Faltam apenas 22 dias para as eleições na Suécia e as publicidades nas ruas já começaram a aparecer, os debates e entrevistas com os chefes dos partidos e suas coligações nas TVs estão a todo gás e a cada dia os jornais pegam mais um assunto na pauta das propostas para ser debatido.
Mais um sinal de que o dia em que será decidido se a Suécia voltará a ser governada pelos Sociais Democratas (em coligação com o partido de Esquerda e os Verdes) ou se continuará nas mãos da Aliança (coligação de quatro partidos de direita) é a chegada dos cartões de votação nas caixas de correios da população.
Sim pessoas, esse cartão de votação se assemelha ao nosso Título de Eleitor. Ele te informa o local de votação, a zona, quando e onde você pode votar além de indicar para quais votações você está apto a votar. Oficialmente, as eleições serão no dia 19 de setembro, mas para quem estiver impossibilitado de fazê-lo nesta data, poderá votar em avanço nos locais informados no cartão de votação.
Assim como no Brasil, as eleições ocorrem a cada quatro anos. Cidadãos suecos têm o direito de votar no parlamento, no “estado” ou “província” (Landstinget) e na cidade (kommun). Cidadãos da União Européia, Noruega e Islândia podem votar para a cidade e para a província, assim como os de outros países, estes apenas se o registro na Suécia datar de três anos antes da data da eleição. Tudo isso pode ser encontrado no site das eleições.
Este ano será minha primeira eleição como cidadã sueca e estou atenta aos debates e entrevistas. O voto é apenas uma das formas de poder influenciar a política de um país e não abro mão deste meu direito de forma alguma.
E para quem estiver curioso, vou votar nas eleições para presidente do Brasil. Transferi meu título de eleitor no início do ano e em outubro estarei na Embaixada com meu título na mão porque acredito no meu poder de eleitora.
Curiosidades:
Em um país com um pouco mais de nove milhões de habitantes, aproximadamente 7 milhões e 200 mil são autorizados a votar. 33% deles estão na faixa etária de 30-49 anos, 50,8% são mulheres e 7,1% vão votar pela primeira vez.
A palavra em sueco do dia é rösta [r[oe]sta], votar
Nunca encontrei essa menina mas me sinto confortável com ela. Cada email recebido ou mensagem deixada por ela aqui no blog me deixa feliz. Engraçado que durante esse tempo de “convivência” várias vezes percebemos que tinhamos escrito sobre os mesmos assuntos praticamente ao mesmo tempo.
Mas a borboleta, ou “brobuleta” como costumo chamá-la, está alçando um vôo verde amarelo e parte de volta ao Brasil varonil em nove dias. No final de semana passado ela fez uma festa de despedida junto com a do aniversário do filhote dela. Estava tudo certo para que eu “desvirtualizasse” nossa amizade, mas aos 45 minutos do segundo tempo não deu para ir. Fiquei muito triste, mas sempre pensando que um dia poderemos nos encontrar, seja aqui, na terrinha ou em qualquer lugar do mundo, já que borboletas não têm medo de voar.
Bom, ando bastante saudosa. Não exatamente do Brasil ou dos amigos, mas da minha infância, da minha avó paterna, de coisas que vivi com meus pais e principalmente com minha mãe, da capa de disco de Gilberto Gil “Luar” a qual eu adorava imaginar o que ele estava pensando, das músicas de Elis Regina que minha mãe costumava ouvir, cantar e dançar, dos acampamentos com meus pais….
Me peguei esta semana olhando as fotos da minha infância e vendo o como minha mãe ficou linda grávida de mim, dos olhares apaixonados dos meus pais e de como a história deles era bonita pelas fotos.
Sinto isso também quando leio os posts da “brobuleta” quando ela descreve sua família e quanto a gravidez de Marina está sendo revigorante. Vejo nas minhas fotos que assim como eu, Marina vai “se lembrar” de uma época em que estava no ventre da mãe e já compartilhava das mudanças, sentimentos e sensações vividas por sua mãe.
Fico aqui imaginando como nosso encontro teria sido e quantas horas de papo bobo ou cabeça iriamos “por em dia” ou mesmo como seria dar um abraço apertado na “brobuleta“. Bem, essa sensação que tenho de nos conhecermos há anos reflete a sintonia que tenho com esta “menina desconhecida” pois ela, assim como eu, gosta de expressar muito do que sente em letras de música que a tocam e deixar a sensibilidade ficar a flor da pele.
Por isso queria deixar registrado aqui para ela duas canções, de filha e mãe ou de mãe e filha que expressam o que sinto com sua partida e faz uma ligação com minhas lembranças e sua gravidez. A primeira é cantada pela filha, composta por Milton Nascimento e que eu amo de paixão. Para mim, essa música fala entre outras coisas sobre escolhas. Neste momento, ela descreve para mim a despedida da brobuleta da Suécia ou o encontro da dela com outros ares para bater asas.
Encontros e Despedidas
Composição: M. Nascimento E F. Brant
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar É a vida
A segunda é cantada pela mãe e composta por Belchior e que fala de mudanças e passado e presente. Nessa música eu vejo um pouco da brobuleta que se não tem medo do novo e que se rejuvenesce a cada recomeço.
Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Nunca mais teu pai falou: “She’s leaving home”
E meteu o pé na estrada “like a Rolling Stone”
Nunca mais você buscou sua menina
Para correr no seu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento
Amor e flor, quede o cartaz? No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano,
Eu pergunto ao passarinho: “Blackbird, o que se faz?”
“Raven never raven never raven”
Blackbird me responde
Tudo já ficou pra trás
“Raven never raven never raven”
Assum-preto me responde
O passado nunca mais
Você não sente, não vê Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos rejuvenescer
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Carlbom Foto, tillsammans med Kaffebrus, anordnar en fototävling med temat Sommarproträtt. Jag deltar i tävlingen med den här bilden som tagits under Marinas brollop i maj. En kort omrostning kommer att hållas för att välja de som kommer till final och de tre som får flesta röster kommer att få spännande priser.
Carlbom Foto, juntamente com o site Kaffebrus, está organizando uma competição com o tema Retrato de verão. Estou participando com esta foto tirada durante o casamento de Marina. Um curto período de votação vai acontecer logo após o último dia (18/06, às 20h – horário da Suécia) de onde sairão os finalistas. As três fotos mais votadas ganharão prêmios interessantinhos. Torçam por mim. Espero pelo menos chegar a final. Cruzem os dedos.
Bom, foi praticamente isso que fiz. Semana passada rolou um evento muito legal em Estocolmo que se chama Smaka på Stockholm (algo como Prove Estocolmo) e no dia seguinte parti para Londres. Sim, isso que vocês estão lendo. Estou em Londres e fico por quatro semanas. O objetivo é voltar para casa falando inglês como gente. Segundo minhas amigas experts, minha pronúncia é boa, mas como so falo sueco e português com o povo na Suécia, resultado? O inglês emperra e não sai.
Bom, primeiro vamos ao provatório. O evento durou cinco dias e terminou no dia Nacional da Suécia (dia em que eu deveria ter ido receber meu diploma e participar da festinha para os novos cidadãos suecos*). A idéia é a de que as pessoas possam provar a comida servida em diversos restaurantes da cidade, sem que para isso precise pagar muito.
A praça de Kungsträdgården foi preenchida com vários stands, os quais serviam pratos que variavam de costelas de porco, falafel, crepe, humus,frutos do mar em uma mistureba de países e sabores muito interessante. Cada restaurante trouxe seu menu com valores razoáveis e um ou dois pratos que no valor de 25 coroas (cerca de 6 reais), esses chamados de “Prove”. Além de restaurantes, a praça estava c-h-e-i-a de gente que saiu de casa para aproveitar o ensolarado domingo. Nem preciso dizer que comemos bastante e provamos a culinária de vários restaurantes da cidade por um precinho ótimo.
Além de provar Estocolmo com a boca e o estômago, fomos provar a cidade com os olhos. No dia nacional, acontecem vários eventos gratuitos na cidade como apresentações musicais, passeios guiados etc. Por pura curiosidade fomos ao Castelo Real (Kungliga Slottet) em Gamla Stan. O chato é que fotos não são permitidas, mas mesmo assim consegui tirar algumas.
No subsolo do castelo existe o Tesouro real, onde coroas, tronos, espadas e acessórios cheios de brilho, pompa e glamour estão guardados. O local era muito escuro e fotos era praticamente impossivel tirar. Lembro bem de uma coroa que vi onde os riquíssimos detalhes eram pessoas, rostos e mesmo atividades comerciais, em miniatura. Arte.
Chegamos em casa mortos de cansados e energia para fazer malas eu não tinha nenhuma.
Já a viagem para Londres começa lá em abril, quando na Páscoa decidi que queria fazer um curso de inglês no Reino Encantado de dona Beth em junho. Vi que poderia receber o crédito educativo, procurei uma escola legal, conversamos em casa e decidimos que seria uma boa idéia, principalmente porque iria respirar outros ares após o ocorrido em março. Comprei duas passagens, uma com partida dia 6 de março para Londres e volta no início de julho e outra para passar o Midsommar na Suécia. Ambas baratissimas, já que tudo foi feito com bastante antecedência.
O problema surgiu quando no dia anterior a minha viagem, ou seja, dia 5, percebo que a passagem para o dia 6 havia partida de Londres, e não de Estocolmo, como deveria ser. Entrei em pânico. A escola iria começar dia 7 e passagens em cima da hora são sempre caras. Para encurtar a história, depois de muito catar na Internet, achamos uma passagem um pouco mais cara do que comprei em abril, mas parti na segunda, dia 7 para uma doce e “solitária” aventura em terras encantadas.
Agora, vocês vão me dar licença que vou começar a me arrumar para ir encontrar a mana e Ale . Depois conto mais das minhas primeiras impressões e dos meus primeiros dias no Reino Encantado de Dona Beth.
* Para participar da festa deveríamos ter confirmado a presença até dia 28 de maio. Como pensei que iria viajar dia 6, no dia nacional, quando a cerimônia é realizada, não confirmei a presença. :( Quando descobri que não iria mais viajar na data, não poderia simplemente aparecer no local dizendo “ohh me desculpem mas eu marquei a minha viagem errada e agora quero participar.” Bom, o dia pelo menos nao foi perdido.
Engraçado como as coisas funcionam. A Suécia está em primeiro lugar entre os países onde os chefes de empresas são os mais legais, onde decisões são tomadas em grupo, onde existe uma maior compreensão entre os sexos e onde a cultura de chefes caracterizada de informal, com organização linear.
Imagem: Stock.Xchng
Talvez não exista nenhuma contradição ou nenhum problema entre o trecho acima e o que eu venha a escrever, mas eu consigo fazer uma ligação, mesma que rasa, entre os fatos. Penso que, de qualquer forma, a discussão é válida.
Ontem, liguei para o Procon (Konsumentverket) para pedir explicação sobre uma carta que recebi da minha operadora de telefonia móvel, Tele2, na qual consta a seguinte mensagem:
Olá,
Entre as faturas que enviamos a você descobrimos que esquecemos de cobrar uma parte das ligações realizadas durante este ano*. O valor que vamos debitar é o de xxx (sem impostos)** e será descrito na parte “Ligações realizadas na Suécia” na sua conta.
Pedimos desculpas pelo ocorrido. Caso você tenha alguma dúvida ou queira saber mais informações, entre na sua página no nisso site ou ligue para nosso serviço de atendimento ao consumidor.
Atenciosamente,
xxx
Chefe de Faturamento
Tele2 Suécia
* segundo o site da Tele2, as ligações pelas quais eles estão nos cobrando foram realizadas entre 1 de março de 2009 e 30 de março de 2010
** ao valor cobrado, adiciona-se os impostos.
Com essa brincadeirinha, vou pagar um pouco mais do dobro do que costumo pagar por mês e isso não é coisa que me deixa contente. Uma colega da universidade vai pagar mais de mil coroas, por exemplo.
Bom, liguei porque ao meu ver, a operadora não teria direito de cobrar por ligações que eu não tenho como saber se fiz. Na verdade, nem vou lembrar se fiz alguma das ligações que eles dizem que fiz e que não cobraram no tempo devido. Minha memoria de elefante não é tão grande quanto eles querem que seja!
Imagem: Stock.Xchg
O detalhe das ligações fornecido gratuitamente indica apenas a quantidade de minutos e o valor das ligações feitas entre telefones da minha operadora, entre telefones de outras operadoras e para o exterior. Caso você queira ver os números para quem você ligou, a operadora tem o direito de cobrar por essa informação.
Segundo o Procon sueco, que aqui não tem poder legal, apenas consultivo, as operadoras de telefonia tem o direito de faturar retroativamente em até TRÊS ANOS !!!!!!!! após a ligação ter sido feita. Isso quer dizer que se eu ligar para a tipa hoje e a operadora “esquecer” de faturar essa ligação para a conta do mês seguinte, ela ainda pode fazê-lo até maio de 2013. Após esse período, ocorre uma preescrição, ou seja, eles não podem fazer mais nada.
Além disso, o atendente da parte de reclamações de TV e telefonia me falou que após o pagamento das faturas, as companhias de telefone apagam do arquivo os detalhes das ligações.
Na minha conversa com o Procon, falei que esse sistema não protege o consumidor, visto que:
O consumidor teoricamente não tem acesso aos detalhes das contas já que as companhias apagam os detalhes após o pagamento. Daí a impossibilidade de controlar se elas faturam por ligações já realizadas ou se apenas nos “enfiam a fatura goela abaixo”;
Se caso o consumidor desejar sua conta detalhada, terá de pagar para fazê-lo.
O consumidor, mesmo aquele mais econômico, não anota cada ligação feita e provavelmente nem se lembra para quem ligou no dia anterior;
Ainda falei mais uma penca de bananas de argumentos, mas ele foi claro e repetiu que a operadora tem o direito de cobrar e que eu poderia ver os detalhes da minha conta no site da operadora.
A ligação entre os fatos
Talvez, como disse, seja uma comparação rasa, mas queria estimular uma discussão. Se a Suécia luta para ser um um país de igualdade, onde a compreensão e o diálogo são algo intríseco para a construção de uma sociedade mais igualitária, não consigo ver em que ponto os consumidores, neste caso não apenas uma peça do sistema capitalista, mas cidadãos, não conseguem ser protegido pela lei quando tantos pontos mostram claramente onde a corda arrebbenta com mais facilidade. Que igualdade é essa, então?
Talvez essa ligação seja um pouco exagerada, mas foi uma das primeiras coisas que pensei quando me senti, mais uma vez, sozinha e sem defesa. Haja vista o caso da máquina fotográfica em que recebi uma carta da polícia no início do ano dizendo que as investigações, as quais nem foram feitas, estavam sendo suspensas.
A palavra em sueco do dia é harm [rrarm], indignação
Em menos de três meses passei pela mesma situação duas vezes. Perdi duas pessoas que amo. Uma barra. A primeira, quatro dias após nossa chegada ao Brasil, em dezembro de 2009. Neste caso, meu avô materno. Meu querido “véio”. A dor da morte do meu avô foi aliviada pelo fato de que nós dois só nos víamos nas nossas viagens ao Brasil. Ele já não lembrava de ninguém há anos, mas a cada visita que eu fazia, riamos as turras.
A segunda pessoa foi apenas há seis dias. Na quarta-feira, 17 de março, minha sogra, mamma, como eu carinhosamente a chamava, partiu para uma longa viagem e deixou um lugar vazio nos corações de todos que a cercava. No meu não foi diferente.
Mamma dormindo no jardim num dia ensolarado de verão em Kopparberg
Ela foi uma pessoa muito especial na minha vida. Sempre me tratou carinhosamente o que fez nossa relação se aprofundar a cada conversa sobre família, cultura, tradições e modo de vida. Foi com ela que aprendi a fazer pão, a plantar, a apreciar estar na natureza, a colher cogumelos na floresta, a dançar a musiquinha do sapo no midsommar além de tricotar e a entender como a família viking funciona. Kopparberg, onde ela tem sua casa de campo, será um dos lugares mais difíceis de voltar sem ela. Já que lá era o “nosso cantinho”, onde eu consigo dormir profundamente durante uma noite inteira, onde aprendi tanta coisa, onde vivi tantos momentos especiais e onde aprofundávamos nossa relação constantemente, tantas lembranças. Agora, apenas lembranças….
Foto: Guenter M. Kirchweger (Stock.Xchng)
Fico feliz por ela ter conhecido minha mãe e dois dos meus primos. Ela sempre falava deles e pedia para mandar lembranças. Uma pessoa difícil de não gostar, tão meiga que era.
O curioso é que seu interesse pelo Brasil estava muito aflorado nos últimos tempos. Ela assistia a todo e qualquer documentário sobre o país, gostou de ler Jorge Amado, ficou super feliz quando ganhou refis do óleo trifásico de maracujá da Natura, amou o mel que trouxemos para ela, ficou encantada com a música de Marcos Souza durante o encerramento do BrasilCine 2009, queria ganhar de presente uma semente de cacau e chorou de alegria ao ver nossas fotos no Brasil e perceber o brilho de felicidade nos olhos do meu viking.
Nunca mais esqueço quando a mesma me falou que fui a melhor coisa que aconteceu na vida do meu viking. Ela realmente gostava muito de mim e deixava isso transparecer em cada abraço apertado que ganhei ao chegar e ao partir.
Como disse, nossa relação era muito profunda, íntima e especial e a passagem de mamma para um outro plano me abateu mais do que eu imaginava. Meu viking está aparentemente bem. Eu não posso dizer o mesmo, apesar de estar tentando. Uma tristeza profunda, crises de choro repentinas e falta de concentração. Talvez minha hipersensibilidade reforça ainda mais minha alma melancólica, fazendo com que sentimentos sejam potencializados.
Amo essa foto. Ela foi tirada em 2005 em uma das minhas visitas à Suécia. Um lugar lindo que ela gostava bastante - Bergianska Trädgården..
Quando tudo aconteceu, estávamos quase todos no quarto do hospital. Ela já não nos respondia nada desde o dia anterior, mas sentíamos sua respiração mudar quando conversávamos com ela. Às 19h50 do dia 17, sua respiração parou de vez após eu dizer baixinho em seu ouvido quem estava presente no quarto, como ela era amada por todos que alí estavam e que a mesma estava rodeada de muito amor. Dei um xero em sua cabeça, senti seu pulso parar, sua respiração cessar.
Após comunicar a alguns familiares, eu fiquei em estado de choque. Nunca me vi desta forma. Chorei copiosamente durante uma hora sem conseguir respirar direito. Uma imensa dor no peito me abateu, abracei meu viking e liguei para minha mãe. Me acalmei. Mas os dias seguintes foram (e estão sendo) muito difíceis. Agora é preparar o velório e o enterro*.
Sei que em ambos os casos, foi o melhor para eles. Estavam sofrendo bastante. Tenho plena consciência de que não sou preparada para perder (ou me separar delas) pessoas, em todos os sentidos.
Queria escrever muito mais, mas… tá difícil.
*esses dois pontos bastante especiais na Suécia posso comentar depois.
Queria estar com tempo para escrever mais. O blog está quase às traças, eu sei, mas vou tentar aos poucos voltar a um ritmo de postagens aceitaveis para mim. Desde que chegamos do Brasil, há exatamente uma semana, não parei um minuto sequer.
As aula começaram imediatamente e com a surpresa de pagar duas cadeiras ao mesmo tempo. Voltei com um gás incrível e estou super empolgada com os estudos. O que não anima são algumas das malas para desfazer que ainda estão ocupando uma parte da nossa salinha. O clima está do jeito que gosto, neve, frio e com a previsão de esfriar ainda mais nos próximos dias. Ou mesmo em fevereiro, o mês mais pesado do inverno. E eu, sorrindo.
Antes de escrever algo sobre o Brasil, e postar algumas fotos, preciso comentar sobre as cadeiras que estou pagando no início deste semestre na faculdade. A primeira delas chama-se IIOS (IT för individ, organisation och samhälle), ou seja, Tecnologia da Informação para o indivíduo, organização e sociedade. É uma cadeira mais teórica do que as que já paguei até agora no curso, mas com um conteúdo mais prático. Explico.
Encaro IIOS como um curso de estratégia, análise, planejamento e implementação de projetos. Durante o curso, teremos dois exerícios vitais, com foco mais aprofundado no segundo deles. O primeiro é servir de cliente, encontrar um problema real, descreve-lo e solicitar uma solução; escrever um projeto e entregar. Nosso grupo já fez tudo isso.
“Quem somos” :a cadeia de restaurantes fast-food sueca Max.
"Os melhores Hambúrgeres da Suécia" é o slogan do MAX. Imagem: divulgação
“Nosso” problema: as grandes filas nos horários de pico nas lojas do centro de Estocolmo. Alguns dos restaurantes Max já possuem telas nas entradas dos restaurantes nas quais você pode sozinho adiantar seu pedido e ser atendido em um caixa rápido para o pagamento e o recebimento da refeição, reduzindo assim as filas de espera. (Uma das exigências do exercício foi a já existência de um sistema). No entanto, o que queremos é simples. Um sistema que diminua ainda mais as filas, seja mais rápido, eficientes, simples e seguro para o cliente.
A solução: bom, esta parte do projeto ficará para outro grupo. Esta é a segunda parte do exercício a qual me referi acima. A nossa equipe ficará responsável pela solução do problema de um dos outros cinco grupos que compõem nossa subdividida sala (no total somos 12 grupos de 4-5 pessoas)
Assim que souber mais detalhes da segunda fase, passo por aqui e atualizo as informações. Eu estou suuuper empolgada.
Já o segundo curso chama-se DBDM (Databaser och Datamodellering), que significa Base/Banco de Dados e Modelagem de dados. Neste curso vamos aprender a planejar no papel a construção e a organização de um banco de dados (BD) para em seguida fazer com que esta informação seja “traduzida” para um banco de dados que nós mesmos iremos contruir.
Ao final desta cadeira, é esperado que o aluno possua competência para trabalhar com programas de banco de dados assim como construir um BD bem estruturado e acessível. Eu estou adorando desenhar retângulos, losangos, círculos e fazer com que os objetos neles se relacionem, transformar essas informações em tabelas e entender como coisas do dia a dia nesta minha vida high-tech funcionam.
Reprodução de uma modelagem de banco de dados do livro Databasteknik (databasteknik.se)
Por mais que seja complicado e mais difícil do que pareça, este desafio está com um gostinho muito bom.
A única coisa que desanima é que até a metade deste semestre terei duas provas. DETESTO provas! Mas bom, nem tudo é perfeito!
Siiiim!! Fui aprovada em todas as cadeiras do semestre passado!!
A palavra em sueco do dia é bygga [b(uy)ga], construir
A ligação dos nativos com a música é marcante. Não apenas porque música na Suécia é uma disciplina eletiva no ensino fundamental e médio, mas também pelo grande número de eventos musicais e programas de TV que tratam do tema. Vide o engajamento da população relativo ao melodifestivalen (festival da canção), Ídolos, e programas do gênero.
Bom, abaixo, traduzo trechos de uma reportagem sobre o ensino de música na Suécia.
O aprenzidado de música no ensino médio trata, em grande parte, de os alunos aprenderem a tocar guitarra, baixo e bateria. O objetivo é o de montar uma banda e ensaiar as próprias músicas. Aqueles que já possuem experiência em tocar numa banda, na maioria dos casos, meninos, conseguem concluir bem o curso. No entanto, aqueles que tocam, por exemplo, em escolas de música do município não se sentem “em casa”, além daqueles que não possuem nenhum tipo de experiência musical.
Åsa Bergman acredita que o fato de as meninas não concluirem o curso de música com sucesso, apesar de serem boas em outras matérias, depende de que a imagem de músicos de rock estar ligada a homens. [...]
O fato de o ensino de música na Suécia é construído em torno de bandas de rock é uma herança dos anos 70, quando queria-se construir um ensino que agradasse o interesse musical dos alunos.
Hoje, 13 de dezembro é o dia de Santa Lucia e calhou de ser o terceiro advento (apenas mais um domingo antes do Natal!). Quanto a Lucia, já contei a história da moça em outra ocasião.
Este findi foi de celebrações. No sábado festejamos com os parentes e hoje com a família. Natal antecipado por conta de nossa viagem. Foi tudo muito fofo e gostoso. Fizemos potatisgratäng (Gratinado de batatas) vegan e normal além de chokladbiskvier (Bisqui de chocolate). Todos amaram.
No sábado, bebi uns quatro copinhos de glögg. Estava uma delícia! Glögg é o que no Brasil, mais precisamente no sul, chama-se de quentão. É um vinho temperadinho (canela, cardemuma, licor, açúcar, passas, amêndoas) muito saboroso.
O que bebi foi o lätt glögg (glögg sem muito álcool). No quentão sueco é tradição colocar na bebida uvas passas e amêndoas. Humm gostosinho!!
Edição especial 2009
Glögg é sinônimo de Natal na Suécia. As pessoas normalmente começam a se reunir para festejar o advento (quatro no total) em companhia do glögg, pepparkakor e lussebulle (quentão, biscoito de gengibre e paozinho com açafrão). Na verdade, tudo nessa época do ano é motivo de reunião em companhia do glögg, que aquece e da sabor aos encontros. Os nativos costumam consumí-lo do primeiro advento até o trettondedag knutt, onde se desmonta (ou melhor, joga-se fora) a árvore de Natal (20 dias após o Natal).
A marca Blossa Glögg lança uma edição especial anualmente, além da tradicional. Para os amantes das edições especiais de anos anteriores, a marca ainda presenteia os consumidores com versões em miniatura (fofíssimas) das mesmas. Na casa de Paola provei o glögg de 2006 , o da garrafa branca abaixo, e foi a que mais gostei até agora. Este ano, a garrafa é laranja e não por menos, o sabor é de clementina.
Miniaturas das edições especiais dos anos anteriores
O site da Wikipedia sobre marca Blossa Glögg, pertencente a Vin & Sprit (empresa originalmente sueca vendida para a francesa Ricard há um ou dois anos), traz a marca de quase cinco milhões de garrafas de glögg produzidas anualmente (em 1950 foram fabricadas apenas 750 mil).
É bom lembrar que essa bebida é apenas vendida no Systembolaget, empresa estatal de venda de bebidas alcóolicas. As de baixo teor alcóolico podem ser encontradas em qualquer supermercado.
Estou muito contente com o resultado da cadeira de Design Gráfico (Grafisk Design) que acabou há um pouco mais de um mês. As notas foram só publicadas na última sexta feira, com algumas semanas de atraso, acabando com a aflição coletiva. Fui aprovada com VG (Väl Godkänt), trocando em miúdos, aprovada com mérito, tanto para os trabalhos individuais quanto para o projeto em grupo.
Foram três os trabalhos individuais: tipografia, ilustração e layout. No primeiro deles, o mais fácil de todos, recebemos quatro palavras, as quais deveriam ser apresentadas com diferentes tipos de fontes além de um texto que justificasse a escolha da fonte utilizada e suas características.
Escolhi aprensentar as palavras desta forma mesmo sabendo que estaria quebrando um dos pontos solicitados no exercício, o de que as palavras vizinhas fossem dispostas na mesma linha. Justifiquei a escolha oralmente e o professor se mostrou muito satisfeito. Para minha sorte.
O segundo trabalho individual foi o meu maior desafio neste curso. Nunca havia aberto o Adobe Illustrator antes deste curso e o exercício consistia em fazer uma ilustração nossa baseada em uma fotografia. Tentei fazer este trabalho em diversas fotos, em vão, e nem o exemplar entregue satisfez minhas exigências.
Foto de 2004 com minha bonequinha francesa e ilustração
O terceiro e último trabalho individual consistia em copiar o mais próximo possível o modelo de layout de um jornal ou revista. Escolhi o caderno de cultura do DN e tentei chegar o mais perto possível das medidas originais do jornal, inclusive fonte, tamanho e cores.
Fotos e texto foram fornecidos pelo professor. O desafio foi fazer o conteúdo caber exatamente nas medidas do jornal, sem sacrificar o texto. As fotos ao lado não estão bem alinhadas, mas o documento final, tanto impresso quanto na tela saiu com um resultado ótimo.
Fiquei satisfeita com meus trabalhos individuais.
Quanto ao trabalho em grupo, acredito que o objetivo seria de resumir as habilidades dos trabalhos individuais em um grande projeto. Não tenho nada a reclamar. Peguei um grupo super bom com meninas responsáveis e com sistema de trabalho que se assemelha ao meu. Conseguimos terminar antes do prazo final e todas, sem excessão, gostaram do resultado final.
Deveríamos escolher uma associação ou organização não governamental e construir um perfil gráfico (cores, fontes, formas) assim como produzir um cartaz, um folheto e um skiss de um site.
Escolhemos a associação Maskrosbarn (literalmente criança dente-de-leão) a qual dá suporte a crianças e adultos que de alguma forma conseguem/conseguiram construir boas relações sociais apesar de uma vida/infância extremamente difícil ( pais com problemas psicológicos, drogados, alcoólicos etc).
Atual site da associação
Como vocês podem ver acima, a associação trabalha com cores vivas/fortes. Esta foi uma das primeiras características que nosso grupo escolheu modificar. Todas concordaram que o melhor a fazer era trabalhar com cores suaves/frias, que em suas características aportam calma e tranquilidade. Escolhemos um tom suave de verde.
Cartaz. "Você é uma criança dente-de-leão?"
Um outro ponto de fácil acordo entre nós foi o fato de trabalharmos com ilustrações em vez de fotografias. Acreditamos que um assunto tão delicado não seria fácil de trabalhar com fotografias. Então, decidimos modificar personagens do brinquedo Lego e ilustrar situações que essas pessoas (crianças dente-de-leão) poderiam passar no folheto e no cartaz.
Uma das oito páginas do folheto
Também retrabalhamos a logomarca, a estrutura do site e decidimos usar perguntas para que o público alvo pudesse se reconhecer no nosso material gráfico.
Skiss do site construido pelo grupo.
A palavra em sueco do dia é utmaning [utmãning], desafio, provocação