Você sabe que é sueco…(IX)

…se você acha que Tomas Ledin é sinônimo de verão.

Uma das músicas mais conhecidas de Tomas Ledin é Sommaren är kort (O verão é curto), lançada em 1983, na qual ele descreve características do verão como céu azul sem alguma nuvem , água quente, a ausência de chuva, etc e o que se pode faze durante esta estação do ano.

O mais interessante da música (ao meu ver!) é o refrão no qual ele canta:

hosten kommer snart (o outono chega já)
det går med vindens fart (chega na velocidade do vento)
så lyssna på mig (então me ouça)
solen skiner kanske bara idag (o sol está brilhando talvez apenas hoje)”

O que tem muito a ver com outra característica nativa.

Do livro: Du vet att du är svensk…

Veja os outros posts da série em Ser sueco é…

Você sabe que é sueco…(VII)

…se você assina o jornal local apenas para ler os anúncios de morte e a grade de TV.

😯

Minha professora de sueco do SFI costumava dizer que isto é um habito dos aposentados mais velhinhos que procuram por antigos companheiros nos anúncios de morte!!

Do livro: Du vet att du är svensk…

Veja os outros posts da série em Ser sueco é… 

Como hoje é terça-feira gorda e na Suécia o Carnaval não é festejado, vale dar uma conferida no texto que Joana escreveu no Brassar: A história do Semla, um pãozinho recheado com massa de amêndoas e chantilly típico sueca que costuma ser consumido no dia de hoje.

Semla (Foto: Aftonbladet.se)

Acabei de me dar conta: O Enquanto isso, na terra dos vikings recebeu seu milésimo comentário nesse post aqui. A Meiroca foi a “comentadora” de número 1000!!! Amore, me manda teu endereço por email. Vou te enviar um presentinho. 😉

Os suecos vistos por estrangeiros

No jornal de hoje, foi publicada uma reportagem (que infelizmente não está disponível online) onde quatro estrangeiros dizem como os suecos são/se comportam a partir do ponto de vista de sua origem, ou seja, sempre comparando com sua cultura. Eu e meu viking rimos bastante. Inclusive  ele concordou com muitas coisas ditas pelos entrevistados. Vamos as partes mais interessantes:

Doris Jinwen Li, chinesa, 22 anos, mora na Suécia desde 2001

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Adolescentes na Suécia e na China são bem parecidos mas existem várias coisas que nos distinguem. O olhar sobre a comida, por exemplo. Quando encontramos alguém na China perguntamos “Você comeu? em vez de “Como você está?”. Tudo gira em torno da comida, não em torno da bebida como na Suécia. […]

No que diz respeito ao dinheiro, as coisas também são diferentes. Aqui, quando se sai para comer,  cada paga por si. Isso não faríamos. Aquele que convidou é sempre o que paga. 

Um dia eu ia de carro para algum lugar longe e um homem que estava no veículo comprou biscoitos para ele e disse que não tinha problema se os outros no carro provassem. Isso pode se dizer na Suécia. Na China é feio não dividir o que se tem com os outros.

Suecos são bons para doar dinheiro para causas humanitárias, mas não se importam muito com seus parentes. […] Os jovens não respeitam os mais velhos. […] Eles não expressam sentimentos no rosto então é difícil entender o que eles realmente querem dizer […].

Colin Moon, inglês, 51 anos, mora na Suécia desde 1998.

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O mais difícil de em trabalhar com suecos é que eles nunca conseguem tomar uma decisão. Tudo tem que ser fundamentado. Eles mesmo inventaram a palavra “processo de fundamentação – forankringsprocess“. Todos devem dar sua opinião e a decisão so é tomada democraticamente. Isso faz com que as pessoas achem que os suecos não são flexíveis. Diferente dos Estados Unidos, onde tempo é dinheiro, na Suécia as coisas podem levar o tempo que for, desde que o resultado seja bom. Quando algo precisa ser mudado, por exemplo, todo o processo é reavaliado.

A melhor forma de motivar um sueco não é pelo dinheiro, mas pela responsabilidade. Particiar e influenciar é mais importante do que um aumento de salário. Por outro lado, não tem ninguém que assuma a responsabilidade quando algo dá errado.

Ir jantar na casa de um sueco é também uma experiencia especial. Primeiramente deve-se dar a husesyn, a olhada na casa, como os suecos costumam chamar. Antes que os convidados cheguem, é comum que os suecos limpem a casa minuciosamente, inclusive dentro dos armários, para depois espalhar velas pela casa inteira. Suecos amam velas.

Quando é hora de comer, fala-se muito da comida e de como foi feita. Suecos costumam dizer “estava bom” mesmo se ainda estão comendo. O mais engraçado são os guardanapos em forma e cores da bandeira da Suécia com as quais os nativos limpam a boca. Você pode imaginar um americano fazendo isso com a sua bandeira?

Uma coisa que me incomoda muito é que os suecos são tão cuidadosos e que sempre escolhem o que é suficiente (lagom). Um exemplo disso é quando todos escolhem dirigir na fila do meio nas auto estradas. Mas é claro que existem coisas que eu admiro nos suecos como por exemplo quando tomam conta dos filhos. Os homens suecos, quando pais, são tão carinhosos! Em geral, suecos são bons ouvintes. Eles captam a atmosfera em diferentes contextos sociais e levam tempo para refletir.

Audrey Lebioda, francesa, 30 anos, mora na Suécia desde 1999

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Os suecos se importam pelo próximo de uma forma que os franceses não fazem. É engraçado como podemos encontrar uma luva perdida que alguém pendurou em uma arvore apenas para que alguém possa encontrá-la. Na França nunca que iriamos pensar que alguém poderia fazer o mesmo trajeto de volta para encontrá-la. Vejo com muita frequência bicicletas na rua sem cadeado. Eles ficam muito tristes quando as mesmas são roubadas. Acho que é inocência acreditar que todos são bons.

Uma coisa que é típica sueca é que eles tem muito medo de conflito e evitam machucar o próximo. Se eu pronunciar algo errado ou faço algo estranho vai levar um tempo muito grande até que um me corrija. Durante muito tempo eu disse heller hur em vez de eller hur (não é?!) e quando um colega apontou o erro aconteceu om um exagerado cuidado.[…] Suecos agradecem por tudo.

A idéia de tempo também é uma coisa que nos diferencia. Aqui sempre se chega na hora, na verdade, mais cedo do que o esperado. […] Uma outra coisa é que os suecos confiam muito nas autoridades públicas. […] Suecos reclamam mas esperam que os outros resolvam o problema.

Alexandros Varelopoulos, grego, 24 anos, em visita a namorada sueca, está aqui desde 2008.

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Gosto muito da Suécia porque aqui tudo é muito limpo. Aqui é tudo organizado. Se um ônibus na Grécia deve chegar as 17h, ele pode certamente chegas às 17h10. Na Suécia, sabe-se que o ônibus chegam na hora. Na Suécia existe um plano para tudo. É uma mentalidade especial. Claro que existem muitas regras para que tudo funcione. Suecos saem com as regras na cabeça e não ousam quebrá-las. Muitos dizem “Isto não pode se fazer”. Eles são educados assim. […]

  • A palavra em sueco do dia é beteende , [bêtêênde], comportamento

Hábitos sanitários dos europeus

Não se assustem! Não segui ninguém por aí nem instalei cameras em benheiros de cafés da cidade (como um louco fez ano passado). O motivo do título é por causa de uma matéria que fala de uma pesquisa sobre o que os suecos mais apreciam em fazer no banheiro. Cômico! 

Na verdade, a pesquisa fala dos hábitos dos europeus no banheiro.

Um detalhe: Tanto em frances como  em sueco existem palavras distintas para denominar o local onde se toma banho e o local onde as “necessidades biológicas de segunda linha” são feitas: Badrum e Toallet (que também é o nome do vaso sanitário). Em alguns prédios e algumas casas, a casa de banho (badrum) e o toalett são em locais diferentes.

Aqui segue a reportagem:

Leem com mais frequência jornais no banheiro

Os suecos vão mais vezes ao banheiro que outros europeus para dar uma pausa do trabalho. Além disso, lemos com mais frequência jornais na “casinha secreta” e ficamos mais raivosos que nossos amigos europeus se o papel higiênico acaba. Isto é mostrado numa recente estatística da Companhia de Higiene e Floresta (SCA).

Mesmo se o banheiro público não é considerado o melhor local para os entrevistados, muitos deles arrumam um jeito para aproveitar o melhor o tempo que são obrigados a estárem la. Suecos leem com mais frequência jornais que outros europeus no banheiro, enquanto que russos combinam o dever de estar no banheiro com o prazer de falar ao telefone. 6% aproveitam o tempo para enviar email enquanto que 3% trabalham com computador enquanto estão sentados no trono de porcelana.

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Segundo a pesquisa da SCA, que inclui 2533 pessoas da Rússia, Inglaterra, França, Alemanha e Suécia, a aparência e a limpeza do banheiro são decisivas para que, por exemplo, uma pessoa retorne ou não a um restaurante. 25% dos entrevistados declaram que estão dispostos a deixar um restaurante direto se o banheiro estiver sujo. Para o russos e alemães, o design do vaso sanitário é extremamente importante.

No entanto, o standard dos banheiros públicos não é decisivo apenas em  restaurantes. Até os médicos precisam prestar atenção. 54% dos entrevistados disseram que não voltariam a se consultar com um médico se o banheiro da recepção não estivesse limpo. Além disso, a maioria afirma que um banheiro sujo é pior do que esperar muito tempo para ser atendido.

Em se tratando de limpeza pessoal do “visitante”, os britânicos são os que lavam mais as mãos após a visita. 19% deles lavam as mãos mais que 10 vezes por dia. Os franceses são mais preocupados com bactérias e preferem evitar idas a banheiros públicos. Por outro lado, os suecos parecem se preocupar bastante  quando precisam ir ao banheiro fora de casa.

papel_higienico

Em sua maioria, as pessoas relacionam banheiros públicos a um grande ou pequeno desconforto e preferem evitá-los. 94% deles acreditam que, num momento de grande necessidade, o importante é que exista papel higiênico em grande quantidade. 56% acham que o mais importante é que não exista papel higiênico no chão.

Caroline Thorén

  • A palavra em sueco do dia é toalettpapper , [tôalétpáper], papel higiênico

Da série: Você sabe que é sueco…(I)

…se você nunca esquece de contar como está o tempo e o café quando envia um cartão postal de onde você está passando as férias.

Uma nova série. Ano passado, uma das tipas me deu um livro de presente  chamado Du vet att du är svensk…, o título do post. Eu li o livro de uma tacada só. Adorei, ri muito e até já me reconheci em algumas das frases típicas que descrevem tão bem os nativos. :rool:

Para compartilhar com vocês o que o livro descreve como características que são únicas dos suecos, vou publicando algumas das frases ao longo do ano.

Prestação de contas: balanço do curso de sueco

Elaine foi uma das pessoas que me perguntou sobre o final da maratona do curso de sueco que fiz na Universidade de Estocolmo e quais foram minhas impressões. Na verdade, não sei nem por onde começar.

Bom, vamos recapitular um pouco. Quando terminei o SFI, me sentia bastante confiante. Afinal, tive um excelente experiência: professores ótimos e uma turma super integrada. Minha passagem pelo SAS G foi bem rápida, nada que me deixasse sequelas irreversíveis. Ao fazer a prova da uni, pensei que entraria num nível mais avançado e ao avaliar o teste, senti que estava no caminho certo.

O curso é dividido em dois semestres, cada um com quatro disciplinas. No primeiro deles (chamado de nível 2, dã!), tive logo de cara uma experiência traumatizante. Esta professora, por sinal, foi uma das melhores que tive durante todo o curso, pode acreditar!

Ainda neste semestre, o único que possui aula de gramática, tive a má sorte de pegar uma professora incompetente e despreparada (lembrem-se deste adjetivo, ainda vou usar muito por aqui!). Sim, porque ela nunca corrigia os exercícios corretamente, se esquivava em responder nossas dúvidas e sempre empurrava a possível resposta para a próxima aula. Ela costumava dizer que dúvidas podem ser tiradas com a gramática e não com um professor. Em outro grupo, no qual uma das minhas colegas estudou, havia uma professora de gramática excelente. Foi apenas falta de sorte minha.

O curso de oral foi um dos mais produtivos, apesar de acreditar que não precisamos ler livros de literatura num curso de oral. Isso não ajuda a desenvolver a linguagem falada (principalmente se você lê um livro escrito no final do século 19 com palavras que nem mais existem). O argumento de ler tais livros é ter assunto para poder discutir em sala. Ora, se você quer medir a desenvoltura oral, porque não utilizar assuntos cotidianos e usar jornais como material de trabalho?

Terminei o nível 2 aliviada, desgostosa e um pouco decepcionada.

Mas minha real decepção veio com o nivel 3. O show de despreparo dos professores é incrivel (ou é isso ou meu nivel de exigëncia é extremamente elevado!). Como no nível 2, este também é dividido em 4 disciplinas.

A disciplina de oral, foi dividida com dois professores. Na primeira parte, escrevíamos e líamos mais do que falávamos. Na segunda parte, usamos um dos livros da perdida (o curso foi com ela), fazíamos correções de frases e discutíamos o porquê dos erros. Foi que salvou o curso (na verdade foi mais uma aula de gramática do que oral).

Numa outra disciplina, o professor responsável era despreparado (no sentido de não preparar aula do dia seguinte e de não saber explicar o porque das coisas), incoerente (um dia afirmava que o céu era azul e no outro dia dizia que era verde), irresponsável e sem critério. Eu simplesmente não tinha paciência.

Além disso, todos eles nos tratavam como se estivéssemos no jardim da infância.

Ao final de cada semestre, eles nos dão questionários de avaliação de qualidade, onde o aluno pode escrever o que o curso precisa melhorar. Apesar de não servir mais para quem esta finalizando o curso, existe sempre a esperança de que um dia algo evolua para melhor.

Procuro também ver as coisas pelo lado positivo. Acredito que foi uma experiência interessante e enriquecedora. Mas do ponto de vista acadêmico, decepcionante. Não desaconselho ninguem a não fazer o curso. Muito pelo contrário. Estimulo todos que me perguntam, pois o balanço deste curso só é válido para a minha pessoa. É um ponto de vista meu e de mais ninguém (mesmo se existam outros descontentes por ai).

Provavelmente vão existir outros que passaram ou passarão pelos mesmos professores e terão outras opinições a respeito. Por isso, não desanimem ao ler este post. Como disse mais acima, meu grau de exigência é bastante elevado e o de paciência pelo não cumprimento desse grau é inversamente proporcional.

  • A palavra em sueco do dia é balansräkning [balans-r*ékning] , balanço

Este R (r*) é para ser pronunciado como na palavra CARO.