Ensino a Distância na Suécia: minhas considerações

Lys, do Universo Desconexo, comecou um papo interessante sobre ensino a distância (EaD) aqui e aqui. Estava para escrever um post sobre isso há algum tempo, mas agora vou aproveitar o gancho e fazer minhas considerações. Tentei comentar no Universo Desconexo, mas não consegui, por isso escrevo aqui e aproveito para inserir outras informações.

Desde o primeiro semestre deste ano estou fazendo cursos a distância (distanskurs) através da plataforma Athena do Liber Hermods (um dos pioneiros – pelo menos na Suécia, ja que começaram em  1898 – no que diz respeito a ensino a distância). Comecei no steg 4 de Ingles (o que, se não me engano, equivale ao curso normal para o s nativos de 14 anos).

No momento estou fazendo meu terceiro curso de inglês (Engelska B), já que preciso deste diploma para o que pretendo fazer na universidade (em agosto de 2009), photoshop (terminei ontem) e pagemaker – ambos para refrescar a memória, já que mexia com isso na época da universidade de jornalismo. Próximo mês começo um em programação em Java e termino o ano com um de webdesign.

Entre os cursos, o inglês é o que mais sofre, pois a interação que Lys fala, através de ferramentas online, não existe neste caso. Sou avaliada por 5 “provas” escritas assim como uma gravação oral por prova. Sem contar com a prova nacional (writing, listening e reading), que neste caso é presencial, na escola para adultos (komvux) da cidade, porque oral mesmo, faço através do telefone ou Skype/MSN. O que na prática é péssimo, já que nenhum aprendiz em um idioma desenvolve instantânea capacidade de se comunicar pelo telefone com facilidade.

Não vou ser tão radical, mas existe a disponibilidade de tirar dúvidas com professores na escola e um dia de speaking, para trabalhar o oral. O porém é que não existe a real possibilidade de treinar o ouvido e ter interação com o professor e outras pessoas de maneira que seu nível no idioma evolua. Explico.

Existem várias datas disponíveis para o início do curso assim como a possibilidade de escolher quando terminá-lo. Isso é um ponto bastante positivo, já que todos, inclusive aqueles que trabalham, podem ser contemplados ao longo do ano e estudar na velocidade que mais agrada.

Quando comecei o Ingles B, haviam apenas 2 pessoas que fariam o curso, eu inclusa. A outra pessoa, terminaria o curso em 5 semanas. Eu escolhi concluir em 10. Isso impossibilitaria um encontro nos dias de speaking, já que a velocidade de estudo desta pessoa não coincidiria com a minha. Resultado: como não me comunico com ninguém, o speaking e o listening são diretamente afetados, assim como o exercício da interação no idioma.

Acredito que o Ensino a distância (também conhecido como e-learning) é muito bom, quando existem possibilidades para desenvolver as habilidades que você aprende na medida que o conhecimento está sendo adquirido. No meu caso, neste caso do inglês (o terceiro curso que faço nesse sistema), o ensino a distância está sendo desmotivador.

As universidades e faculdades na Suécia estão repletas de cursos à distancia. Segundo o site NetUniversitet, existem mais de 3 mil cursos e cerca de 100 programas completos em 35 universidades e faculdades no país.

Neste caso do EaD nas unviersidades, ainda não sei como funciona. Dos 6 cursos que escolhi para o próximo semestre, 2 ou 3 são ministrados à distância. Se for aceita, bom, vou ver como funciona.

No caso de EaD no Brasil, acredito na iniciativa e creio que seja bastante positiva, tanto para alunos quanto para aqueles que ja trabalham na área. Isso é de qualquer forma, mais um campo de trabalho a ser explorado no país e um ferramenta poderosa para o futuro. Mas penso que ainda existe um longo caminho para a melhoria desses sistemas e plataformas, para que o resultado de todo esse novo investimento (financeiro e emocional) seja recompensado.

  • A palavra em sueco do dia é distansundervisning [distâns-undervisning] , Ensino a distância