Inglês para viking ver

barco_vFinalmente estou livre do ingles. Sim pessoas, ha uma hora terminei minha prova oral de inglês B e estou aliviadíssima. Na verdade, estou super contente. Tirei VG (Väl Godkänd), o que quer dizer aprovado com mérito. Para quem não fala inglês nem com o porteiro (que nao existe) nem com o padeiro, a tarefa de desenvolver um diálogo por telefone durante 1h com meu querido professor em Malmö é uma vitória imensa.

Na verdade, a conversa deveria ser de 20 minutos. Mas bom, impossível falar da historia Inglesa, escritores ingleses, fazer traduções e ainda falar de mim em 20 minutos. Principalmente se a minha capacidade de formar uma frase em ingles é interrompida por inúmeros “ahãs-pensativos” numa torre babel que é a minha cabeça. Sem contar com a tremedeira que me acometeu antes e durante a conversa. Um suor frio nos pés que nem conto. Mas bom, finalmente terminei.

Foi a primeira vez que nos falamos (eu e o professor) e achei-o simplesmente um doce. Ele falou coisas em francês e espanhol, me deu dicas interessantíssimas e foi super gentil. Uma das coisas que ele me disse, quando falávamos do “descobrimento” da América foi que recentemente foram encontrados vestígios de que um viking da Islandia, mais precisamente Leif Eriksson, foi o primeiro europeu a colocar os pés no continente americano, onde hoje é o Canadá.  A América do Norte foi batizada, então, de Vinland (aqui em português). Isso num é genial?! Eu amei saber da história e já estou lendo os poucos sites que existem sobre o assunto.

Bom, agora é me preparar para a prova de programação em JAVA, na próxima segunda!!  Ai saco!

  • A palavra em sueco do dia é förberedelse , [fórbêrêdelse] preparação, planejamento, exercício

Reta final da maratona do sueco

É assim que estou me sentindo! Completamente exausta. A maratonado curso de sueco ainda não acabou. Ao contrário da maratona de Estocolmo que, como todas as outras começa e termina no mesmo dia. Aliás, ela ocorreu neste último sábado sob um calorão de dar inveja aos amigos franceses, mas tudo bem (fecha parênteses).

Estou na reta final, com mais dois dias pela frente. Por isso ainda estou correndo, como a moça aí ao lado!

É importante dizer que as provas deste ano para o tercero nível (Behörighetsgivande kurs – Curso que preenche às exigencias para se continuar os estudos na universidade) se igualaram em conteúdo e forma ao TISUS (teste de proficiência da língua sueca).

A primeira da série foi a prova de skriftlig composta também de läsförståelse (expressão e compreensão de texto, respectivamente) que ocorreu na última sexta-feira. 2h30 para escrever sobre um assunto que pegou todos de surpresa: Espaço – Esperança ou Ameaça. Vi muitas pessoas paradas, ou melhor, chocadas, durante muuito tempo. Algumas delas, inclusive, só começaram a escrever depois de 1h de prova.

A segunda metade da prova (läsförståelse) foi dividida em duas outras partes. A primeira: 5 textos de compreensão (aliás, bem complicadinhos), dos quais tirados 3 do Svenska Dagbladet – SvD, e mais dois textos com teor científico (um sobre a descoberta de uma doença e outro sobre física) para ler e responder questões em 1h. A segunda: um texto de cinco páginas (frente e verso) não para ler, mas para procurar respostas para quase 20 perguntas. O tempo: 35 minutos!

A carga de energia que coloquei para fazer essa prova foi tão grande que saí da universidade às 18h quase morta. A enxaqueca bateu e ficou. Corri para casa verde de fome, tomei o remédio que nao afeta meu sensível estômago (sim!! ainda tenho que contar essa!) e às 20h estava dormindo no sofá. Capotei seriamente

Hoje foi a dureza. A prova mais temida por essa pessoinha aqui: Muntlig!! Sinceramente, vejo essa palavra piscando em vermelho (e as vezes azul) quando fecho os olhos. É meu terror.
Três temas para se preparar com 10 dias de antecedencia:

  1. Sociedade de controle (nem sei se dizemos assim em português) com foco nas possibilidades de o poder controlar o indivíduo – várias palavras chaves foram dadas para que pesquisássemos sobre o assunto. Câmeras (na rua e/ou no trabalho), google, internet, número pessoal, ser vigiado,empresa, empregado, empregador, foram algumas delas.
  2. Esporte – comércio, encontro cultural, política. Foco nos Jogos Olimpicos na China em 2008. Boicote, política, publicidade, financiamento, patrocinio, terrorismo, nacionalismo etc.
  3. Técnicas de DNA – ajuda, ameaça ou ambas. Foco no uso dessas técnincas em diversas áreas. Arqueologia, biologia, análise de DNA, integridade, clone, doenças, etc.

O professor muito bonzinho nos deixou escolher o tema. No meu grupo, uma russa e uma polonesa (que diga-se de passagem, fala muuuito bem sueco). Pegamos o primeiro e a conversa rolou numa boa. Acabamos entrando pelo terceiro ponto e os 30 minutos passaram voando. Saí aliviada, completamente.

Amanha e quarta, vamos apresentar nosso projeto e opor outro, respectivamente. Sim, na Suécia é comum projetos de pesquisa serem elaborados em grupo ou mesmo em dupla! Pasmem! O nosso foi escrito a oito mãos. nada mais tranquilo do que fazer trabalho de grupo (o que francamente acho deveria ser o codinome do país). Aqui se faz trabalho em grupo demais!! Demais!! Não é exagero!

Mas bom, cruzem os dedos pois ainda tenho que beber muita água para continuar e correndo e cruzar sã (isso é muito importante!) na linha de chegada!

  • A segunda palavra em sueco do dia é springa [sprin[g]a], correr

As línguas Nórdicas

Desde agosto do ano passado, estudo Svenska som främmande språk (sueco como língua estrangeira) na Universidade de Estocolmo. Apesar do curso ser na uni, o nível é ginasial. Agora estou no nivel 3 (apesar de não existir nivel 1 😛 ) que este semestre mudou de nome. Agora ele se chama Behörighetsgivande kurs i svenska (Curso que te dá qualificações em sueco para cursar uma universidade).

O curso faz parte da Instituição para línguas Nórdicas (Institutionen för Nordiska Språk) que oferece cursos, além do sueco, de dinamarquês, noruguês, holandês, islandês, sueco antigo, gótico etc.

Hoje tivemos um seminário bastante interessante no qual as duas professoras dividiram as 3 horas de aulas em 2 momentos: Norueguês e Dinamarquês. Eu adorei!

A primeira professora, norueguesa, foi bastante simpática, comunicativa e capaz de prender nossa atenção. Ela falou em norueguês a aula inteira. Sim, inteirinha!!! Lembrei imediatamente da aula de Mércia. O tema da aula foi as duas variações de norueguês. Sim, esta eu não sabia. Na Noruega existe duas línguas, não como na Bélgica ou Canadá que tem o inglês e frances como línguas oficiais, mas norueguês e norueguês. 😕

Explico: segundo a professora, na Noruega existe duas variantes de norueguês: Nynorsk (novo norueguês) e o Bokmål (dano-norueguês). Para poder entender melhor, precisamos voltar um pouco no tempo.

A Noruega e a Dinamarca faziam parte de uma união estabelecida entre esses dois países a partir de 1450. No entanto a Noruega só deixou de ser um reino independente em 1536. Na aula, a professora explicou que com o domínio dinamarquês, a língua norueguesa escrita desapareceu, sendo substituída pelo dinamarquês.

Quando a união, na qual a Suécia anos depois veio fazer parte, finalmente acabou, 1813, a Suécia “levou para casa” a Noruega como prêmio de guerra. A dissolução da união Noruega-Suécia aconteceu pacificamente em 1905.

Mas foi ao final da primeira união (Noruega-Dinamarca) que os “problemas” linguísticos começaram.

O objetivo de se construir a língua escrita era claro, mas país entrou num dilema:

  1. Continuar escrever dinamarquês;
  2. “Noruguêsar” o dinamarquês
  3. Construir uma nova língua escrita com bases na língua oral.

Uma corrente liderada pelo linguista Ivar Aasen (o qual compilou vários dialetos e compôs o Nynorsk) defendia o radical abandono do dinamarquês e a rápida composição de uma língua norueguesa. A ligação entre a idéia de nação e língua para a formação de uma identidade nacional era bastante forte.

Do outro lado da corrente estava o linguísta, Knud Knudsen, o qual pregava a prudência e a construção da nova língua escrita atraves da língua falada. O Bokmål é o que poderíamos dizer da junção do norueguês falado com alguns traços de herança dinamarquesa na escrita.

Vocês devem estar se perguntando, sim, mas e no que deu o resultado?

Bom, a professora nos mostrou um mapa da Noruega onde em 1945 apenas 15% da população falava Nynorsk e 85% o Bokmål (mapa de 2007, para ele só as cores correspondem).

Hoje, o Bokmål é a língua dominante, apesar do forte lobby do Nynorsk (hoje minoria, mas em forte crescimento), e é usado nas escolas e repartições públicas.

Muitos devem estar pensando qual a vantagem em ter duas linguas que, em vez de facilitar, complicam a situação. Bom, primeiramente é uma idéia bastante excitante, do ponto de vista acadêmico e social. Acadêmico pois a língua está em constante evolução, entre outros. Social pelo fato de todos terem espaço na sociedade para se expressar através de sua língua nativa (vejam o caso do Paraguai – com o espanhol e guarani).

Lógico que tem inúmeros pontos negativos, entre eles o de aprender a língua. 😉

Achei interessantíssima a aula. Ahh, detalhe, conseguimos enterder tuuuudo!!

Bom, o segundo tempo começa com a professora dinamarquesa (uma figura!!). No entanto, a aula foi menos interessante que a anterior.

Ela falou de varias coisitas curiosas e depois nos mostrou quais as maiores diferenças entre o sueco e o dinamarquês, na escrita (pois no oral é praticamente impossível entender).

Uma curiosidade: A bandeira dinamarquesa é um símbolo de alegria, muito mais do que de nação. A bandeira é usada em festas, nascimentos e é sempre relacionada a algo festivo.

Ela lembrou dos últimos acontecimentos que envolveram a queima da bandeira dinamarquesa em vários países em demonstração de ódio contraas caricaturas de Maomé. Ela lembrou que em vez de raiva, seus conterrâneos sentiram uma tristeza profunda ao vê-la queimando.

O mais engraçado foi na hora em que ao começar o seminário alguém perguntou em que língua ela falaria (já que ninguém entende dinamarquês). Ela disse que falaria em “escandinavo” (ou seja, sueco) pois os suecos consideram sua língua como a principal. No entanto, ela rebateu com o seguinte dito:

O sueco (a língua) é o dinamarques falado de forma mais clara.

Entretanto, os suecos costumam dizer:

O dinamarquês (a língua) é o sueco falado quando se tem papa na boca

Em resumo, duas coisas saímos falando da sala:

1. Estudando sueco, ganhamos mais duas línguas no pacote (Norueguês e Dinamarquês), já que, apesar de díficil de falar e entender, de acordo com a segunda professora, em 3 semanas é possivel um falante da língua sueca entender e começar a balbuciar dinamarquês.

2. O sueco é definitivamente mais fácil de aprender que o norueguês e o dinamarquês!!

  • A palavra em sueco do dia é granne (ar) [granne], vizinho (s)