Só sendo sueco para entender…

Não tem nada que me irrita mais na vida acadêmica do que professor que não explica direito. Ou melhor, não sabe explicar. Hoje minha paciência foi para as cucuias com minha professora de compreensão e expressão escrita. Vou chamá-la de a perdida. Pois bem, temos duas aulas por semana com esta professora e como exercício temos que, entre outras coisas, escrever uma redação. O tema é sempre o mesmo do texto do livro que utilizamos na sala de aula. Nada muito difícil, precisamos escrver entre 190 e 210 palavras. A dica, que ela mesma deu, é de tentar usar, na medida do possível, algumas das expressões dispostas no texto do livro em nossas redações.

Foi o que fiz no meu primeiro texto. Eu deveria entrevistar um dos meus colegas de turma e fazer um texto sobre ele/ela. Neste caso, falei com Wen, uma chinesa que está aqui há apenas 7 meses. Hoje, recebi a correção do texto. Perguntei a professora o porquê dela ter riscado uma expressão que eu havia reutilizado da forma que ela mesma aconselhou.

Primeiro de tudo ela disse que texto do livro estava errado. Me pergunto então como estudamos com um livro com textos escritos de forma errada. OK, textos jornalísticos sempre tem um erro outro de grafia e mesmo de sintaxe que pode passar batido pelas vistas do editor. Mas daí pegar esse texto e publicar num livro sem revisão, não existe! Não engoli a desculpa dela e continuei a perguntar sobre a explicação do meu erro. Para resumir a história, no final, sem ter me explicado nada, a perdida simplesmente disse que a diferença entre a palavra que usei e a suposta “correta” era muito sofisticada e que só sendo sueco para entender.

Vai catar coquinho!!! O que eu estou fazendo lá então, cara pálida? Não é justamente para aprender, entender, adquirir vocabulário, decifrar nuances, utilizar as palavras no lugar certo, me expressar tão bem quanto um nativo??? Ou ela acha que estou lá para participar de desfile de moda, ter carteira de estudante, usar a rede sem fio com o laptop, brincar e fazer festa com a “cambada”* de brasileiras que só vem para cá com por causa do namorado?? Porque isso ela também comentou bem assim, sem querer, quando viu que tinham duas na sala (eu e Dja). Mas isso é outra história.

Além disso, não consigo entender porque eles fazem tanta questão que revisemos classes gramaticais para não cometermos erros na ordem sintática (ordföjld), aliás super importante no sueco, se ela não consegue explicar ao colega se a palavra em questão é um adjetivo ou advérbio. E é porque a perdida tem livros publicados para ensinamento do sueco como língua estrangeira que é utilizado tanto na universidade como em diversos centro de educação para adultos (Komvux). Nem vou comentar aqui o quanto que ela faz a publicidade dos livros durante o curso.

Sim, outra coisa que me irritou profundamente hoje foi a forma como ela conzudiu a correção de um exercício. Com a primeira redação corrigida ela reuniu erros dos alunos numa folha e distribuiu para que pudéssemos achar os erros. Até aí tudo bem, pratica muito comum e até estimulante.

O problema é anunciar quem cometeu os erros e ainda criticar tais erros com palavras, digamos, que machucam. Duas colegas, uma polonesa e outra japonesa, ficaram extremamente constrangidas pelos comentários de mau gosto da perdida. E eu não tinha onde enfiar a cabeça pelo constrangimento que ela causou na sala de aula. Vai ver que ela tem problemas para se relacionar com estrangeiros e ela mesma não sabe disso! Talvez eu indique a ela a leitura de um dos livros da nossa lista: Gramática da Cultura: como expandir tua capacidade de lidar com os limites/fonteiras. Acho que ela tá precisando mais do que eu!

* Ela não usou cambada, nem um termo pejorativo comigo ou Dja. Só que estou com raiva e foi isso que saiu!

  • A palavra em sueco do dia é irriterad [iriterad] , irritada
  • 12 thoughts on “Só sendo sueco para entender…

    1. Oi Juci, seja bem vinda ao Enquanto isso,…!! Pois é, só em pensar nela me dá arrepios!

      Mercia querida, tenho sim que aturá-la! Mas de uma forma ou de outra sei que acabo aprendendo algo com ela! 😉 xero

    2. flaviana says:

      Ai, Ju..nem me fale em professoras. Pequei uma carrasca. Eu tive uma professora muito boa no komvux, muito detalhista! Ela era da Bulgaria.Nao tinha quase nada d acento (segundo o Mikael). Como ela ja foi imigrante, ela entendia melhor a gente e sempre procurava coisas diferentes e estimulantes pra nos desenvolvermos dentro e fora da aula.Acho q essas professoras d universidade se acham as tais e nao sao tao boas assim.beijossssss

    3. Ah essa professora não esta perdida não , eu acho que esta e com má vontade e te ensinar talvez ela não goste de estrangeiros.
      Mas não desiste não, da maior canseira na mulher e mostra o seu potencial garota!

      Beijos

    4. Sabe Fla, ela não chega a ser carrasca. É só incoveniente e mal educada! 😉

      Pois é Si, é assim que penso nela a cada aula que assisto, como perdida mesmo! Ela não sabe com quem se meteu hohohoho Ela vai jogar a toalha branca primeiro!!

      Oi Denise, o Notícias do Além Mar é de outra conterranea nossa. Ela se chama Anne e também mora na Suécia. Obrigada, porque com essa professora vou precisar ter muita 😉 Obrigada pela visita!! xero

    5. Jessica says:

      Oieeeeeeeeeeeeeeee

      tem como fazer sueco aí na Suécia sem ter um bom inglês?!
      Chego na Suécia 25 de maio e gostaria de ter informações sobre cursos…

      por favor, meu email é jessimiranda@gmail.com

      obrigada

      Jessica

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