Eu não gosto de torrar no sol. Não gosto de abafado. E não sou lá fã do verão. O que gosto dessa estação é ter luz suficiente o dia inteiro, céu azul a maior parte do tempo, tomar banho de rio/mar e poder sair de casa “sem várias camadas” (sim, no inverno a dica para não sentir frio é se vestir em camadas, ou seja, segunda pele, camiseta, cardigan e casaco).
Kefalos, Kos (Grécia) Imagem: Stock Xchng
Desde a semana passada, Estocolmo vivencia um verão com temperaturas, digamos, tropicais. A previsão do tempo de ontem informou que estamos com 10º acima do normal para o período. Para vocês terem uma idéia, o jornal metro anunciou que Estocolmo está mais quente que a ilha de Kos, na Grécia, e que Tenerife, na Espanha! Segundo o artigo, os suecos que escolherem trocar Stockis por qualquer outro país (mais quente) neste verão estarão comentendo a maior bobeira.
O curioso é que há duas semanas, estavamos com 10º abaixo da temperatura normal para o início de verão. Vai entender! Outra informação da moça do tempo é que estamos na iminência de noites tropicais. Segundo informado, noites são consideradas tropicais quando por, no mínimo, três noites consecutivas as temperaturas permanecem na faixa dos 20 graus. E eu já sinto isso na pele (ou melhor, na cama!)
Dormir está sendo um martírio. Muito calor. E nem pensem em dizer “abra a janela”! Apesar de já termos passado do solstício de verão, o que nos faz perder minutos de luz diariamente (ontem por exemplo, foram seis minutos – três pela manha e três a noite), ainda temos quase 19 horas de luz por dia, o que faz o sol bater na janela cedíssimo. E eu não abro mão da minha cortina bloqueadora por nada! Ventilador então, nao é opção, pois se durmo com ele, espirrarei eternamente. Meu querido viking também não é muito favorável ao seu uso. Então, no way!
É assim que sinto no nosso apartamento durante o verão (imagem: Stock Xchng)
Além disso, digo, nosso apartamento é poente. O sol começa a chegar na varanda, timidamente, por volta das 13h e só desaparece depois das 22h. Neste meio tempo, nosso apartamento vira um forno em pleno funcionamento e permanece quente durante toda (sim, eu disse T-O-D-A) a noite. É simplesmente insuportável. Passo mal de tanto calor. É aí que o ventilador entra em cena. Sinceramente, foi a melhor compra que fizemos em 2007.
E nem me venham com a conversa de que sou do Recife, que minha terra é quente e bla bla bla. Nunca suportei calor, nem lá nem aqui. Não tolero muito sol e passo realmente muito mal quando tudo é quente demais.
Desculpem o mal humor. O calor também me deixa irritada.
A palavra em sueco do dia é fläkt, [flékt], ventilador, nome tamb+em dado ao ventilador sobre o fogão
Que tal ter todas as músicas do mundo disponíveis ao alcance dos seus dedos? Esta pelo menos é a proposta do Spotify (combinação de spot e identify), um programa de música por streaming*, que começou a ser desenvolvido pelos suecos Daniel Ek e Martin Lorentzon em 2006 e foi lançado ao público em outubro de 2008.
O conceito é simples: disponibilizar um programa onde pessoas podem procurar e ouvir suas músicas favoritas, compilar playlists e compartilhá-las com amigos em forma de URLs (nas quais é possível clicar e ter acesso a sua compilação musical – pode-se dizer que é uma versão moderna das fitas cassetes à laHigh Fidelity).
Daniel Ek e Martin Lorentzon, fundadores do Spotify
Além disso, existe uma rádio onde é possível limitar a década e o estilo. Automaticamente o acervo do Spotify te apresenta várias alternativas musicais do período limitado. Tudo isso legalmente. Melhor impossível.
Questão usabilidade: O programa é bem fácil de manusear. Quase tudo na interface do Spotify é clicável, ou seja, possui links nos quais se encontra informações sobre o artista, música, álbum que você procurou e ainda te dá dicas de artistas semelhantes. O Spotify baseia-se no conceito drag and drop (clicar, arrastar(drag) e soltar (drop)), bastante conhecido de usuários de computadores. É com o drag and drop que o usuário consegue montar suas playlists, gerar uma URL e enviar por email, chats e programas de mensagens instantâneas afim de compartilhá-las. Também é possível montar playlists em conjunto com outros usuários. Conceito de interatividade levado a cabo.
Interface do Spotify (clique na imagem para ampliar)
O Spotify ainda está em versão beta e para utilizá-lo é necessário um convite de alguém que possui uma conta premium. Explico: existem três tipos de contas no Spotify: Free, Day Pass e Premium.
A conta Free é financiada por anúncios. É a versão por onde muitos usuários começam a utilizar o programa. É também a versão que utilizo e confesso que os anúncios que ouço são bem raros. Muitos deles são divulgacão de shows ou propaganda do próprio Spotify anunciando novas ferramentas e novidades. Pelo que andei lendo, gravadoras que disponibilizam seu conteúdo para ser tocado no Spotify andam reclamando que a versão Free não contém anúncios suficientes para que os usuários e sintam incomodados ao ponto de dar um upgrade e passar a pagar pela versão premium!
Já a conta Day Pass, como o nome mesmo diz, é o acesso do Spotify por 24h após pagamento de 9 kr (menos de R$2,50**). Nesta versão, você não ouvirá anúncio algum e nada será debitado mensalmente.
A conta Premium é uma “assinatura” que você paga mensalmente 99 kr (um pouco menos de R$ 25,00**). Segundo o site da companhua a define, é a forma mais “pura” de curtir o Spotify. Na versão premium, os usuários possuem pleno acesso ao acervo do Spotify, não ouvem anúncios, concorrem a bilhetes, têm acesso a pré-releases e ainda podem distribuir convites para amigos e/ou conhecidos. Esta é a unica versão que você não precisa ser convidado. É só pagar e tê-la em mãos.
Segundo entrevista de Daniel Ek a TV do DN (em sueco), o Spotify surgiu como uma ideia de ser um programa 100% financiado por anúncios. Mas foi completamente desacreditado por vários atores do mundo da música. Ao oferecer o programa a parceiros, o Spotify foi ganhando a cara que tem hoje, com versões pagas, tornando-se assim, atrativo para as gravadoras.
Ao que me parece, a versão Free tem um acesso limitado ao acervo disponibilizado pelas majors Universal, EMI, Warner e Sony (entre outras gravadoras com as quais o Spotify possui acordos). Não tenho certeza, já que não encontrei essa informação em nenhuma fonte segura. Também não encontrei informações sobre como o Spotify paga por cada música tocada. Vou continuar pesquisando e atualizo assim que encontrar.
Para os artistas é uma super ferramenta de divulgação. No site do programa (todo em inglês mas com opção para lê-lo em francês), existe um espaço para que artistas e selos possam se inscrever e com isso fazer parte do acervo (O Spotify adiciona centenas de músicas por dia – apenas ontem, 24 de junho, 461 álbuns e singles foram adicionados, perfazendo um total de 6405 faixas). No entanto, existem artistas, como o Metallica, que não acreditam no formato e exigiram que seus acervos não fossem disponibilizados pelo Spotify.
Apesar do acesso restrito, o Spotify está fazendo um sucesso imenso nos países onde o download do programa está disponível: Suécia, Noruega, Finlândia, no Reino Unido, na França e Espanha (eles estudam em breve o aumento da lista de países). O sucesso do Spotify é tão grande – alguns até dizem que pode ser comparado ao surgimento do Napster (o Spotify também está sendo chamado de assassino sueco do iTunes) que mesmo antes da entrada no mercado americano, já começa a incomodar gigantes da tecnologia, como a Apple e seu ipod/iTunes.
Com o avanço da tecnologia em celulares, o desafio do Spotify agora é entrar neste mercado. Alguns especialistas acreditam que ao ser lançado em plataformas móveis (quesito portabilidade) a chance do Spotify em se tornar um grande produto no ramo da música é garantia absoluta. Já existe inclusive uma versão do Spotify para o Google Android (veja entrevista, em ingles, no video abaixo). É esperar para ver o desenrolar dessa história.
Streaming (fluxo de mídia) é uma forma de distribuir informação multimídia em rede. É uma forma de ter acesso a material protegido por direito autoral, uma vez que a música, por exemplo, não é baixada nem armazenada no computador, mas reproduzida online (como rádio e tv).
Não sei o que dizer. Sei sim. Estou bem angustiada com essa história do vôo. No momento em que a TV francesa anunciava a população do país que o vôo da Air France AF 447 tinha desaparecido dos radares, eu estava no site da empresa vendo datas de vôo para que meu irmão venha nos visitar e falando com a mãe dele. Foi ela quem me deu o primeiro alerta.
Segundo ela, as TVs francesas estavam dando plant?es a cada minuto.
Imediatamente fui atrás de informações. Imediatamente me perguntei como uma coisa dessas ainda é possivel (um avião desaparecer e ninguém saber onde está) nos dias atuais.
Somos vigiados o tempo inteiro, dentro e fora do globo. Satélites que conseguem ver (ou quase) tudo o que se passa dentro da minha casa (exageros a parte), que detectam o que pode parecer impossível, não conseguem ver um AVIAO ou seus destroços!! :8 Não entendo mesmo!
Então, para que serve tanta tecnologia se ela não está? disponível quando mais precisamos dela? Para que existe tanto satélite no espaço (e tanto lixo por causa deles) se não podemos utilizar todo o aparato eletronico que possui?
Essas e muitas outras perguntas devem rondar a cabeça de muitos. Infelizmente vamos ter que esperar alguns dias para ver se será possível conseguir explicações de mais essa tragédia. O pior, é que podemos nunca saber, já que a caixa preta se encontra a cinco mil metros de profundidade provavelmente se encontra a muitos metros no oceano Atlântico.
No mais, espero n?o ter nenhum amigo na lista, seja de qual nacionalidade for. :s
Tinha pensado em publicar algo sobre meus três anos de Suécia mas neste momento, não tenho ânimo nem espírito nenhum para falar nada sobre isso. Mas aqui fica registrado, de alguma forma.
Fica aqui antecipada minhas condolências às famílias das vítimas.
UPDATE: Segundo o jornal da TV francesa France 2, na exibição das 20h, o governo Frances pediu ajuda aoPentágono para que usem seus satélites com o objetivo de localizar o avião (e/ou seus detroços)
Ainda estou tentando arrumar forças para voltar a rotina. O show do Casuarina foi muito bom. Carregado de emoções. Na verdade, emoções a flor da pele. Sambinha que tocou na alma. Pessoas especiais e sonhos realizados. A equipe do BrasilCine-Música está de parabéns. As meninas são ótimas parceiras de trabalho. O clima com o grupo foi tão bom que todas as pessoas que trabalharam nesse projeto paralelo sentiram um enorme vazio quando a trupe partiu de Estocolmo seguindo na sua segunda turnê européia.
No dia seguinte, a turma do projeto, saudosa, ouviu sem cessar os CDs do Casuarina. Saudades.
Sim! O show foi um sucesso. Apesar de a casa não ter lotado (bom, varios motivos para isso existiram, mas agora são mínimos!) O público presente ovacionou os garotos e pediu mais. Acredito que em breve o Casuarina volta para iluminar Estocolmo com sua música e seu brilho.
Quinta passada foi feriado na Suécia, o dia da Ascenção, chamado de Kristi Himmelsfärds dag.E nos partimos para Kopparberg para um “descanso” merecido.
Segundo o livro Tradition och Liv, se o Valborg é um dia no qual se sente frio, ascendendo fogueiras para lembrar o final do período gelado, o dia da Ascenção é associado com o calor. É quando se sente que realmente o verão está ai.
Em vários locais da Suécia existe a tradição do gökotta (acordar cedo no dia da Ascenção para ouvir o canto dos pássaros da primavera, principalmente o göken – cuco). Pode-se dizer que esta tradição deu-se início no início do século XX. A partir de 1925, organizações contra o consumo de álcool começaram a comemorar o dia da Ascenção como o dia da sobriedade popular, com discursos e manifestações pelo país, o que fomenta debate na mídia.
Ainda de acordo com o livro, o dia da Ascenção é provavelmente o maior dia de comemoração ao ar livre da primavera, onde as pessoas curtem o céu azul, sentem o calor do sol e aproveitam a luz solar.
Picture from English Wikipedia
O nosso feriadão foi, como disse, em Kopparberg. Na sexta feira, passei muito mal. Meu estômago resolveu “se vingar” de mim depois de uma semana super agitada e cheia de emoções. Além disso, passei o dia dormindo. Acho que nunca dormi tanto na minha vida sem ter tomado um remédio sequer. Eu simplesmente não conseguia ficar acordada. E quando conseguia, era para comer e “chamar-o-hugo”.
Sabado e domingo foram os dias dedicados às plantações. Este ano, plantamos bastante batatas (as de verão e as de inverno), cenoura (as de verão e as de inverno), mangold (acelga – foto), flores, cebola, alho poró e beterraba. Só penso agora em colher para comer hohohoho
Na volta para casa pegamos um “engarrafamento do cão”. Também pudera!! Mas ok. Uma viagem que duraria 2h30, haha, durou mais de 5h. Chegamos em casa 23h30.
Entre outras, posso dizer que mais um semestre está chegando ao fim. 22 graus no termômetro, saco cheio de ficar dentro de casa, estudando, em vez de curtir o climinha favorável a tantas outras coisas. Tédio. Ainda tenho o curso de francês para ficar de férias. Dia 1 é o último dia de aula, com entrega de textos até o dia 10. Estou devendo outros e estou sem nenhuma vontade de escrevê-los.
O curso de foto terminou há mais de uma semana e nem vim aqui contar. Tivemos uma “banca” de uma pessoa só para analisar nossas fotos. O exercício final foi uma fotoreportagem onde deveríamos “seguir” uma pessoa, um acontecimento ou um processo. Calhou de eu escolher as manifestações do 1° de maio, já que a entrega das fotos seria dia 13. Eu gostei muito do resultado das fotos (e do curso! ). Deixo-as abaixo para a avaliação de vocês.
A palavra em sueco do dia é grönsaker [gr[oe]nsókér], legumes, hortaliças
Pois é leitores! A Noruega levou merecidamente o Eurovision Song Contest (ESC) 2009. E eu acertei nas minhas previsões. Tá na hora de preparar um CV e enviar para a produção do Eurovision. hahaha O que acham?
Brincadeiras a parte, pensei que não veria a final do evento, já que foi o final de semana q iria para Sundsvall e a noite iria para um jantar de despedida com a turma. Não foi minha surpresa, no restaurante tinha uma TV que eu prontamente pedi para ligar. Nem precisava. Os garçons do local vieram a mesa pedir “autorização”, já que o aparelho se encontrava sobre nossa cabeça. (Sou a última da mesa no lado esquerdo!)
Turma do curso de fotojornalismo
Pois bem, assisti a apresentação de todas as músicas com certeza absoluta que Alexander Rybak, com a linda e doce Fairytale, iria levar o trofeu e o ESC para a Noruega. E o país não poderia ter ganho um melhor presente de aniversário. Dia 17 de maio é o dia Nacional da Noruega. Os nossos vizinhos tiveram ainda mais motivos para comemorar.
O mocinho, ao subir no palco e receber o prêmio, convidou os noruegueses para irem ao aeroporto recepcioná-lo. A Europa se encantou com a magia de Fairytale e a de Alexandre, cujo sorriso e expressões faciais são charmosíssimas.
No jornal de hoje, uma matéria dizia que a Noruega ganhou mais um hino. Agora, com muito bom humor, os vizinhos declararam estar entre “Ja, vi elsker dette landet” (Sim , nós amamos este país, em Noruegues) e “Fairytale“.
Voltando os olhos para dentro de casa. A Suécia amargou o pior resultado dos últimos anos. Triste ver La voix acabar na 21° posição. Em entrevista ao Aftonbladet, Malena declarou que a Europa ainda não está preparada para acolher esse tipo de música. Não sei se concordo. Mas uma coisa me parece bem concreta. A Europa quer respirar novos ares. Ares juvenis.
De pais músicos (mãe pianista e pai violonista), Alexandre participou do Idolos noruegues e não ganhou. Ele tem 23 anos e compoe suas próprias músicas e letras. É um artista não fabricado, podemos assim dizer. E isso é bom para a música.
O segundo lugar da competição foi para Johanna, de 19 anos, representante da Islândia, que cantou a linda Is it True?. Segundo sua biografia, disponível no site do Eurovision, ela começou a cantar antes mesmo de falar.
O terceiro lugar ficou com o Azerbaijão, representado pela boneca AySel (de 19 anos) e do sueco-iraniano Arash. A quarta posição foi para a Turquia. Dum Ték Ték, cantada por Haside (23 anos) era uma das fortes canditadas ao prêmio da noite. O quinto e sexto lugar ficaram respectivamente com o Reino Unido – Ewen (21 anos) – e com a Estônia - Sandra Nurmsalu (20 anos).
A lista completa dos participantes do Eurovision e suas respectivas classificações vocês podem encontrar aqui.
Estou satisfeitíssima com o resutado do ESC. Agora é arrumar as malas para rabalhar na Noruega durante o evento em 2010
Enquanto 2010 não chega, apaixonem-se por Fairytale.
Turquia, Suécia, Israel, Portugal, Malta, Finlândia, Bosnia-Herzegovina, Romênia, Armênia e Islândia foram os 10 dos 18 países que garantiram sua vaga na final de sábado. Eles se juntam aos quatro países com vaga garantida na final (os patrocinadores) e ao vencedor do Eurovision 2008, França, Espanha, Alemanha, Reino-Unido e Rússia, respectivamente.
O Eurovision 2009, realizado em Moscou, Rússia, foi o mais caro evento realizado até agora. Cerca de 42 milhões de dólares (36,5 milhões vindos da Rússia e 6 milhões da Europea Broadcasting Union – EBU). Dez milhões a mais que a anfitriã de 2008, Belgrado, Sérbia.
Assim como o festival de Cannes, o Eurovision tem suas festas oficias e paralelas. A balada sueca foi em comemoração aos 35 anos de Waterloo, música que fez o ABBA ficar conhecido mundialmente e que deu o primeiro título à Suécia em 1974.
A apresentação de Malena foi muito bonita. Pena que o som parecia bem baixo, deixando a voz dela em excessiva evidência.
O canal estatal SVT1 preparou 1h de programa “As vozes de Malena” antes da exibição do Eurovision. Legal poder saber conhecer mais de perto essa artista que é bem famosa na Europa e principalmente no circuito de opera europeu mas pouco no próprio país. Caso ela não ganhe o Eurovision, acredito que o povo sueco já ganhou em conhecer um pouco mais do trabalho de Malena Erman.
Uma das músicas mais bonitas da noite vem de outro país nórdico. A Islândia. A balada Is it True cantada pela jovem de 19 anos Yohanna foi a última classificada para a final. Tem uma forte chance de se tornar um hit no verão.
Estava torcendo pela Suécia e pela Islandia. Não sei se posso dizer que gostei ou não gostei da apresentação da Bósnia. Ainda estou na dúvida. Algo me diz que gostei, mas tem alguma coisa que me incomoda.
Será que a Europa vai virar uma fabricante em série de “Britney”? A Turquia (um dos países favoritos a levar o prêmio, segundo vários “eurovision-experts” – a música Dum Tek Tek é um chiclete!), Romênia e outras que não me lembro se sacudiram tanto que fiquei me perguntando se a americanização tomou conta do pedaço. Uma lástima.
É impressão minha ou a cantora romena tem uma leve semelhança com Kate Hudson?
Image via Wikipedia
O que eram aqueles apresentadores?? A linda Natalia Vodyanova e o “ãhoqueéissomeudeus!” Andrey Malakov poderiam ter ficado em casa curtindo a festa. Deu pena de ver Natalia estabanada com o microfone na mão sem saber o que fazer e o pegajoso Andrey agarrado na menina e dando beijo nela a cada respiração. Um show de horror. Li por aí que eles não tiveram tempo nem de ensaiar o texto nem o posicionamento das câmeras . Foi, no mínimo, patético.
Momento constrangedor da noite: Antes da votação começar, a Rússia, como boa anfitriã, decidiu mostrar o que tem de mais forte. Seu exército. Sim leitores. O exército russo cantando em coral e diante dele danças tradicionais russas. O exército cantou também o tão famoso la la la la la la música com a qual Silvio Santos costumava apresentar os jurados no Show de Calouros. Na verdade, fiquei sabendo ontem que essa música é originalmente russa (Dorogoi dlinnoyu) e que nos anos 60 os americanos fizeram uma versão inglesa (Those Were the Days). (Aguardem, o pior vem aí!)
Do nada, aparece a polêmica dupla russa, as meninas do T.a.T.u, cantando a música que as fez conhecida em todo o mundo Not gonna get us acompanhada do coral do exército russo.
Vocês podem dizer, mas o que tem de constrangedor? Sim, senhor@s, sem contar o exército, havia ao lado deles um tanque de guerra, em azul e decorado com flores, e um avião de guerra também com a mesma decoração. Nada sutil! (vejam o vídeo)
Acham o Eurovision uma bobagem? O Google não. Eles desenvolveram um robo em seus motores de busca que visa “determinar” qual dos países em competição tem grande chance de ganhar, tudo baseado em resultado de buscas. Vejam aqui a “previsão googleana“
A Suécia participa não apenas com Malena mas em várias parcerias musicais com outros países. Espanha, Azerbaijão tem compositores e artistas suecos na disputa do Eurovision 2009. (se lembrar de outro país volto aqui!)
Querem saber quanto custa um bilhete para assistir ao Eurovision 2009 – Moscouin loco? Pois bem, para as semi-finais, 12 e 14 de maio, os ingressos variam de 18 a 445 euros.
Já para a final, dia 16 de maio, você interessado deverá desembolsar a quantia de 22 a 667 euros.
Ah, estarei torcendo pela Noruega na qunta-feira, 14 de maio. Do meu sofá de casa, claro!
A palavra em sueco do dia é tävling [tévling], competição
Os motores suecos para a competição musical mais aguardada do ano já estão ligados. Isto porque o Eurovision Song Contest, cuja primeira semi-final (com participação sueca) acontece já na próxima terça, tem sua final marcada para o dia 16 de maio, ou seja, próximo sábado.
(foto: Jenny Staaf)
Este ano, não comentei nada das eliminatórias suecas, não por falta de interesse, mas porque sei la, nada me empolgou. No entanto, a final do Melodifestivalen foi uma surpresa para muitos. A contribuição sueca para o Eurovision se chama Malena Ernman (foto), uma cantora de ópera que se aventurou no pop-ópera e agradou os nativos com a canção La voix (A voz, em frances). É como se fosse o Edson Cordeiro da Suécia!
Eu perdi de ver a participação de Malena em uma das eliminatórias. Mas ouvi e li o bafafá na mídia quando ela foi direto para a final sueca no Globen. Bom, gostei dela, do número e da música. Vamos ver agora se a voz poderosa de Malena vai fazer a Suécia, único país que escolhe democráticamente o artista para participar do Eurovision, chegar a final em Moscou.
Falando em Moscou, desde que a Rússia ganhou o Eurovision em 2008 uma limpeza geral está acontecendo nas ruas da capital. Não pensem que os garis estão tendo mais trabalho. A limpeza que o jornal da TV sueca nos mostrou ontem é canina. Isso mesmo.
Os cachorros sem dono que vivem pelas ruas da capital russa estão “misteriosamente” desaparecendo. Ahh, os cachorros com dono também. Tudo pelo “bem” do Eurovision (ou pelo “bem” do país). As imagem são chocantes. Tiros com tranquilizante, homens arrastando cachorros pelas ruas e jogando dentro de caminhões e cachorros mortos na mesma cela de cachorros vivos, estes bastante maltratados (imagens feitas por uma organização que luta pelos direitos dos animais).
Portanto, se você tem cachorro e está morando na Rússia no período do Eurovision, cuidado!
Uma outra notinha interessante sobre o Eurovision é a não-participação da Geórgia na competição por conta da canção escolhida. Vocês devem estar acompanhando o conflito político no Cáucaso. Então, os georgianos, inocentes ou não, indicaram a música We Don’t Wanna Put In, que quando cantada soa como o sobrenome do todo poderoso monsieur Vlad. hohoho
Bandeira da Geórgia
Resultado: A Geórgia foi intimada pela comissão do Eurovision a mudar sua contribuição, pois o evento não permite manifestações políticas. O país não aceitou e preferiu se retirar da competição.
Com o passar dos anos percebo que me torno uma consumidora mais consciente. Não digo em comprar mais barato. Falo da força que o consumidor tem em influenciar através de pequenas mudanças de comportamento na hora de comprar.
Confesso que durante muito tempo o bolso falou mais alto (e as vezes ainda fala) e a escolha acaba sendo por um produto mais barato em detrimento do mais saudável ou do politicamente correto. Mas algo me fez parar para analisar ainda mais meu poder de consumo consciente.
Há dois dias assisti uma reprise do Uppdrag granskning (já falei desse programa aqui no blog em outras ocasiões – a festa do Valborg e Contraceptivos e implante-placebo) que tratava de como o dinheiro dos fundos de pensões sueco era utilizado. Pode parecer complicado (!!!) e chato mas no final uma das mensagens que consegui aproveitar do programa está extremamente ligada ao consumo.
Para resumir e não complicar: 7 “empresas” independentes do governo tomam conta do dindin que os suecos recolhem para a aposentadoria. Para facilitar vou chamá-las de “As Independentes”. Para que o dindin renda, “As Independentes” investem em ações de outras empresas. Na real, “As Independentes” não devem visar apenas o lucro mas sim levar em consideração a ética, a relação com o meio ambiente e se essas empresas seguem a convenção dos direitos humanos.
Das 7 independentes, o programa só mostrou a fundo 5 delas pois uma não existe mais e a outra se diferencia muito do assunto.
“A Independente de número 7″ tem ações em mais de 2 mil empresas. Em caso de não cumprimento do tratado de direitos humanos, meio ambiente e ética, a “Ind 7″ venderá as ações da empresa, com o objetivo de infuenciar, por exemplo na melhora de condições de trabalho etc. Ao vender as ações, a “Ind 7″ escreve uma carta a empresa explicando o porque da venda e pede explicações. Muitas nem respondem (daí você pode imaginar a seriedade!).
O sueco que não fez conscientemente sua escolha em qual “Indepentende” o dindin da aposentadoria sera “investido”, é automaticamente registrado na “Independente 7″. 2 milhões e meio de suecos têm dindin na “Ind 7″.
O diretor da “Ind 7″ pontuou que apenas agora é que empresas em geral começam a perceber que sua marca pode ser afetada caso sejam desleais ou firam direitos humanos, por exemplo.Percebendo seu poder de influência, a “Ind 7″ criou, portanto, uma lista negra com 54 empresas que não seguem esse tratado. Querem exemplos?
Só para ficar em alguns dos mais conhecidos nomes:
Yahoo – Casos de violação a liberdade de expressão na China
Wal Mart – Casos de discriminação contra mulheres na Guatemala, atividades contra sindicatos, e transgressão a leis trabalhistas.
Toshiba – Produção de armas e/ou arma nuclear
Boeing e Toyota – Caso de repressão contra sidicato na filial das Filipinas
Nissan – Crime contra os direitos humanos na entrega de material de guerra no Sudão.
O problema mostrado na reportagem é que o sueco em geral não sabe que o dindin que as outras quatro independentes administram está investido, por exemplo, em produção de armas nucleares ou em empresas que incentivam a guerra e discriminam mulheres. Tenho certeza que se os nativos soubessem que esses fundos de pensão investem em empresas que praticam esses atos, eles não optariam por este tipo de fundo.
O preço que se paga por consumir um produto “em conta” na Wal Mart é alto pois se estimula uma cultura viciada na qual, por exemplo, mulheres que ganham para treinar novos funcionários recebem menos do que os homens que estão sendo treinados. Hoje, existe um processo onde mais de 2 mil mulheres acusam a WM de ter conscientemente sido obstáculo em suas carreiras. Sacaram? É um exemplo “pequeno” em um universo gigantesco de “mal caratice”.
No nosso caso, aqui em casa somos bem cautelosos quanto a, na medida do possível, comprar produtos que ferem nossos princípios. Sim, porque comprar algo, ao meu ver, não é apenas “escambo” (troca de algo por algo, neste caso dinheiro pelo produto). Tem a ver com como e onde o produto foi produzido, se alguém se feriu ou está sofrendo.
Procuramos ser atenciosos a produtos da Unilever, por exemplo, marca que produz entre outras, a Dove. Há alguns anos, li no Sindrome de Estocolmo posts que Denise fala de produtos que promovem e estimulam o embraquecimento da pele de asiáticas e portanto decidi não mais contribuir, através da minha compra, com tais práticas. Denise também escreveu um post bastante esclarecedor sobre a L’Oreal (Denise traz mais infos sobre o processo embraquecimento da L’Oreal) de outra empresa evil da qual não consumo nada. Isto, sem citar empresas da indústria alimentícia.
Parece bobagem, mas me sinto melhor sabendo que estou fazendo a minha parte e tentando não contribuir para um mundo mais desigual e injusto.
A palavra em sueco do dia é konsument [konssumênt], consumidor
Sempre fui uma garota muito responsável. Aprendi cedo a lidar com dinheiro e nunca tive problemas em me cuidar para evitar filhos e doenças. Minha mãe procurou sempre me explicar tudo juntamente com as consequencias de atos “impensáveis”. Ela com certeza fez um bom trabalho. Mas uma reportagem que acabei de ver me deixou um pouco preocupada.
Desde que começei a tomar pílulas anticoncepcionais, há quase 15 anos, já sabia o que eu queria. Evitar filhos cedo e não sofrer os efeitos colaterias desagradáveis que as pílulas nos trazem, um deles seria o sobrepeso. Por este motivo, pedi a minha primeira gineco um método com baixo teor hormonal. Ela me indicou Mercilon, da empresa farmaceutica Organon com o qual me dei superbem. (não estou nem quero fazer propaganda de remédios. só estou relatando minha experiência. vocês vão já já entender o porque de citar o nome da empresa).
Em 2002, dois anos antes de mudar para a Europa, decidi que já estava na hora de não mais receber as visitas mensais femininas, se é que vocês me entendem (não gosto da palavra a qual a explicação se refere! ). Troquei de contraceptivo e me mantive “fiel” a empresa. Desta vez, com o Cerazette, também tive bons resultados. As visitas foram otimamente interrompidas e não tive nenhum efeito colateral indesejado.
Quatro anos mais tarde, sabiamente optei pelo implante subcutâneo, Implanon, também da Organon, o qual além de evitar as tais visitas, me deixaria três anos protegida (já que não precisaria me preocupar com a hora de tomar a pílula) de uma gravidez indesejada. O implante foi aplicado na França, no braço esquerdo. Não doeu, juro! Ele me trouxe alguns efeitos chatos, como algumas espinhas que nunca tive. A irritabilidade não sei se foi causada pelo implante ou se eu sempre fui facilmente irritavel (com a dããã alheia!). Mas ok.
Caixa e adesivo Evra e Cartão do Implanon
Há quatro dias, um mês antes de completar três anos, fui a gineco que prontamente o retirou. Queria colocar outro, mas ela me pediu para esperar um mês. Assim veríamos como minha pele reage. Durante este mês, para não ficar desprotegida ela me sugeriu o adesivo Evra, da empresa Janssen-Cilag. Titubeei um pouco, já que em todos esses anos havia me dado bem com os métodos da Organon. Mas como não resisto a desafios e coisas novas, encarei numa boa. Estou achando divertido, só coça um pouco, mas deve ser normal!
A Reportagem
Existe um programa na TV sueca que se chama Uppdrag Granskning (Missão investigação!) o qual investiga denúncias e as exibe em horário nobre. Uma das mais marcantes dos últimos tempos foi a da carne moída que era reembalada após ter passado da validade e posta nas prateleiras para serem revendidas com outras datas.
Hoje, procurando matérias para publicar no Brassar me deparo com o seguinte título no jornal Metro de uma semana atras: Hon blev gravid – trots sin p-stav (Ela engravidou apesar do implante). Corri para ler o artigo que falava do programa, que seria exibido dia 15, e em seguida para o site do mesmo.
A história é bizarra. Uma garota de 16 anos, com o sonho de se tornar veterinária, antes de começar os estudos do ginásio decidiu utilizar o implante por ser um método contraceptivo seguro. O problema foi quando, alguns meses depois ela sentiu os chutes na barriga com 19 semanas e meia de gestação. Até ai, “tudo bem”, já que ela poderia ser uma das poucas mulheres que engravidam usando anticoncepcionais (a margem de mulheres grávidas usando o implante é ínfima).
O problema foi que na retirada do implante descobriu-se que foi implantado um placebo! Ou seja, sem nenhum efeito contraceptivo. E agora? De quem é a culpa? Do médico que não verificou que o implante era azul (em vez de branco – com a substância), da farmácia que vendeu o produto ou da empresa que fabricou o implante?
Bom, se você inocente leitor não sabe a resposta, não se espante pois as autoridades suecas também não sabem. Várias investigações foram abertas por diferentes órgãos, inclusive por seguradoras que deveriam pagar indenizações, e chegou-se a conclusão de que ninguém tem culpa! Essa história está rolando a quase três anos!
O casal resolveu não abortar e uma linda criança nasceu saudável. Mas a questão continua. De quem é a culpa? A reportagem insiste que a Suécia não está sabendo tratar este caso como “erro” médico, no qual todo e qualquer paciente recebe indenização, já que a criança não é vista como “efeito colateral”.
Uppdrag Granskning - En spark i mage (reprodução de TV)
Enquanto isso, o jovem casal luta pelos seus direitos sem saber se algum dia haverá reparo por algo que tentaram evitar e que acabou custando a carreira e planos futuros de ambos.
Uma lástima!
PS. O programa pode ser visto aqui até dia 28 de julho.
Ontem foi 1° de abril, o dia da mentira. Em diferentes países, a data de ontem recebe difetentes nomes: Na Grã Bretagna é chamada de April Fool’s Day, na Escócia de Gowkie Day, na França, na Espanha e na Itália fazem referência a peixe, poisson d’avril, pescado de abril e pesce d’aprile, respectivamente.
Aqui, na Terra dos Vikings, o nosso dia da mentira ganha o nome de Piada ou brincadeira de abril, Aprilskämt. Quando alguém cai na mentira contada, diz-se:
April April din dumma sill, jag kan lura dig vart jag vill!
Algo como:
Abril abril seu bobo sill (arenque), eu posso te enganar quantas vezes eu quiser!
Image by Midnight-digital via Flickr
É comum por aqui que a mídia pregue peças na população neste dia. O DN, jornal que assinamos, publicou três das mais conhecidas brincadeiras publicadas pela mídia em anos anteriores. Aqui estão as piadas:
1911 – O jornal de (centro)direita Svenska Dagbladet publicou que a abertura dos jogos olímpicos em Estocolmo no ano de 1912 seria antecedida de uma parada com 600 elefantes emprestados da Índia.
1962 – O reporter Kjell Stensson enganou a população com a “notícia” de que vestindo a TV com uma meia de nylon os suecos passariam a assistir programas em cores.
2001 – O DN publicou uma matéria sobre um arquipélago (inventado) croata que seria um paraíso. Isola Lethe era o nome. Os telefones da operadora estatal Telia ficaram sobrecarregados com o grande número de ligações de pedido de informações sobre a agência chamada Primo Aprile Tours.
E as bricadeiras de 2009??
Aqui estão algumas delas:
Por medida de saúde, a partir das 18h até a meia noite da sexta-feira é proibido usar telefone celular. (Västerbottens Folkblad)
Aqueles que andarem pelo lado errado nas escadas rolantes de Estocolmo, serão obrigados a pagar multa de 500 coroas. (Metro)
Image via Wikipedia
A princesa coroada Victoria e seu noivo Daniel se casam na catedral de Uppsala pois a Storkyrka de Estocolmo é muito pequena. (Uppsala Nya Tidning)
Acoplando o DNA do coco dos cachorros com o DNA de seus donos a cidade de Luleå acredita resolver o problema dos cocos que não são recolhidos das ruas a assim poder rastrear os donos. (Norrbottens-Kuriren)