A qual mundo pertenço?

Esta semana quando falei com minha mãe ouvi um comentário que se não me deixou triste, ao menos fiquei encucada. Pelo Skype, ela me diz que estou cadia dia mais parecida com os suecos, mais calados, quietos e sem muitas explosões e demonstrações de felicidade. Engraçado é que para os nativos eu sou o completo contrário do que minha mae acabara de me dizer: falante, cheia de energia e nada, mas nada quieta.

interrogO interessante de tudo isso é que acabo pertencendo aos dois mundos sem pertencer a lugar algum. Sentir isso é muito esquisito. Se estou no Brasil, não sou mais a mesma (aos olhos da família e amigos) já que pareco mais cautelosa e medrosa. Inconscientemente tento repetir os mesmos hábitos adquiridos (ou aperfeiçoados!) na Suécia (ser e querer pontualidade, falar do tempo e querer aproveitar o mar – nao necessáriamente o sol – como nunca antes!). Até eu mesma me sinto diferente por lá, mas não completamente um peixe fora d’água.

Se estou na Suécia, sou a brasileira, na verdade, referencia para muitos amigos do meu viking no que se refere a cultura brasileira etc. É aqui que sempre lembro do meu professor de francês que sempre dizia a turma que individualmente representávamos nosso país, ou seja, mesmo que isso seja um peso, todos os seus atos – bons ou maus – serão analisados e levados como comportamento do povo do teu país em geral. Mesmo que tudo o que você faça seja típicamente você! Isto não é tão estúpido quanto parece. Mesmo que você diga, “nãaaaao, eu não vou generalizar”, sim, você acaba fazendo, cedo ou tarde! No mais, eu também me sinto difenrente por aqui, mas também nao me sinto completamente um peixe fora d’água.

Me reconheço na cultura brasileira, afinal, até completar 24 anos vivi no Brasil, onde aprendi e adquiri muito do que sou hoje. Também me reconheço e me identifico com a cultura sueca, apesar de só ter vivido aqui dois anos e meio. Apesar disso, a questão permanece: a qual mundo pertenço? 

Quando estou aqui sinto falta de lá. Quando estou lá sinto falta daqui. Quando estou lá, comento histórias daqui e tento mostrar um pouco da cultura sueca e quando estou aqui conto e tento mostrar um pouco da cultura brasileira.  Não tenho problemas com adaptação como pode parecer. Na verdade, me sinto muito adaptada ao estilo de vida sueco. Mas sinceramente, eu não sei onde me encaixar! (não se preocupem, isto não é uma crise existencial!)

Além disso, por incrível que pareça, em alguns momentos sinto falta da França! 😮 Vai entender!

O post ta parecendo um texto de lamentações, mas podem ficar certos que no final das contas não estou triste. Com o passar dos anos, tenho certeza que vou encontrando meu lugar. Mas como sou impaciente, espero que seja logo! 😉

  • A palavra em sueco do dia é värld, [vérd] mundo

12 thoughts on “A qual mundo pertenço?

  1. maria says:

    moro ha 3 anos na irlanda e sei exatamente o que vc sente. tb passo por isso e nao sei mais a que mundo pertenco.
    um abraco

  2. LIANE ALMEIDA says:

    Olà,Ju!! Em primeiro lugar quero te desejar um super ano e cheio de esperança,paz ,amor e novas conquistas a cada dia…Viva,ria,chore,ame,lute e saibas que tu tens muitas historias para contar ainda,ok!:))
    Sabes, sempre que tenho um tempo vou no seu blog e leio suas fantasticas materias e tem algumas que identifico-me e gosto de ler..olha, tu és parecida como alguns escritores que nos prender na leitura não irei citar-los pq as linhas são poucas,mas posso te dizer, siga em frente
    “que mundo pertenço” deixo meu comentário…eu acredito que tu sabes “se encaixa” sim!quando estamos aberto para uma nova cultura,costumes e um povo nos pegamos algo de bom ou alguma coisa diferente da nossa cultura que gostamos e absorvemos para nós. ..quanto a que mundo pertencer Brasil,Suecia,França, Sri lanka,Hong kong…o mais importante é o mundo dentro da gente, e que esteja aberto para um todo e respeitando as diferenças. Não esquecendo de onde viemos,também!!
    Ju…crise existencial todos passamos um dia e quanto lugar
    é só olha dentro do teu coração …o mundo é tão vasto e bonito…entâo nos somos do mundo que almejamos !:)))abração e tudo de bom para ti(e teu Viking!)!!:)

  3. Cíntia says:

    Olá Ju (Nossa!Nunca consigo deixar de achar estranho essa intimidade possível na internet…eu nem a conheço e a chamo de Ju…),

    Estava à procura de um endereço sobre hotéis BBB em Portugal para enviar a um professor e acabei sendo trazida pra cá. Não consegui parar de ler até chegar a última palavra, embora estivesse tentando não pensar exatamente nisso nesses dias, ao menos enquanto Lisboa parece se desmanchar em chuva e nevoeiro e todos que conheço estão ainda viajando graças ao recesso de Natal.
    Mas foi inevitável.
    É a primeira vez que saio do Brasil e vim pra cá achando que fazer seis meses na Faculdade seria tranquilo e que só me alimentaria a vontade de conhecer tudo o que pudesse e depois voltar logo pra casa e para os meus.
    Não podia supor que me sentiria tão outsider, com os daqui e com os de lá. Procuro me convencer de que isso é porque me sinto mais “cosmopolita” ou humana, e menos “nacional”, mas o fato é que daqui menos de 60 dias volto pra casa – ai, que ironia! – e não sei como serão as coisas. Daqui as pessoas já me dizem o quanto me acham diferente e eu própria começo a suspeitar que as acharei igualmente estranhas, embora sempre as tenha visto como familiares ou conhecidas.
    Bem, acho que não fiquei muito melhor com o que li, mas ao menos já sei que não é um capricho ou idiossincrasia…
    E afinal, você acabou ficando de vez na Suécia?
    Abraço,
    Cíntia

  4. Jack says:

    Ju, pra mim, voce é tudo aquilo que um dia eu gostaria de ter coragem de ser: uma cidadã do mundo. Não é clichê. Você sozinha tem mais peito pra encarar a vida, em qualquer canto da terra, do que 95% das pessoas que eu conheço somadas.
    Tenha certeza que onde quer que esteja, seu lugar, mais que por merecimento, é em nossos corações e em nosso constante pensamento!
    Você só me dá orgulho, prima!

    Beijos, carinhos, neste seu novo ano de imensas conquistas diárias!

  5. Ju!

    Querida, eu sei exatamete como você se sente há mais de 15 anos, quando fui obrigada a me mudar, do Rio Grande do Sul para o Recife. Em 15 anos, morei em 3 estados diferentes, e agora estou sendo obrigada a me adaptar à vida inglesa.
    Como você disse, há muitos lados nessa nossa escolha, e acho que o ideal é sempre ver o lado positivo 😉
    sinto lhe dizer, mas vc nunca mais será a mesma, nunca mais vai ver o mundo com apenas um olhar. E isso, acredito, é MARAVILHOSO!!! Continue aproveitando as diferenças.

    Beijos saudosos!!

  6. Ju,
    Compartilho com você esse sentimento desde a primeira vez que morei fora do Rio, há 16 anos. De lá para cá, minhas andanças me levaram para Minas, Brasília, Recife e, mais recentemente, EUA. Aqui, muitos me reconhecem como a brasileira carioca. No Rio, meu sotaque a bagagem cultura denunciam minhas andanças. É assim mesmo… É bom, acredito.
    Beijocas e feliz 2009!
    Márcia G.

  7. Adriana says:

    Ju, também não consegui parar de ler tudo. bom de ver o jeito que vc está no mundo, um pouco cá outro lá… um tanto alegre outro tanto descoberto. espero que vc tenha o dinheiro da sua máquina de volta. o meu namorado também é sueco, estou custando a me acostumar com a falta de explosões dele, as vezes fico confusa, e tento encontrar algum brilho em seu olhar para ter certeza que ele está feliz…
    bjkas e carinho

    Adri

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