Como estudar na Suécia?

Muita gente me escreve perguntando os passos que devem seguir para vir estudar na Suécia, seja para estudar sueco ou fazer mestrado. Vou tentar reunir o máximo de informações possíveis neste post para que ele sirva de referência quando alguém cair por aqui.

No entanto, podem existir excessões que fogem ao meu conhecimento. Por este e outros motivos, aconselho a todos clicar nos links deste post ou mesmo entrar em contato direto com os órgãos correspondentes. Aviso antecipadamente: o post é longo. Vamos lá…

Diferentemente de outros países da Europa, a Suécia não é um país onde pode-se encontrar cursinhos de línguas espalhados em cada esquina. Existem algumas instituições que oferecem cursos de verão pagos, no entanto, o estudo da lingua sueca não garante visto de estudante.

Lembro também que as regras para quem tem passaporte europeu ou é cidadão nordico são diferentes.

Algumas escolas que oferecem cursos pagos:

Folkuniversitetet

Studiefrämjandet

Medborgarskolan (informação apenas em sueco)

A única possibilidade de se adquirir um visto de estudante para a Suécia é ter sido aceito em uma das universidades do país. Em alguns casos, os estudantes têm direito a cursos de sueco oferecidos pela própria universidade.

Informações de como obter visto de estudante ou outro tipo de visto acessar a página da imigração sueca (em inglês).

Algumas universidades do país possuem cursos de sueco para estrangeiros. Os prazos de inscrição e suas respectivas regras são os mesmos para a inscrição em qualquer curso universitario. O site studera.nu (em inglês) informa quais os procedimentos para se inscrever nos cursos das universidades suecas assim como as datas para as inscrições e envio de documentos.

Curso em tempo completo

Linköping University oferece College Course in Swedish

Umeå University oferece Foundation Course in Swedish

Mälardalen University oferece o Scandinavian Studies Programme

Göteborg University oferece o curso para iniciantes: parte um e parte dois

Informações retiradas do site Study in Sweden. Sobre cursos em tempo parcial e cursos avancados também podem ser encontrados no site acima.

CURSOS GRATUITOS DE SUECO NA SUÉCIA

SFI – Svenska för Invandrare (sueco para imigrantes)

Quem imigra (seja por que vem morar com marido, namorado (a), família, assim como quem vem como asilado ou a trabalho) tem direito a estudar sueco gratuitamente nas escolas para adultos (komvux) em todo o país. Para isso, é necessário além do visto colado no passaporte, estar registrado no Skatteverket (Receita Federal) e receber o personnummer (o número pessoal – o seguro social sueco).

Com isso na mão, é hora de ir na escola, se informar quando o curso começa e se inscrever (gratuitamente). Em algumas escolas, um teste de nível é feito para avaliar o grau de conhecimento na língua e assim poder separar corretamente os alunos por nível.

Repito, isto não acontece em todas as escolas do país, portanto, não tomem esta premissa como verdadeira na escola que você for estudar. Existem casos de pessoas que foram colocadas em salas com gente que nem havia estudado em seu país de origem. Talvez por falta de estrutura na escola ou por falta de estudantes para compor uma classe. Não estou aqui para julgar. Particularmente, tive uma ótima experiência no SFI.

Existem vários níveis de SFI que vão do A ao D, sendo A o mais baixo e o D o mais alto.

O tempo que cada um passa no SFI é bastante relativo. Isto depende de vários fatores, os quais incluem facilidade em aprender uma língua estrangeira e o quanto você se esforça para estudar, entre outros. A média são 6 meses.

SFA – Svenska för Akademiker (sueco para acadêmicos)

Existem escolas que já estão preparadas para receber pessoas com níveis acadêmicos, ou seja, que já possuem um diploma universitário. Muitas escolas não nomeiam o SFA, mas consideram que o nível C corresponde a esta classificação. Isto será avaliado no momento da inscrição (ou do teste de nível). O estudo de outras línguas estrangeiras também é levado em consideração para uma boa classificação.

SAS G – Svenska som Andra Språk Grundläggande (sueco como segunda língua – curso fundamental)

Ao terminar o SFI, uma prova nacional é feita e, caso aprovado, o estudo é seguido do curso SAS. O SAS G é um nível que nem todas as escolas oferecem. Caso sua escola possua o curso, você pode cursá-lo diretamente após a prova nacional ou solicitar um teste de nivelamento. A escola que estudei possuía 3 níveis. Dependendo do seu conhecimento de sueco, é possível que você nem precise fazer o SAS G e vá direto para o SAS A.

O tempo do curso pode variar dependendo do nível que você cair. Do primeiro ao último nível, na escola que estudei, a duração do curso é de 1 ano.

SAS A – Svenska som Andra Språk (sueco como segunda língua – nível A)

No SAS A você estará estudando no nível ginasial, ou seja, o mesmo que pessoas com 15 anos. Muitos dizem que é o equivalente ao nível de ginásio que um sueco estuda. No entanto, segundo minha professora na universidade, o SAS A equivale ao ginásio dos adolescentes estrangeiros que cursam a língua (um curso especial é oferecido para aqueles que entram no sistema com esta idade), paralelo aos estudos de outras matérias.

SAS B – Svenska som Andra Språk (sueco como segunda língua – nível B)

“Último estágio” do aprendizado da língua sueca. Após este curso você estará habilitado na língua para entrar numa universidade na Suécia.

Svenska som främmande språk – Sueco como língua estrangeira

Quem estiver interessado em pular etapas, pode tentar fazer o curso oferecido pela Universidade de Estocolmo. Pular etapas significa se você estiver no SFI, decidir fazer a prova e conseguir passar, você vai estudar apenas 1 ano (dois semestres). Sobre este curso, já escrevi no blog em várias ocasiões (Nas categorias Sueco e Universidade vocês poderão encontrar mais coisas, alguns dos posts: Universidade, ai vou eu!!!! e As línguas nordicas).

Mestrado e Doutorado na Suécia

Não faço nem fiz mestrado nem doutorado na Suécia. Nem sei se pretendo fazer. Mas encontrar informações sobre isso não é tão difícil como parece.

Segundo o site Study in Sweden, existem no país 48 instituições creditadas como ensino superior. Muitas delas inclusive oferecem ensino em inglês. Este link leva você direto para a página que informa sobre as universidades existentes na Suécia.

Lá você pode encontrar uma lista em ordem alfabética das universidades (com direito a mapa) assim como as mesmas universidades separadas por região e tamanho.

Normalmente, informações sobre os cursos de mestrado e doutorado podem ser encontradas nas páginas das próprias universidades.

Paola escreveu um ótimo post sobre Mestrado e Doutorado na Suécia, passem lá e dêem uma conferida.

Mais informações sobre o ensino superior sueco pode ser encontrada nesta página (em inglês).

  • A palavra em sueco do dia é studera [sstudera], estudar

Choque cultural, quem imigra passa por isso!

Sábado li o capítulo do livro que preciso para o simulado da prova oral de terça-feira. Algo como “O que acontece conosco quando as coisas não batem/entram em conflito” O interessante é que uma das situações descritas traduz se não quase, exatamente o que estou sentindo neste momento. Explico. Existem vários processos pelo qual uma pessoa que imigra (não acontece com todos, mas é possível afirmar que é uma quantidade significativa) passa até o que podemos chamar de uma completa adaptação. Esses sentimentos não são os mesmos se comparamos com aqueles que passam pequenas temporadas em países estrangeiros ou fazem viagens de férias.

O primeiro deles é förvirring, isto é a confusão, desordem, perturbação. A partir do momento em que se entra em contato com outra cultura começam a surgir sinais de que aquilo que você estava acostumado a fazer, dizer ou agir não será interpretado da forma esperada, ou seja, valores, símbolos, gestos e comportamentos não terão o mesmo significado numa terra estrangeira que teria no teu país. Tudo isso é passível de má interpretação. Tudo o que parecia simples passa a ter um outro peso, tudo terá de ser medido para evitar situações desconcertantes, você passa a refletir sobre todos os teus atos.

Depois vem o que o Herlitz chama de kulturchock, ou choque cultural. Na verdade, ele explica que o uso desse termo é infeliz por gerar máscabeloempe.jpg interpretações. O termo adequado seria kulturtrötthet, isto é, cansaço, fadiga cultural. Ele pontua que a primeira fase no país é geralmente acompanhada de um certo encantamento, onde tudo é perfeito, como por exemplo exclamações do tipo “Como eles são bonitos!”. Em seguida, tudo passa a incomodar, como “É certo que eles são bonitos, mas vocês perceberam como são sujos?!”.

O cansaço cultural pode causar uma série de comportamentos diferentes, como angústia e até depressão. A agressividade é uma maneira de tratar esse tipo de decepção. A reação mais comum é rejeitar tudo ao redor e exaltar o país de origem. Outra reação é o isolamento. Você não quer encarar o mundo lá fora porque não parece seguro do ponto de vista psicológico. Um ponto interessante é a constatação de que as mulheres são afetadas com mais força por esses sentimentos. Dentre vários exemplos, o autor pontua a reflexão sobre o papel da mulher enquanto profissional e a relação da mulher com a carreira escolhida.

Eu consigo me ver em ambos os pontos, com mais ou menos frequência. No meu caso não é a cultura, gestos ou atitudes que me cansam mas minha relação com o idioma me deixa nessas situações. Tipo, não sou uma pessoa agressiva, muito pelo contrario, mas me vejo tendo atitudes que jamais teria em outras ocasiões. Sei que muito disso é inconsciente e só me dou conta depois que agi e falei. Sei também que é questão de tempo, que as coisas se encaixam e tudo volta ao normal. O problema é o gerenciamento desse processo.

eletrico.gifEstou em uma fase de amor e ódio com a língua. As vezes adoro, acho lindo, me empolgo, falo pacas, mas outras não quero entender nem um “ai”, nada entra na minha cabeça, por mais que estude, e a incontrolável sensação de impotência que me leva muitas vezes ao choro e a angústia. É um mal humor e uma falta de paciência que se prolonga por dias. Muitas das vezes esses sentimentos aparecem após alguns comentários, quando vou pedir alguma informação ou mesmo após um “branco” no meio de uma conversa, argumentação. O moço aqui de casa fica sem entender e muitas vezes não sabe o que fazer quando me vê assim. Para minha sorte ele é bem paciente. :)

O autor explica ainda a existência da Janela de Johari (em inglês), um modelo utilizado na psicologia para auxiliar na compreensão do auto conhecimento, da comunicação interpessoal e das relações com o grupo. Adoro psicologia! A partir deste modelo é possível entender o porque da necessidade de se relacionar com conterrâneos em um país estrangeiro.

O modelo é composto de quatro janelas:

I – A primeira delas é aquela em que eu quero que outras pessoas vejam e saibam sobre mim. II – Aquilo que desconheço sobre mim mas que os outros percebem. Essa área é também conhecida como a “área do mau hálito” por se referir a fenomênos e comportamentos que emitimos sem se dar conta do que está sendo feito. III -Esta área é aquela em que escondemos sentimentos, atos que não queremos revelar. É a área em que eu não quero que os outros vejam ou saibam. IV– Aqui é o que o autor chama de “Meu potencial”. Aquilo que não temos conhecimento que possuímos e que cientistas costumam chamar de área do cérebro inutilizada em cada indivíduo.

Se tomarmos em consideração os conceitos iniciais vemos que, por exemplo, ao restringir inconscientemente nossos atos, gestos e palavras para que desentendimentos não aconteçam nós estamos transferindo ações do I para o III, fazendo com que a área do eu secreto aumente e consequentemente a do eu aberto diminua. A confusão só aumenta, Herlitz explica: Em casa, na terra natal, sou eu mesmo, consciente, que escolho o que quero esconder.

Uma pessoa que se encontra em tal situação (com a balança desequilibrada) não tem como se sentir bem. Sem poder se expressar, agir naturalmente a pessoa se sente insatisfeita. E é aí que entra o papel dos conterrâneos. Segundo o Herlitz, são apenas eles que são capazes de decifrar meu comportamento, meus medos, minha língua (acho que isso depende de vários fatores). Tenho sorte de ter encontrado as meninas e ter formado uma família lulu que se encontra semanalmente nem que seja apenas para dar um abraço e tomar um café. Digerir esses sentimentos fica mais fácil e a cada encontro volto para casa de ares renovados.

O tempo é o melhor remédio, cura tudo, como costuma dizer minha mãe. Sabedoria popular confirmada por especialistas que afirmam que o aprendizado da língua, a compreensão dos valores, leis, moral, regras do novo país assim como a interpretação das reações ao seu redor faz com o que a balança volte a se equilibrar. Aliado a isso, ao aprender a interpretar sinais e me fazer entender da forma correta a confusão desaparece e o feedback esperado acontece fazendo com que a adaptação se complete.

  • O verbo em sueco do dia é anpassa sig [ãnpássa sei] , se adaptar