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julho 14th, 2010 | Author:

Nunca encontrei essa menina mas me sinto confortável com ela. Cada email recebido ou mensagem deixada por ela aqui no blog me deixa feliz. Engraçado que durante esse tempo de “convivência” várias vezes percebemos que tinhamos escrito sobre os mesmos assuntos praticamente ao mesmo tempo.

Mas a borboleta, ou “brobuleta” como costumo chamá-la, está alçando um vôo verde amarelo e parte de volta ao Brasil varonil em nove dias. No final de semana passado ela fez uma festa de despedida junto com a do aniversário do filhote dela. Estava tudo certo para que eu “desvirtualizasse” nossa amizade, mas aos 45 minutos do segundo tempo não deu para ir. Fiquei muito triste, mas sempre pensando que um dia poderemos nos encontrar, seja aqui, na terrinha ou em qualquer lugar do mundo, já que borboletas não têm medo de voar. ;)

Bom, ando bastante saudosa. Não exatamente do Brasil ou dos amigos, mas da minha infância, da minha avó paterna, de coisas que vivi com meus pais e principalmente com minha mãe, da capa de disco de Gilberto Gil “Luar” a qual eu adorava imaginar o que ele estava pensando, das músicas de Elis Regina que minha mãe costumava ouvir, cantar e dançar, dos acampamentos com meus pais….

Me peguei esta semana olhando as fotos da minha infância e vendo o como minha mãe ficou linda grávida de mim, dos olhares apaixonados dos meus pais e de como a história deles era bonita pelas fotos. :)

Sinto isso também quando leio os posts da “brobuleta” quando ela descreve sua família e quanto a gravidez de Marina está sendo revigorante. Vejo nas minhas fotos que assim como eu, Marina vai “se lembrar” de uma época em que estava no ventre da mãe e já compartilhava das mudanças, sentimentos e sensações vividas por sua mãe.

Fico aqui imaginando como nosso encontro teria sido e quantas horas de papo bobo ou cabeça iriamos “por em dia” ou mesmo como seria dar um abraço apertado na “brobuleta“. Bem, essa sensação que tenho de nos conhecermos há anos reflete a sintonia que tenho com esta “menina desconhecida” pois ela, assim como eu, gosta de expressar muito do que sente em letras de música que a tocam e deixar a sensibilidade ficar a flor da pele.

Por isso queria deixar registrado aqui para ela duas canções, de filha e mãe ou de mãe e filha que expressam o que sinto com sua partida e faz uma ligação com minhas lembranças e sua gravidez. A primeira é cantada pela filha, composta por Milton Nascimento e que eu amo de paixão. Para mim, essa música fala entre outras coisas sobre escolhas. Neste momento, ela descreve para mim a despedida da brobuleta da Suécia ou o encontro da dela com outros ares para bater asas.

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Encontros e Despedidas
Composição: M. Nascimento E F. Brant

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica

Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida

A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

A segunda é cantada pela mãe e composta por Belchior e  que fala de mudanças e passado e presente. Nessa música eu vejo um pouco da brobuleta que se não tem medo do novo e que se rejuvenesce a cada recomeço.

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Velha Roupa Colorida
Composição: Belchior

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais teu pai falou: “She’s leaving home”
E meteu o pé na estrada “like a Rolling Stone”
Nunca mais você buscou sua menina
Para correr no seu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento
Amor e flor, quede o cartaz?
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano,
Eu pergunto ao passarinho: “Blackbird, o que se faz?”
“Raven never raven never raven”
Blackbird me responde
Tudo já ficou pra trás
“Raven never raven never raven”
Assum-preto me responde
O passado nunca mais

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos rejuvenescer

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