Exercendo o papel de consumidora consciente

consumCom o passar dos anos percebo que me torno uma consumidora mais consciente. Não digo em comprar mais barato. Falo da força que o consumidor tem em influenciar através de pequenas mudanças de comportamento na hora de comprar.

Confesso que durante muito tempo o bolso falou mais alto (e as vezes ainda fala) e a escolha acaba sendo por um produto mais barato em detrimento do mais saudável ou do politicamente correto. Mas algo me fez parar para analisar ainda mais meu poder de consumo consciente.

Há dois dias assisti uma reprise do Uppdrag granskning (já falei desse programa aqui no blog em outras ocasiões – a festa do Valborg e Contraceptivos e implante-placebo) que tratava de como o dinheiro dos fundos de pensões sueco era utilizado. Pode parecer complicado (!!!) e chato mas no final uma das mensagens que consegui aproveitar do programa está extremamente ligada ao consumo. 

Para resumir e não complicar: 7 “empresas” independentes do governo tomam conta do dindin que os suecos recolhem para a aposentadoria. Para facilitar vou chamá-las de “As Independentes”. Para que o dindin renda, “As Independentes” investem em ações de outras empresas. Na real, “As Independentes” não devem visar apenas o lucro mas sim levar em consideração a ética, a relação com o meio ambiente e se essas empresas seguem a convenção dos direitos humanos.

 Das 7 independentes, o programa só mostrou a fundo 5 delas pois uma não existe mais e a outra se diferencia muito do assunto.

 pensao5

“A Independente de número 7” tem ações em mais de 2 mil empresas. Em caso de não cumprimento do tratado de direitos humanos, meio ambiente e ética, a “Ind 7” venderá as ações da empresa, com o objetivo de infuenciar, por exemplo na melhora de condições de trabalho etc. Ao vender as ações, a “Ind 7” escreve uma carta a empresa explicando o porque da venda e pede explicações. Muitas nem respondem (daí você pode imaginar a seriedade!).

O sueco que não fez conscientemente sua escolha em qual “Indepentende” o dindin da aposentadoria sera “investido”, é automaticamente registrado na “Independente 7”. 2 milhões e meio de suecos têm dindin na “Ind 7”.

O diretor da “Ind 7” pontuou que apenas agora é que empresas em geral começam a perceber que sua marca pode ser afetada caso sejam desleais ou firam direitos humanos, por exemplo.Percebendo seu poder de influência, a “Ind 7” criou, portanto, uma lista negra com 54  empresas que não seguem esse tratado. Querem exemplos?

Só para ficar em alguns dos mais conhecidos nomes:

Yahoo – Casos de violação a liberdade de expressão na China

Wal Mart – Casos de discriminação contra mulheres na Guatemala, atividades contra sindicatos, e transgressão a leis trabalhistas.

Toshiba – Produção de armas e/ou arma nuclear

Boeing e Toyota – Caso de repressão contra sidicato na filial das Filipinas

Nissan – Crime contra os direitos humanos na entrega de material de guerra no Sudão.

O problema mostrado na reportagem é que o sueco em geral não sabe que o dindin que as outras quatro independentes administram está investido, por exemplo, em produção de armas nucleares ou em empresas que incentivam a guerra e discriminam mulheres. Tenho certeza que se os nativos soubessem que esses fundos de pensão investem em empresas que praticam esses atos, eles não optariam por este tipo de fundo.

Onde entra a história do consumo?

A protest in Utah against Wal-Mart
Image via Wikipedia

O preço que se paga por consumir um produto “em conta” na Wal Mart é alto pois se estimula uma cultura viciada na qual, por exemplo, mulheres que ganham para treinar novos funcionários recebem menos do que os homens que estão sendo treinados. Hoje, existe um processo onde mais de 2 mil mulheres acusam a WM de ter conscientemente sido obstáculo em suas carreiras.  Sacaram? É um exemplo “pequeno” em um universo gigantesco de “mal caratice”.

No nosso caso, aqui em casa somos bem cautelosos quanto a, na medida do possível, comprar produtos que ferem nossos princípios. Sim, porque comprar algo, ao meu ver, não é apenas “escambo” (troca de algo por algo, neste caso dinheiro pelo produto). Tem a ver com como e onde o produto foi produzido, se alguém se feriu ou está sofrendo. 

Procuramos ser atenciosos a produtos da Unilever, por exemplo, marca que produz entre outras, a Dove. Há alguns anos, li no Sindrome de Estocolmo  posts que Denise fala de produtos que promovem e estimulam o embraquecimento da pele de asiáticas e portanto decidi não mais contribuir, através da minha compra, com tais práticas. Denise também escreveu um post bastante esclarecedor sobre a L’Oreal (Denise traz mais infos sobre o processo embraquecimento da L’Oreal) de outra empresa evil da qual não consumo nada. Isto, sem citar empresas da indústria alimentícia. :roll:

Parece bobagem, mas me sinto melhor sabendo que estou fazendo a minha parte e tentando não contribuir para um mundo mais desigual e injusto.

  • A palavra em sueco do dia é konsument [konssumênt], consumidor
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6 thoughts on “Exercendo o papel de consumidora consciente

    • jumoreira says:

      Pois é Vivi!! As vezes é difícil de fugir. :( Brigadinha por ter gostado do post! 😉
      xero

    • jumoreira says:

      Vivi querida, tem mais um post sobre a L’Oreal. Dei uma update no texto com outro link. 😉
      xero

  1. Oi, Ju!
    Já a tenho lido em alguns comentários de blogs amigos por aí e sempre tive vontade de conhecer esta sua ‘casa’ virtual. Hoje, com mais tempo, já visitei algumas pessoas interessantes na rede e uma delas é você.
    Sobre este post ‘consumo consciente’, penso também como você e tento, sempre que posso, dar prioridade aqueles produtos feitos com as mãos humanas, onde o carinho e cuidado foram colocados, além da energia.
    Há dois dias fiz um post que fala sobre o mesmo assunto e se quiser conferir, passa lá em ‘casa’ também.
    super beijo carioca

    O último post de Beth Q. foi De olho lá em cima.

    • jumoreira says:

      Oi Beth, obrigada por ter achado o blog interessante. 😀 Sempre que possível procuramos dar prioridade aos produtores locais e a produtos de países que não ferem os direitos humanos. Mas infelizmente nem sempre da para seguir a risca. :(

      abraços

  2. Mariel Stupp says:

    Penso que as duas maiores causas para que as pessoas nao contribuam sao a falta de informaçao (até porque as grandes empresas costumam saber como mascarar a “mau-caratice”) e o achar que uma pessoa nao faz diferença. Gostei to teu post, se as pessoas forem incentivadas e as empresas sentirem no bolso, tenho certeza de que mudarao a conduta.
    Na medida do possìvel também vou contra empresas das quais desconfio e procuro incentivar aquelas que parecem ter uma consciencia maior.
    Beijo e aproveita a primavera sueca!

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