Violência contra mulheres no Brasil e na Suécia

Nessas últimas semanas dois casos na imprensa brasileira me chamaram atenção. Similar ou não, o caso de agressão a Luana Piovani e do ex-Susana Vieira a sua amante e atual namorada me fizeram pensar nas reações dessas mulheres ao tomar direfentes decisões em relação a seus respectivos agressores. Estes dois casos me fizeram lembrar de uma reportagem recente que li sobre o aumento significativo de agressões a muheres na Suécia, país que luta pela igualdade de sexos e oportunidades.

Primeiramente gostaria de falar dos casos brasileiros. Como muitos de vocês já devem ter lido por ai, Luana, na época noiva de DD (sinto muito, mas não vale nem a pena escrever o nome dessas criaturas aqui), foi agredida por ele logo após a primeira exibição de sua mais recente peça de teatro. A agressão também se estendeu à camareira da atriz. Especula-se que o garotão a agrediu porque a moça mostrou os seios durante o monólogo.

Piovani não pensou duas vezes: terminou o noivado, foi a delegacia, prestou queixa, fez exame de corpo delito e declarou que toda mulher agredida deve sim denunciar. Ponto para ela. A camareira também denunciou, fez corpo de delito e registrou queixa de agressão

O caso do ex-policial e ex-marido de Susana Vieira é completamente surreal. Em 2006, o rapaz agrediu uma garota de programa e destruiu um quarto de motel. Há algumas semanas, o homem em questão agrediu a amante depois de descobrir que a mesma havia ligado para Susana Vieira e contado sobre o romance de 7 meses. A moça voltou para sua terra natal, deu queixa na delegacia da mulher e passou por um exame médico no qual foi constatado “lesão na parte esquerda do nariz, edema na pálpebra e no olho direitos, lesão corte-contusa no lábio, equimose na perna e no antebraço esquerdos”.

A diferença dos casos é que enquanto Piovani não quer nem cruzar a mesma rua de DD, a estudante de nutrição assume publica e televisivamente o romance com o ex-policial e diz apaixonadamente que vão se casar.

O que me espanta e me deixa perplexa é o fato de que ainda existem mulheres que não reagem, não lutam pelos (ou não conhecem) seus direitos e ainda deixam ser tratadas dessa forma. Numa época em que a informação é muito mais acessível, onde existe espaço para expressar opiniões, as mulheres ainda tenham medo de denunciar.

Eu sempre soube que o número de mulheres que retiram a queixa de agressão era grande, mas o que eu não tinha conhecimento era que depois de reapresentado o caso (desculpem, não conheço os termos juridicos – alguém se habilita?), a queixa não pode ser retirada pois

O crime de lesão corporal é considerado uma ação pública. Mesmo que ela queira renunciar, o crime será investigado e julgado”, explica Míriam Borges, delegada da Delegacia da Mulher em Goiás [onde a moça prestou queixa]

Primeiro mundo

Apesar de a Suécia ser um país-exemplo na luta pela igualdade entre os sexos e oportunidades, existem aqui mulheres que nem sempre refletem os ideais do país. Não é o fato da Suécia ser um país europeu e estar no chamado “primeiro mundo” que este tipo de violencia doméstica não acontece. Na verdade, a violência não é so restrita ao âmbito familiar. Ela está cada vez mais frequente no mundo profissional. Não só violência física, mas também psicológica.

Segundo dados BRÅ, Conselho de prevenção da violência, o número de queixas de agressão aumentou em 34% nos últimos 10 anos. Isso reflete que as mulheres estão ousando mais e encarando o medo para denunciar os agressores, mas reflete também o aumento da violência. De acordo com o BRÅ, 73% das mulheres que dão queixa conhecem seus agressores (dados de 2007).

Isto, sem contar com o crescente número de estupros. Segunto estatísticas do BRÅ, nos primeiros 4 meses de 2008 já foram constatadas 50% a mais de denúncias de estupros comparado com o mesmo período de 2004. Reportagem do DN traz como provável motivo os encontros marcados através de internet.

Por outro lado, a Anistia Internacional, segundo reportagem do SVD, aponta como causa a falha nas leis que punem esses criminosos. Por serem muito flexíveis, muitos deles saem impunes ou nem são julgados. A Anistia critica e pede mais clareza dos líderes políticos nesta questão.

Campanha

sayno

Na última terça-feira, 25 de novembro, foi o dia Internationa na Luta contra Violencia as Mulheres, instituído pelo UNIFEM, órgao das Nações Unidas para recolher fundos para campanhas em prol das mulheres no mundo. A campanha SAY NO TO VIOLENCE AGAINST WOMEN, que tem como embaixatriz a atriz Nicole Kidman, tem como objetivo aumentar a consciência global em relação ao problema que atinge uma em cada três mulheres no mundo.

  • A palavra em sueco do dia é våld [vôld] , violência

4 thoughts on “Violência contra mulheres no Brasil e na Suécia

  1. Leopoldo Henrique says:

    Olá Ju. É a primeira vez que escrevo no seu blog, apesar de acompanhá-lo já há algum tempo. Então deixo meus parabéns pelo Blog. É muito interessante e prazeroso de ler.

    Na verdade, pelo pouco que eu acompanho do mundo das celebridades, a Luana Piovani voltou a se encontrar muitas vezes e a manter um certo relacionamento com o rapaz, mesmo depois da agressão e de todo o escândalo feito pela mídia.

    No caso da outra moça, nitidamente é uma jogada de auto-promoção: ela fala que vai casar com o ex-policial só porque isso repercute – e muito – na mídia brasileira. Daí ela pode, quem sabe, conseguir um convite de uma revista masculina para posar nua ou fazer um filme pornô – que é, infelizmente, a forma mais usual das mulheres brasileiras ganharem fama instantânea.

    Parecem casos patológicos de “Tom & Jerry”: querem se matar, mas não se desgrudam.

    Beijos

  2. Sofia says:

    Olá ju. Parabéns pelo seu blog, sou portuguesa e gostaria de ir para a suécia trabalhar, sou enfermeira.
    O sueco é muito dificil de aprender?

    Pode responder para o meu e-mail :)

    *** continuação de bom posts, acompanharei o seu blog!

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