nossa situacao, enquanto estudantes de universidade particular, mas não sentia a mínima vontade por parte dos meus colegas de “pegar no pesado” e bater de frente com os diretores. Mas o que impressionava era que todos queriam ser os patroes mas não queriam participar.
    Dei minha cara para bater várias vezes e apanhei mesmo. Ganhei um jornal de 4 páginas que só falava mal de mim e que foi distribuído por toda a universidade. Isto porque eu estava tentando lutar pelos meus direitos e deles, sem levar nada em troca (nem esperava isso, na verdade).
    O brasileiro não é fraco, submisso nem incapaz de reações. Existem muitos que estão fazendo trabalho de formiguinha e que ninguém vê. Quando vê, pensam que aquilo é apenas por auto promoção e danam a falar mal e tentar minar. E sim, quanto aos suíços, continuo pensando que estão errados e que esse tipo de propaganda só faz criar um mal estar desnecessário.

  4. Anna Carolina says:

    Nossa Ju, que ABSURDO !
    Eu que jah fiquei chocada com as asneiras que Monsieur Le Pen propôs aqui durante as eleiçoes francesas, nunca vi algo tão chocante! Como pode um pais como a Suiça, que sempre se posiciona como “neutro”, “pacifico”, aceitar um absurdo desses?
    Que medo!

    Muito bom o seu post, viu?

    Um beijo,
    Carol

  5. Ju, tal pratica é comum em toda sociedade. Alguns “iluminados” se acham no direito de ditarem regras com carater racista de toda a forma. Me nego, terminantemente, de ser favorável a qualquer ato dessa natureza. Se puder, visite a Mãe Joana e veja o post de hoje lá – http://mejoana.blogspot.com só prá você ver… Beijos

  6. Geraldo Boltão says:

    Não poderia perder esta oportunidade de relatar meus sentimentos tão puros e claros em relação a este povo Suiço tão pacífico, liberal, correto.

    DEPOIS DE VIVER 19 ANOS DA MINHA VIDA NA SUIçA TENHO QUE DIZER … que hoje NÃO TENHO NADA CONTRA ESSES *********!!!!!!

    Falo 8 idiomas fluentes visitava clientes importantes da empresa de meu Pai no Brasil e mesmo sem depender desse ****, pude vivenciar inúmeras cenas de IMCOMPETÊNCIA PORIFISSIONAL Médica, e RACISMO HIPÓCRITA E SINICO da parte da maioria dos Suiços.

    Temos que ser diretos sem floreios BLOCHER é o Próprio HITLER encarnado!!!!

    Tadinho dos Brasileiros que lá estão…

    Agora quando eles vêem aqui no Brasil, fazem aquela carinha de ** de quem é bobinho e não sabe nada e ainda por cima sempre acham um Brasileiro mais ********* que eles para PUXAR O SACO !!!

    Valeu galera …

    Que a verdade seja dita sem floreios !!!!

  7. Renato Camurça says:

    O europeu criou, aperfeiçoou e exportou todos os produtos típicos de sua “civilização”, como a escravidão, o exclusivismo, o tráfico de pessoas, o genocídio, o imperialismo, o racismo e a máquina de propaganda. A Suíça é um dos países mais fora-da-lei que existem, lava dinheiro sujo, obteve lucros astronômicos negociando com a Alemanha nazista e homizia criminosos assim como fortunas oriundas de saque e roubo. É um país que não tem nada a ensinar e não tem moral para dar lições. Pena que poucos conhecem a História para relatar e jogar na cara deles isso. Pena que ao ver um BMW, o brasileiro se deslumbre. A empresa alemã, com outras da mesma nacionalidade, como outras do continente europeu, utilizou trabalho escravo, mantinha seus “trabalhadores” sem qualquer cobertura de segurança de trabalho, não respeitava legislação trabalhista e contribuiu de forma denodada e febril para fornecer armas à máquina de guerra nazista, ostentando padrões de trabalho “patrióticos” na produção. Por trás da fachada cândida do fenótipo deles, o que existe é uma alma nazista e conscientes de que se julgam superiores. A mim não enganam. São estes “europóides” que querem nos foros internacionais, dar lilções de moral.

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