Me deixe estudar, cara-pálida!

fumacinhaEstou extremamente irritada. Ontem fui à universidade ver a possibilidade de fazer um curso escrito de francês e não gostei nada do que aconteceu. Vamos aos detalhes.

Falei há um tempo dos cursos que estou fazendo. No final do mês comecaria o quarto deles, mas não estou com vontade de fazê-lo. Descobri muita álgebra e afins na grade do curso, o que me fez refletir e chegar a conclusão que não estou afim de encarar muita matemática.

Detalhe importante:Na Suécia, não se estuda várias cadeiras ao mesmo tempo durante um semestre. Os cursos são divididos ao longo do período o que faz com que você estude profundamente cada disciplina em um ou dois meses, por exemplo.

Eu estou fazendo 3 ao mesmo tempo, o que significa muito conteúdo para assimilar e processar em curtos espaços de tempo. Não imaginei que fosse ser tão pesado! :s

Mas bom, dois cursos terminam no final de março. Daí fico apenas com o de fotojornalismo. Mas se eu não quero mais estudar o curso cheio de matemática, preciso substituí-lo por outro, para completar os 15hp que preciso ter em Estocolmo. Seguindo a sugestão de  Jo, fui procurar um curso de francês e achei um muito interessante na Universidade de Estocolmo.

Com isso, completaria meus 15hp, daría uma refrescada na memória e não ficaria tão pesado, já que o curso é dado em apenas 5 ocasiões, 1 vez por semana até junho, o que significa aulas espaçadas e tempo livre para fazer outras coisas (como continuar procurando emprego, escrever no Brassar e no blog, assessorar o BrasilCine e descansar um pouco!)

Para fazer o curso de Francês escrito, é necessário ter cursado Frances I: na prática é tudo o que fiz na França!

Pensei: “moleza, vou apresentar meus diplomas, notas e certificados, eles vão ver que tenho nível e começo o curso dia 16 de março”.

Que nada! Mera decepção. Há dois dias recebi uma mensagem da coordenadora do curso dizendo que não estou qualificada para fazer o curso pois me falta conteúdo. Respondi educadamente a mensagem pedindo uma reunião e a noite enviei outra mensagem na qual escrevia todo o conteúdo dos cursos q fiz na França durante os dois anos que lá morei. Não obtive resposta.

Não me dei por vencida. Fui ontem a uni munida de argumentos e papeis. Lá chegando, a coordenadora já foi dizendo que eu não tinha qualificação.Pedi para ela olhar meus documentos… Vamos ao diálogo:

Juliana – Eu te enviei um email com o conteúdo dos…

Coordenadora – Sim eu vi. Mas como disse, você não tem qualificação.

J – Mas você não pode olhadinha nos meus pa..

C – Não vai adiantar. Estudar frances em outro país [leia-se FRANCA] não é a mesma coisa que estudar Frances na Universidade de Estocolmo.

J – Mesmo se o conteúdo é praticamente igual? Mesmo se a pontuação de um semestre na França equivale a pontuação sueca?

C – Você não sabe qual é o conteúdo de Frances I. Você também não sabe se equivale

hexagJ – O conteúdo está disponível na…

C – bla bla bla

J – Eu estudei Civilização, Literatura Gram…

C – Você não entendeu ainda. Existe um momento no curso onde estuda-se a gramática francesa e a sueca ao mesmo tempo [o que provavelmente é TRADUCAO como  eles costumam ensinar línguas estrangeiras] o que é impossível de ter estudado na França.

J – Meu namorado estudou na França e os pontos foram equival….

C – Se você tiver cópias dos seus documentos eu posso dar uma olhada,mas se for original não posso ver. Vá tirar cópias e deixe aqui comigo.

Saí da sala dela e assim que peguei o elevador começei a chorar. Me senti impotente. Ela não me deixou completar uma frase. Ela não estava interessada em me ouvir. Liguei para meu viking e ele me aconselhou a tirar as cópias (a esta altura eu não queria fazer mais nada!) entregar a ela e em caso de resposta negativa, recorrer da decisão.

Putz, como é que eu não posso fazer esse curso? Como assim, não tenho qualificações, cara-pálida!!? Desde que mudei para a Europa eu só faço estudar!!! Estudei francês de “cabo a rabo”, indo e voltando, de trás pra frente e pelo avesso, sueco, inglês, fiz tudo o que era necessário para poder ter as qualificações que se exige para entrar numa universidade sueca e a cara pálida me diz que não sou qualificada!! Fai catar coquinho!!!

Ela bem pensa que eu não tenho capacidade de traduzir algo do sueco para o frances ou vice versa!! “Existe um momento no curso onde vivamente estuda-se a gramática francesa e sueca??” Mas o que eu fiz durante esses cinco anos na Europa, dois na França três deles  aqui nessa terra, dona moça?? Foi estudar FRANCES e SUECO!! Sou capaz sim!! Tenho qualificações sim!! Você é que ainda não enxergou isso, cara-pálida!

Tenho que me acalmar, senão minhas dores de estômago voltam! Até tinha dado uma trégua. Desde ontem, estou com dor novamente! :(

Update 15h30: Acabei de receber um email da cara-pálida dizendo que fui aceita no curso!! Estou toda contente!! 😀

  • A palavra em sueco do dia é maktlös, [máktlós], impotente, sem forças (no sentido de autoridade)

Da série: Você sabe que é sueco…(I)

…se você nunca esquece de contar como está o tempo e o café quando envia um cartão postal de onde você está passando as férias.

Uma nova série. Ano passado, uma das tipas me deu um livro de presente  chamado Du vet att du är svensk…, o título do post. Eu li o livro de uma tacada só. Adorei, ri muito e até já me reconheci em algumas das frases típicas que descrevem tão bem os nativos. :rool:

Para compartilhar com vocês o que o livro descreve como características que são únicas dos suecos, vou publicando algumas das frases ao longo do ano.

Prestação de contas: balanço do curso de sueco

Elaine foi uma das pessoas que me perguntou sobre o final da maratona do curso de sueco que fiz na Universidade de Estocolmo e quais foram minhas impressões. Na verdade, não sei nem por onde começar.

Bom, vamos recapitular um pouco. Quando terminei o SFI, me sentia bastante confiante. Afinal, tive um excelente experiência: professores ótimos e uma turma super integrada. Minha passagem pelo SAS G foi bem rápida, nada que me deixasse sequelas irreversíveis. Ao fazer a prova da uni, pensei que entraria num nível mais avançado e ao avaliar o teste, senti que estava no caminho certo.

O curso é dividido em dois semestres, cada um com quatro disciplinas. No primeiro deles (chamado de nível 2, dã!), tive logo de cara uma experiência traumatizante. Esta professora, por sinal, foi uma das melhores que tive durante todo o curso, pode acreditar!

Ainda neste semestre, o único que possui aula de gramática, tive a má sorte de pegar uma professora incompetente e despreparada (lembrem-se deste adjetivo, ainda vou usar muito por aqui!). Sim, porque ela nunca corrigia os exercícios corretamente, se esquivava em responder nossas dúvidas e sempre empurrava a possível resposta para a próxima aula. Ela costumava dizer que dúvidas podem ser tiradas com a gramática e não com um professor. Em outro grupo, no qual uma das minhas colegas estudou, havia uma professora de gramática excelente. Foi apenas falta de sorte minha.

O curso de oral foi um dos mais produtivos, apesar de acreditar que não precisamos ler livros de literatura num curso de oral. Isso não ajuda a desenvolver a linguagem falada (principalmente se você lê um livro escrito no final do século 19 com palavras que nem mais existem). O argumento de ler tais livros é ter assunto para poder discutir em sala. Ora, se você quer medir a desenvoltura oral, porque não utilizar assuntos cotidianos e usar jornais como material de trabalho?

Terminei o nível 2 aliviada, desgostosa e um pouco decepcionada.

Mas minha real decepção veio com o nivel 3. O show de despreparo dos professores é incrivel (ou é isso ou meu nivel de exigëncia é extremamente elevado!). Como no nível 2, este também é dividido em 4 disciplinas.

A disciplina de oral, foi dividida com dois professores. Na primeira parte, escrevíamos e líamos mais do que falávamos. Na segunda parte, usamos um dos livros da perdida (o curso foi com ela), fazíamos correções de frases e discutíamos o porquê dos erros. Foi que salvou o curso (na verdade foi mais uma aula de gramática do que oral).

Numa outra disciplina, o professor responsável era despreparado (no sentido de não preparar aula do dia seguinte e de não saber explicar o porque das coisas), incoerente (um dia afirmava que o céu era azul e no outro dia dizia que era verde), irresponsável e sem critério. Eu simplesmente não tinha paciência.

Além disso, todos eles nos tratavam como se estivéssemos no jardim da infância.

Ao final de cada semestre, eles nos dão questionários de avaliação de qualidade, onde o aluno pode escrever o que o curso precisa melhorar. Apesar de não servir mais para quem esta finalizando o curso, existe sempre a esperança de que um dia algo evolua para melhor.

Procuro também ver as coisas pelo lado positivo. Acredito que foi uma experiência interessante e enriquecedora. Mas do ponto de vista acadêmico, decepcionante. Não desaconselho ninguem a não fazer o curso. Muito pelo contrário. Estimulo todos que me perguntam, pois o balanço deste curso só é válido para a minha pessoa. É um ponto de vista meu e de mais ninguém (mesmo se existam outros descontentes por ai).

Provavelmente vão existir outros que passaram ou passarão pelos mesmos professores e terão outras opinições a respeito. Por isso, não desanimem ao ler este post. Como disse mais acima, meu grau de exigência é bastante elevado e o de paciência pelo não cumprimento desse grau é inversamente proporcional.

  • A palavra em sueco do dia é balansräkning [balans-r*ékning] , balanço

Este R (r*) é para ser pronunciado como na palavra CARO.

Como estudar na Suécia?

Muita gente me escreve perguntando os passos que devem seguir para vir estudar na Suécia, seja para estudar sueco ou fazer mestrado. Vou tentar reunir o máximo de informações possíveis neste post para que ele sirva de referência quando alguém cair por aqui.

No entanto, podem existir excessões que fogem ao meu conhecimento. Por este e outros motivos, aconselho a todos clicar nos links deste post ou mesmo entrar em contato direto com os órgãos correspondentes. Aviso antecipadamente: o post é longo. Vamos lá…

Diferentemente de outros países da Europa, a Suécia não é um país onde pode-se encontrar cursinhos de línguas espalhados em cada esquina. Existem algumas instituições que oferecem cursos de verão pagos, no entanto, o estudo da lingua sueca não garante visto de estudante.

Lembro também que as regras para quem tem passaporte europeu ou é cidadão nordico são diferentes.

Algumas escolas que oferecem cursos pagos:

Folkuniversitetet

Studiefrämjandet

Medborgarskolan (informação apenas em sueco)

A única possibilidade de se adquirir um visto de estudante para a Suécia é ter sido aceito em uma das universidades do país. Em alguns casos, os estudantes têm direito a cursos de sueco oferecidos pela própria universidade.

Informações de como obter visto de estudante ou outro tipo de visto acessar a página da imigração sueca (em inglês).

Algumas universidades do país possuem cursos de sueco para estrangeiros. Os prazos de inscrição e suas respectivas regras são os mesmos para a inscrição em qualquer curso universitario. O site studera.nu (em inglês) informa quais os procedimentos para se inscrever nos cursos das universidades suecas assim como as datas para as inscrições e envio de documentos.

Curso em tempo completo

Linköping University oferece College Course in Swedish

Umeå University oferece Foundation Course in Swedish

Mälardalen University oferece o Scandinavian Studies Programme

Göteborg University oferece o curso para iniciantes: parte um e parte dois

Informações retiradas do site Study in Sweden. Sobre cursos em tempo parcial e cursos avancados também podem ser encontrados no site acima.

CURSOS GRATUITOS DE SUECO NA SUÉCIA

SFI – Svenska för Invandrare (sueco para imigrantes)

Quem imigra (seja por que vem morar com marido, namorado (a), família, assim como quem vem como asilado ou a trabalho) tem direito a estudar sueco gratuitamente nas escolas para adultos (komvux) em todo o país. Para isso, é necessário além do visto colado no passaporte, estar registrado no Skatteverket (Receita Federal) e receber o personnummer (o número pessoal – o seguro social sueco).

Com isso na mão, é hora de ir na escola, se informar quando o curso começa e se inscrever (gratuitamente). Em algumas escolas, um teste de nível é feito para avaliar o grau de conhecimento na língua e assim poder separar corretamente os alunos por nível.

Repito, isto não acontece em todas as escolas do país, portanto, não tomem esta premissa como verdadeira na escola que você for estudar. Existem casos de pessoas que foram colocadas em salas com gente que nem havia estudado em seu país de origem. Talvez por falta de estrutura na escola ou por falta de estudantes para compor uma classe. Não estou aqui para julgar. Particularmente, tive uma ótima experiência no SFI.

Existem vários níveis de SFI que vão do A ao D, sendo A o mais baixo e o D o mais alto.

O tempo que cada um passa no SFI é bastante relativo. Isto depende de vários fatores, os quais incluem facilidade em aprender uma língua estrangeira e o quanto você se esforça para estudar, entre outros. A média são 6 meses.

SFA – Svenska för Akademiker (sueco para acadêmicos)

Existem escolas que já estão preparadas para receber pessoas com níveis acadêmicos, ou seja, que já possuem um diploma universitário. Muitas escolas não nomeiam o SFA, mas consideram que o nível C corresponde a esta classificação. Isto será avaliado no momento da inscrição (ou do teste de nível). O estudo de outras línguas estrangeiras também é levado em consideração para uma boa classificação.

SAS G – Svenska som Andra Språk Grundläggande (sueco como segunda língua – curso fundamental)

Ao terminar o SFI, uma prova nacional é feita e, caso aprovado, o estudo é seguido do curso SAS. O SAS G é um nível que nem todas as escolas oferecem. Caso sua escola possua o curso, você pode cursá-lo diretamente após a prova nacional ou solicitar um teste de nivelamento. A escola que estudei possuía 3 níveis. Dependendo do seu conhecimento de sueco, é possível que você nem precise fazer o SAS G e vá direto para o SAS A.

O tempo do curso pode variar dependendo do nível que você cair. Do primeiro ao último nível, na escola que estudei, a duração do curso é de 1 ano.

SAS A – Svenska som Andra Språk (sueco como segunda língua – nível A)

No SAS A você estará estudando no nível ginasial, ou seja, o mesmo que pessoas com 15 anos. Muitos dizem que é o equivalente ao nível de ginásio que um sueco estuda. No entanto, segundo minha professora na universidade, o SAS A equivale ao ginásio dos adolescentes estrangeiros que cursam a língua (um curso especial é oferecido para aqueles que entram no sistema com esta idade), paralelo aos estudos de outras matérias.

SAS B – Svenska som Andra Språk (sueco como segunda língua – nível B)

“Último estágio” do aprendizado da língua sueca. Após este curso você estará habilitado na língua para entrar numa universidade na Suécia.

Svenska som främmande språk – Sueco como língua estrangeira

Quem estiver interessado em pular etapas, pode tentar fazer o curso oferecido pela Universidade de Estocolmo. Pular etapas significa se você estiver no SFI, decidir fazer a prova e conseguir passar, você vai estudar apenas 1 ano (dois semestres). Sobre este curso, já escrevi no blog em várias ocasiões (Nas categorias Sueco e Universidade vocês poderão encontrar mais coisas, alguns dos posts: Universidade, ai vou eu!!!! e As línguas nordicas).

Mestrado e Doutorado na Suécia

Não faço nem fiz mestrado nem doutorado na Suécia. Nem sei se pretendo fazer. Mas encontrar informações sobre isso não é tão difícil como parece.

Segundo o site Study in Sweden, existem no país 48 instituições creditadas como ensino superior. Muitas delas inclusive oferecem ensino em inglês. Este link leva você direto para a página que informa sobre as universidades existentes na Suécia.

Lá você pode encontrar uma lista em ordem alfabética das universidades (com direito a mapa) assim como as mesmas universidades separadas por região e tamanho.

Normalmente, informações sobre os cursos de mestrado e doutorado podem ser encontradas nas páginas das próprias universidades.

Paola escreveu um ótimo post sobre Mestrado e Doutorado na Suécia, passem lá e dêem uma conferida.

Mais informações sobre o ensino superior sueco pode ser encontrada nesta página (em inglês).

  • A palavra em sueco do dia é studera [sstudera], estudar

Reta final da maratona do sueco

É assim que estou me sentindo! Completamente exausta. A maratonado curso de sueco ainda não acabou. Ao contrário da maratona de Estocolmo que, como todas as outras começa e termina no mesmo dia. Aliás, ela ocorreu neste último sábado sob um calorão de dar inveja aos amigos franceses, mas tudo bem (fecha parênteses).

Estou na reta final, com mais dois dias pela frente. Por isso ainda estou correndo, como a moça aí ao lado!

É importante dizer que as provas deste ano para o tercero nível (Behörighetsgivande kurs – Curso que preenche às exigencias para se continuar os estudos na universidade) se igualaram em conteúdo e forma ao TISUS (teste de proficiência da língua sueca).

A primeira da série foi a prova de skriftlig composta também de läsförståelse (expressão e compreensão de texto, respectivamente) que ocorreu na última sexta-feira. 2h30 para escrever sobre um assunto que pegou todos de surpresa: Espaço – Esperança ou Ameaça. Vi muitas pessoas paradas, ou melhor, chocadas, durante muuito tempo. Algumas delas, inclusive, só começaram a escrever depois de 1h de prova.

A segunda metade da prova (läsförståelse) foi dividida em duas outras partes. A primeira: 5 textos de compreensão (aliás, bem complicadinhos), dos quais tirados 3 do Svenska Dagbladet – SvD, e mais dois textos com teor científico (um sobre a descoberta de uma doença e outro sobre física) para ler e responder questões em 1h. A segunda: um texto de cinco páginas (frente e verso) não para ler, mas para procurar respostas para quase 20 perguntas. O tempo: 35 minutos!

A carga de energia que coloquei para fazer essa prova foi tão grande que saí da universidade às 18h quase morta. A enxaqueca bateu e ficou. Corri para casa verde de fome, tomei o remédio que nao afeta meu sensível estômago (sim!! ainda tenho que contar essa!) e às 20h estava dormindo no sofá. Capotei seriamente

Hoje foi a dureza. A prova mais temida por essa pessoinha aqui: Muntlig!! Sinceramente, vejo essa palavra piscando em vermelho (e as vezes azul) quando fecho os olhos. É meu terror.
Três temas para se preparar com 10 dias de antecedencia:

  1. Sociedade de controle (nem sei se dizemos assim em português) com foco nas possibilidades de o poder controlar o indivíduo – várias palavras chaves foram dadas para que pesquisássemos sobre o assunto. Câmeras (na rua e/ou no trabalho), google, internet, número pessoal, ser vigiado,empresa, empregado, empregador, foram algumas delas.
  2. Esporte – comércio, encontro cultural, política. Foco nos Jogos Olimpicos na China em 2008. Boicote, política, publicidade, financiamento, patrocinio, terrorismo, nacionalismo etc.
  3. Técnicas de DNA – ajuda, ameaça ou ambas. Foco no uso dessas técnincas em diversas áreas. Arqueologia, biologia, análise de DNA, integridade, clone, doenças, etc.

O professor muito bonzinho nos deixou escolher o tema. No meu grupo, uma russa e uma polonesa (que diga-se de passagem, fala muuuito bem sueco). Pegamos o primeiro e a conversa rolou numa boa. Acabamos entrando pelo terceiro ponto e os 30 minutos passaram voando. Saí aliviada, completamente.

Amanha e quarta, vamos apresentar nosso projeto e opor outro, respectivamente. Sim, na Suécia é comum projetos de pesquisa serem elaborados em grupo ou mesmo em dupla! Pasmem! O nosso foi escrito a oito mãos. nada mais tranquilo do que fazer trabalho de grupo (o que francamente acho deveria ser o codinome do país). Aqui se faz trabalho em grupo demais!! Demais!! Não é exagero!

Mas bom, cruzem os dedos pois ainda tenho que beber muita água para continuar e correndo e cruzar sã (isso é muito importante!) na linha de chegada!

  • A segunda palavra em sueco do dia é springa [sprin[g]a], correr

As línguas Nórdicas

Desde agosto do ano passado, estudo Svenska som främmande språk (sueco como língua estrangeira) na Universidade de Estocolmo. Apesar do curso ser na uni, o nível é ginasial. Agora estou no nivel 3 (apesar de não existir nivel 1 😛 ) que este semestre mudou de nome. Agora ele se chama Behörighetsgivande kurs i svenska (Curso que te dá qualificações em sueco para cursar uma universidade).

O curso faz parte da Instituição para línguas Nórdicas (Institutionen för Nordiska Språk) que oferece cursos, além do sueco, de dinamarquês, noruguês, holandês, islandês, sueco antigo, gótico etc.

Hoje tivemos um seminário bastante interessante no qual as duas professoras dividiram as 3 horas de aulas em 2 momentos: Norueguês e Dinamarquês. Eu adorei!

A primeira professora, norueguesa, foi bastante simpática, comunicativa e capaz de prender nossa atenção. Ela falou em norueguês a aula inteira. Sim, inteirinha!!! Lembrei imediatamente da aula de Mércia. O tema da aula foi as duas variações de norueguês. Sim, esta eu não sabia. Na Noruega existe duas línguas, não como na Bélgica ou Canadá que tem o inglês e frances como línguas oficiais, mas norueguês e norueguês. 😕

Explico: segundo a professora, na Noruega existe duas variantes de norueguês: Nynorsk (novo norueguês) e o Bokmål (dano-norueguês). Para poder entender melhor, precisamos voltar um pouco no tempo.

A Noruega e a Dinamarca faziam parte de uma união estabelecida entre esses dois países a partir de 1450. No entanto a Noruega só deixou de ser um reino independente em 1536. Na aula, a professora explicou que com o domínio dinamarquês, a língua norueguesa escrita desapareceu, sendo substituída pelo dinamarquês.

Quando a união, na qual a Suécia anos depois veio fazer parte, finalmente acabou, 1813, a Suécia “levou para casa” a Noruega como prêmio de guerra. A dissolução da união Noruega-Suécia aconteceu pacificamente em 1905.

Mas foi ao final da primeira união (Noruega-Dinamarca) que os “problemas” linguísticos começaram.

O objetivo de se construir a língua escrita era claro, mas país entrou num dilema:

  1. Continuar escrever dinamarquês;
  2. “Noruguêsar” o dinamarquês
  3. Construir uma nova língua escrita com bases na língua oral.

Uma corrente liderada pelo linguista Ivar Aasen (o qual compilou vários dialetos e compôs o Nynorsk) defendia o radical abandono do dinamarquês e a rápida composição de uma língua norueguesa. A ligação entre a idéia de nação e língua para a formação de uma identidade nacional era bastante forte.

Do outro lado da corrente estava o linguísta, Knud Knudsen, o qual pregava a prudência e a construção da nova língua escrita atraves da língua falada. O Bokmål é o que poderíamos dizer da junção do norueguês falado com alguns traços de herança dinamarquesa na escrita.

Vocês devem estar se perguntando, sim, mas e no que deu o resultado?

Bom, a professora nos mostrou um mapa da Noruega onde em 1945 apenas 15% da população falava Nynorsk e 85% o Bokmål (mapa de 2007, para ele só as cores correspondem).

Hoje, o Bokmål é a língua dominante, apesar do forte lobby do Nynorsk (hoje minoria, mas em forte crescimento), e é usado nas escolas e repartições públicas.

Muitos devem estar pensando qual a vantagem em ter duas linguas que, em vez de facilitar, complicam a situação. Bom, primeiramente é uma idéia bastante excitante, do ponto de vista acadêmico e social. Acadêmico pois a língua está em constante evolução, entre outros. Social pelo fato de todos terem espaço na sociedade para se expressar através de sua língua nativa (vejam o caso do Paraguai – com o espanhol e guarani).

Lógico que tem inúmeros pontos negativos, entre eles o de aprender a língua. 😉

Achei interessantíssima a aula. Ahh, detalhe, conseguimos enterder tuuuudo!!

Bom, o segundo tempo começa com a professora dinamarquesa (uma figura!!). No entanto, a aula foi menos interessante que a anterior.

Ela falou de varias coisitas curiosas e depois nos mostrou quais as maiores diferenças entre o sueco e o dinamarquês, na escrita (pois no oral é praticamente impossível entender).

Uma curiosidade: A bandeira dinamarquesa é um símbolo de alegria, muito mais do que de nação. A bandeira é usada em festas, nascimentos e é sempre relacionada a algo festivo.

Ela lembrou dos últimos acontecimentos que envolveram a queima da bandeira dinamarquesa em vários países em demonstração de ódio contraas caricaturas de Maomé. Ela lembrou que em vez de raiva, seus conterrâneos sentiram uma tristeza profunda ao vê-la queimando.

O mais engraçado foi na hora em que ao começar o seminário alguém perguntou em que língua ela falaria (já que ninguém entende dinamarquês). Ela disse que falaria em “escandinavo” (ou seja, sueco) pois os suecos consideram sua língua como a principal. No entanto, ela rebateu com o seguinte dito:

O sueco (a língua) é o dinamarques falado de forma mais clara.

Entretanto, os suecos costumam dizer:

O dinamarquês (a língua) é o sueco falado quando se tem papa na boca

Em resumo, duas coisas saímos falando da sala:

1. Estudando sueco, ganhamos mais duas línguas no pacote (Norueguês e Dinamarquês), já que, apesar de díficil de falar e entender, de acordo com a segunda professora, em 3 semanas é possivel um falante da língua sueca entender e começar a balbuciar dinamarquês.

2. O sueco é definitivamente mais fácil de aprender que o norueguês e o dinamarquês!!

  • A palavra em sueco do dia é granne (ar) [granne], vizinho (s)