Livros para falar…

Ontem foi minha primeira aula de oral (compreensão e expressão). Por mais estranho que possa parecer foi nesta aula que a professora nos passou três livros de ficção (skönlitteratur). Ela acrescentou que as leituras vão nos dar suporte para discussões na sala de aula. É esperar para ver se a turma vai ler ou só eu vou ficar falando dos livros!! Todos os três juntos tem em torno de 600 páginas e devemos devorá-los durante o semestre, que termina em janeiro com uma prova oral.

Um deles é o já conhecido Grabben i Graven Bredvid (O cara da sepultura ao lado), da escritora Katarina Mazetti, sobre o qual já falei aqui. Tive meu momento de terror quando a professora distribuiu o programa do semestre e ele constava como o primeiro da lista. Quase tive um piripaque. O que mais me incomoda no livro é como os personagens descrevem nos minimos detalhes (minimos mesmo!!) tudo o qua acontece com eles (inclusive o que se passa dentro de suas cabecinhas complicadas) e o que está em volta deles. Os parágrafos são enormes, adjetivos que são jogados de um lado para o outro, momentos de neurose absoluta, acabo me cansando e perco o interesse. Bom, é minha humilde opinião, claro. Tem muita gente por aí que gostou do livro, mas posso dizer que o interesse por ele só apareceu depois de ver o filme, que é ótimo.

O segundo é Kalla det vad fan du vill (algo como Chame isso da merda que você quiser), de Marjaneh Bakhtiari. A professora ama este livro de paixão, já leu uma dezena de vezes e nos indiciou. A única coisa que sei é que a figura central da história é uma familia de iranianos que deixou o país e se mudou para a Suécia.Foto 1860-1869; Vista a partir de Mynttorget sobre Tegelbacken e Kungsholmen

O terceiro é um clássico e segundo a professora, de leitura difícil. Chama-se Mina drömmars stad (A cidade dos meus sonhos) de Per Anders Fogelström. Esse livro é o mais lido e amado de uma série de cinco chamada “Stad-serien”/”Stadserien” (série-cidade) cujos leitores podem acompanhar a história de Henning Nilsson, filhos e família a partir de 1860 até 100 anos depois. É uma série sobre a cidade de Estocolmo, escrita para ela e sobre ela.

O livro em questão descreve a o cotidiano e a vida dos trabalhadores de Estocolmo (1860-1880). Mina drömmars stad também ja virou filme na mão do sueco Ingvar Skogsberg, em 1976. Segundo um dos sites da cidade de Estocolmo criado para publicação de documentos históricos, este livro é um excelente começo para quem deseja aprender mais um pouco sobre a história da Veneza do Norte.

Uma vantagem é que livros de bolso por aqui são bem baratos se comparados com o Brasil. Dos três de ficção que precisamos ler, um deles eu ja tinha. Os outros dois encomendamos pela net e saiu bem em conta: 68 coroas (R$ 20,00).

Além desses três, vamos ler Kulturgrammatik – hur du ökar din formåga att umgås över gränserna (algo como Gramática cultural – como expandir tua capacidade de lidar com os limites/fonteiras). O livro pretende mostrar como funciona o encontro de culturas com seus choques e mitos e vai tentar desmistificar alguns pontos da cultura sueca. Segundo a descrição do livro no site, serão abordadas algumas questões como “Porque os suecos se posicionam numa certa distância ao falar com o outro?”, “Porque um japonês não te avisa nada se tu faz algo errado?” ou “Porque na Líbia as pessoas não assoam o nariz com um lenço verde?”.

Esses quatro são apenas para discussões em classe. Fora o livro de pronuncia (estou louca para começar a usar o laboratório de línguas) e duas outras brochuras (uma para testar a compreensão oral a partir de programas de rádio e outra sobre canções clássicas da Suécia).

Para o inglês a professora também passou um livro, mas de fácil leitura. Chama-se Holes, de Louis Sachar e conta a história de um garoto que vai passar uma “temporada” em Camp Green Lake (camp em inglês tem vários significados, dentre eles campo de concentração ou uma colônia de férias), um local onde até os lagartos se escondem do sol! Já li três capítulos e estou apenas aguardando a chegada dele na livraria para comprar e continuar. Estou empolgada com meu progresso! Falta só abrir a boca e ter cuidado para não dizer will quando se quer dizer want porque se paresse com vill (quero) em sueco! 😉

  • A palavra em sueco do dia é böcker [bókér] , livros

6 thoughts on “Livros para falar…

  1. Oi, Ju! Meu nome é Luciane e também moro aqui na Suécia. Me formei a pouco tempo em Halmstad (enfermagem) e agora tô começando um mestrado em Malmö. Li os teus posts sobre a faculdade. Queria te dar os parabéns e desejar felicidades na tua vida acadêmica.
    Li quase todos esses livros, só não li o “Mina drömmars…” e o outro em inglês. O Grabben i graven bredvid tem também em filme, é bem legal. O kulturgrammatik tu também vais gostar, tem muitos momentos “aha, então é por isso!” 😉
    Tudo de bom e boa sorte.
    Abraço

  2. Oi Luciane, legal que você, pelo visto, já está completamente integrada e adaptada. Obrigada pelos parabéns! :) Estou doida para que os livros cheguem. Apesar de já ter uma tonelada aqui em casa para ler! Boa sorte para você também com o mestrado!

  3. Jack says:

    Que inveja!
    Ano passado li uns 7 livros… Esse ano, nadica… Só sonhando com as “férias” (15 dias só), no fim de outubro, pra mergulhar nas letrinhas…
    Sinto tanta falta…
    Ai ai…
    Beijos!

  4. Jack amore, nem me fale em ler. É tanta coisa que tenho que decifrar que, apesar de me deixar de cabelo em pé, me estimula a continuar estudando! 😉 xero

    Meire amore, disposição é um dos meus sobrenomes 😉 !!! Obrigada!! beijos!

  5. Olá, Juliana!

    Parabéns por seu blog, com coisas tão importantes relacionadas com a literatura e a cultura na Suécia, país onde vivi onze anos (de m975 a 1986). Terminei de traduzir o romnce CAFÉ UTPOSTEN (CAFÉ VANGUARDA, na tradução) e, agora, estou à procura de uma editora para publicá-lo. Em vista disso, eu gostaria de saber se, por acaso, você conhece algum texto que fale sobre esse romance, para seR enviado às esitoras juntamente com outros dados sobre a obra e o autor. Se descobrir algo sobre isso e puder enviá-lo a mim, ficarei muitíssimo grato.

    Abraço e boa sorte.

    José Fernandes.
    .-= José Fernandes da Silva´s last blog ..Dos Hombres Ciegos =-.

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