Maysa e a música brasileira

maysa2

Foto: Rede Globo - Site da minissérie

Alguém aqui está acompanhando a minisérie Maysa – Quando fala o coração? Vocês sabem que adoro música e estava super afim de ver esta produção. Podem falar o que quiser da Rede Globo, mas ela produz e eterniza momentos de nossa história através de suas minisséries. O patrimônio cultural brasileiro agradece.

Sabia que iria começar esta semana e ontem comecei a acompanhar pelo Youtube. Assisto com um dia de atraso, mas tudo bem. Sem problemas. Conheço programas para assistir tv brasileira, mas não to afim de instalar.

A minissérie é ótima e a atriz, Larissa Maciel, está de parabéns pelo show de intrepretação. A série de nove capítulos foi escrita por Manoel Carlos (o que, pelo menos para mim, fica claro desde o primeiro acorde e diálogos tipo Laços de Família) e dirigida por Jayme Monjardim, diretor global e ninguém menos que filho de Maysa.

Larissa Maciel encarnou tão bem o espírito melancólico de Maysa que suas dores parecem reais. A melancolia presente na vida de Maysa é apresentada através de suas memórias, as quais nos guia desde sua infância até o dia da sua morte, sem que sejam exibidas de forma chata e entediante em ordem cronológica. 

Dizem que as pessoas não se tornam melancólicas mas sim já nascem melancólicas. Pensando nisso, lembrei da minha monografia, Melancolia no Rock Brasileiro, na qual fiz uma profunda pesquisa sobre a melancolia.

maysa

Foto: Rede Globo - Site da minissérie

Para fazer um resumo básico, durante a pesquisa, descobri que este sentimento já foi considerado loucura, genialidade, doença ou influência divina. No Renascimento, portanto, a melancolia era vista como um traço de caráter associado aos gênios e à capacidade criativa desses artistas. Ao mesmo tempo, a melancolia era considerada uma doença da alma.

Então me pergunto: podemos incluir Maysa entre os gênios excessivamente criativos que carregavam a vida com um profundo pesar? Acredito que sim. 

Maysa – Quando fala o coração me tocou profundamente. Assisto a série com tanto afinco que consigo sentir o sofrimento de Maysa, apesar de algumas pitadas de ficção ( o próprio Manoel Carlos disse que criou cenas que poderiam ter acontecido!!) , dos clichés e diálogos superficiais. 

Se vocês estão seguindo a minissérie, ou vão passar a fazê-lo a partir de então, fiquem a vontade para deixar aqui suas opiniões.

Deixo aqui com vocês uma frase da escritora fransesa Marie-Claude Lambotte, do lívro a Estética da Melancolia que pode resumir um pouco a vida de Maysa:

É por excesso de pensamento que o melancólico se desgarra, é por excesso de imaginação que ele não é mais senão ruina interior.

5 thoughts on “Maysa e a música brasileira

  1. Cintia Reinaux says:

    Oi Juliana, uma dica para você. Hoje em dia é possível assistir a Globo e a outros canais sem instalação de programa nenhum. Há varios sites que fazem a transmissão ao vivo, direto, basta acessar. Um deles é o http://pt-br.justin.tv/linkstv . A minissérie Capitu eu acompanhei pelo Youtube, mas essa já estou assistindo ao vivo.

    Uma coisa que facilitou muito a vida de Manoel Carlos foram os inúmeros diários da cantora. Não tenho certeza se todos os trechos de narração em off são tal e qual como estão nos diários, mas creio que boa parte o são.

  2. Olá Jú!

    Achei muito interessante seu tema de monografia. Ela está disponível em algum site?
    Tenho uma banda de rock aqui no Brasil. Nosso som é bem melancólico certos momentos. Escuta lá e me diz qq vc acha: http://www.myspace.com/mutecaos a música “Tudo Leva a Você” é a que mais gosto (é a mais melancólica também). Final do mês estou me mudando pra Halmstad.

    Abrs

  3. Jack says:

    Também queria ler tua monografia!!!

    Também estou adorando a série… Vc viu a que passou na semana anterior? Era sobre “Dom Casmurro” de Machado de Assis – procura no youtube. Pra mim, que adoro esse livro, foi uma interpretação mágica (além de ter sido muito teatral, o que me encantou mais ainda).

    “Melancolia” uma palavra tão bonita e tão carregada de sentimentos, né?
    Humm…

    Beijos!

Comments are closed.