As línguas Nórdicas

Desde agosto do ano passado, estudo Svenska som främmande språk (sueco como língua estrangeira) na Universidade de Estocolmo. Apesar do curso ser na uni, o nível é ginasial. Agora estou no nivel 3 (apesar de não existir nivel 1 😛 ) que este semestre mudou de nome. Agora ele se chama Behörighetsgivande kurs i svenska (Curso que te dá qualificações em sueco para cursar uma universidade).

O curso faz parte da Instituição para línguas Nórdicas (Institutionen för Nordiska Språk) que oferece cursos, além do sueco, de dinamarquês, noruguês, holandês, islandês, sueco antigo, gótico etc.

Hoje tivemos um seminário bastante interessante no qual as duas professoras dividiram as 3 horas de aulas em 2 momentos: Norueguês e Dinamarquês. Eu adorei!

A primeira professora, norueguesa, foi bastante simpática, comunicativa e capaz de prender nossa atenção. Ela falou em norueguês a aula inteira. Sim, inteirinha!!! Lembrei imediatamente da aula de Mércia. O tema da aula foi as duas variações de norueguês. Sim, esta eu não sabia. Na Noruega existe duas línguas, não como na Bélgica ou Canadá que tem o inglês e frances como línguas oficiais, mas norueguês e norueguês. 😕

Explico: segundo a professora, na Noruega existe duas variantes de norueguês: Nynorsk (novo norueguês) e o Bokmål (dano-norueguês). Para poder entender melhor, precisamos voltar um pouco no tempo.

A Noruega e a Dinamarca faziam parte de uma união estabelecida entre esses dois países a partir de 1450. No entanto a Noruega só deixou de ser um reino independente em 1536. Na aula, a professora explicou que com o domínio dinamarquês, a língua norueguesa escrita desapareceu, sendo substituída pelo dinamarquês.

Quando a união, na qual a Suécia anos depois veio fazer parte, finalmente acabou, 1813, a Suécia “levou para casa” a Noruega como prêmio de guerra. A dissolução da união Noruega-Suécia aconteceu pacificamente em 1905.

Mas foi ao final da primeira união (Noruega-Dinamarca) que os “problemas” linguísticos começaram.

O objetivo de se construir a língua escrita era claro, mas país entrou num dilema:

  1. Continuar escrever dinamarquês;
  2. “Noruguêsar” o dinamarquês
  3. Construir uma nova língua escrita com bases na língua oral.

Uma corrente liderada pelo linguista Ivar Aasen (o qual compilou vários dialetos e compôs o Nynorsk) defendia o radical abandono do dinamarquês e a rápida composição de uma língua norueguesa. A ligação entre a idéia de nação e língua para a formação de uma identidade nacional era bastante forte.

Do outro lado da corrente estava o linguísta, Knud Knudsen, o qual pregava a prudência e a construção da nova língua escrita atraves da língua falada. O Bokmål é o que poderíamos dizer da junção do norueguês falado com alguns traços de herança dinamarquesa na escrita.

Vocês devem estar se perguntando, sim, mas e no que deu o resultado?

Bom, a professora nos mostrou um mapa da Noruega onde em 1945 apenas 15% da população falava Nynorsk e 85% o Bokmål (mapa de 2007, para ele só as cores correspondem).

Hoje, o Bokmål é a língua dominante, apesar do forte lobby do Nynorsk (hoje minoria, mas em forte crescimento), e é usado nas escolas e repartições públicas.

Muitos devem estar pensando qual a vantagem em ter duas linguas que, em vez de facilitar, complicam a situação. Bom, primeiramente é uma idéia bastante excitante, do ponto de vista acadêmico e social. Acadêmico pois a língua está em constante evolução, entre outros. Social pelo fato de todos terem espaço na sociedade para se expressar através de sua língua nativa (vejam o caso do Paraguai – com o espanhol e guarani).

Lógico que tem inúmeros pontos negativos, entre eles o de aprender a língua. 😉

Achei interessantíssima a aula. Ahh, detalhe, conseguimos enterder tuuuudo!!

Bom, o segundo tempo começa com a professora dinamarquesa (uma figura!!). No entanto, a aula foi menos interessante que a anterior.

Ela falou de varias coisitas curiosas e depois nos mostrou quais as maiores diferenças entre o sueco e o dinamarquês, na escrita (pois no oral é praticamente impossível entender).

Uma curiosidade: A bandeira dinamarquesa é um símbolo de alegria, muito mais do que de nação. A bandeira é usada em festas, nascimentos e é sempre relacionada a algo festivo.

Ela lembrou dos últimos acontecimentos que envolveram a queima da bandeira dinamarquesa em vários países em demonstração de ódio contraas caricaturas de Maomé. Ela lembrou que em vez de raiva, seus conterrâneos sentiram uma tristeza profunda ao vê-la queimando.

O mais engraçado foi na hora em que ao começar o seminário alguém perguntou em que língua ela falaria (já que ninguém entende dinamarquês). Ela disse que falaria em “escandinavo” (ou seja, sueco) pois os suecos consideram sua língua como a principal. No entanto, ela rebateu com o seguinte dito:

O sueco (a língua) é o dinamarques falado de forma mais clara.

Entretanto, os suecos costumam dizer:

O dinamarquês (a língua) é o sueco falado quando se tem papa na boca

Em resumo, duas coisas saímos falando da sala:

1. Estudando sueco, ganhamos mais duas línguas no pacote (Norueguês e Dinamarquês), já que, apesar de díficil de falar e entender, de acordo com a segunda professora, em 3 semanas é possivel um falante da língua sueca entender e começar a balbuciar dinamarquês.

2. O sueco é definitivamente mais fácil de aprender que o norueguês e o dinamarquês!!

  • A palavra em sueco do dia é granne (ar) [granne], vizinho (s)