Publicidades sexistas, Coca-cola e a Suécia

As regras que regem a publicidade na Suécia são bem mais rígidas do que as do Brasil. Ou pelo menos parecem. Aqui existe um órgão chamado Näringslivets etiska råd mot könsdiskriminerande reklam (EKR), ou algo como Conselho de ética na publicidade contra discriminação dos sexos, fundado em 1988, que luta contra a exposição do sexo e suas questões relativas nas publicidades do país.

Um dos principais objetivos do Conselho é combater os estereótipos dos tradicionais papéis realativos ao homem e a mulher. Ou seja, evitar que a publicidade, por exemplo, reforce o papel da mulher-objeto. O Conselho busca, desde sua fundação, sem grande sucesso, fazer com que o governo aprove uma lei que proíba a exibição de tais publicidades.

A lei fundamental que rege a publicidade na Suécia é clara:

A publicidade deve ser legal, honesta e confiável assim como buscar não ofender/chocar. A publicidade deve ser apresentada com o devido sentimento de responsabilidade social. Ela deve, na sequência, ser compativel com o que a industria e comercio entende como um bom uso de mercado

Apesar de não existir lei, qualquer pessoa que se sentir humilhada ou chocada com certa publicidade, pode encaminhar uma reclamação escrita ao Conselho na qual deve constar a motivação da denúncia, local e hora (ou em qual jornal) que a publicidade foi veiculada e se possível quem é o responsável pela peça publicitária.

Três são as regras as quais o Conselho considera que uma publicidade é discriminatória :

  1. Publicidade que apresenta mulheres ou homens como objeto sexual e que pareça ofensiva (publicidade sexista)
  2. Pulicidade que conserva esteriótipos dos tradicionais papeis de homem e mulher e a partir de daí apresentam mulheres ou homens de forma humilhante (publicidade de estereótipos)
  3. Publicidade que por qualquer forma ofensiva mostra claramente discriminação entre os sexos (homens e mulheres)

A Coca-cola, através do comercial da Coca-Cola zero (veja abaixo), teve sua publicidade criticada pelo seu conteúdo carregado de esteriótipos. O Conselho recebeu várias denúncias de pessoas insatisfeitas e ofendidas nas quais consta que este é um comercial humilhante tanto para o homem quanto para a mulher.

Particularmente, não sei o que acontece quando o órgão considera que a publicidade é discriminatória ou sextista, já que não existe base legal para que a mesma seja tirada do ar ou de circulação. Mas uma coisa é certa, o número de propagandas que expõe as mulheres são infinitamente menores que no Brasil. Talvez seja o bom senso que rege as cabeças de muitos publicitários nativos. Melhor assim.

  • A palavra em sueco do dia é schablon [chablon] , estereótipo, padrão, modelo, idéia originária

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